Rodolfo Stuckert/Câmara dos Deputados
Rodolfo Stuckert/Câmara dos Deputados

Veja os detalhes da cerimônia de posse presidencial de Jair Bolsonaro

Da Granja do Torto até subir a rampa para receber a faixa e os preparativos para o coquetel com autoridades, veja como ser o dia de Bolsonaro

Paulo Beraldo e Carla Bridi, O Estado de S.Paulo

26 Dezembro 2018 | 07h00

Neste 1.º de janeiro, Jair Bolsonaro38º presidente da República do Brasil, participa da cerimônia de posse que dá inicio ao primeiro de seus quatro anos de mandato. A expectativa do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), órgão ligado à defesa da Presidência, é de que até 500 mil pessoas participem do evento que ocorre na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O presidente deve chegar à Esplanada por volta das 14h30.

Conforme mostrou a Coluna do Estado, a posse presidencial dobrou a taxa de ocupação de hotéis em Brasília para a virada do ano, segundo estimativas do setor. A ocupação média está em 67%, com expectativa de alcançar 75%. Os hotéis de luxo são os mais procurados até agora.

O trajeto

Jair Bolsonaro deve sair por volta das 14h30 da Granja do Torto, uma das residências oficiais da Presidência, com destino à Catedral Metropolitana de Brasília, um dos marcos arquitetônicos da cidade, localizada na Esplanada. Ele estará acompanhado da primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em frente à Catedral, Bolsonaro encontrará o vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, e em carros separados seguirão ao Congresso Nacional

Da Catedral, Bolsonaro segue para o Congresso, onde deve chegar às 15h. Tradicionalmente, os eleitos desfilam no Rolls-Royce, modelo 1952, da Presidência, mas, por segurança, não está descartado o trajeto ser feito em carro fechado e blindado. Bolsonaro, o vice e suas esposas serão recebidos pelo presidente do Congresso e do Senado, Eunício de Oliveira (MDB-CE) e pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Na Casa, também estará presente o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, além de outros líderes políticos. Às 16h, haverá uma sessão solene no Plenário da Câmara, fechada para convidados, conduzida por Eunício, que deve discursar após o presidente eleito. O Hino Nacional será executado pela Banda dos Fuzileiros Navais, e então o presidente e o vice-presidente serão considerados empossados. 

Após essa cerimônia, Bolsonaro desfilará em direção ao Palácio do Planalto, trajeto que contará com a tradição de 21 tiros de canhão e desfile das tropas do Exército Brasileiro. Ao subir a rampa do Palácio,por volta das 16h30, Bolsonaro será recebido pelo presidente Michel Temer, que entregará a faixa presidencial ao novo presidente. A cerimônia se encerra com um discurso público de Bolsonaro, que também deve empossar seus ministros e posar para a foto oficial.

Para finalizar, um coquetel ocorrerá no Palácio do Itamaraty com a presença de aproximadamente 2.500 convidados, entre eles autoridades nacionais e internacionais. Às 20h30, há previsão de que ele vá para o Palácio do Planalto. 

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Segurança

Devido ao atentado a faca sofrido por Bolsonaro em setembro, durante a campanha, o esquema de segurança da cerimônia será reforçado. Ainda não foi definido se o presidente eleito desfilará a bordo do Rolls-Royce conversível, tradicional veículo usado durante cerimônias pelos presidentes desde a década de 1950. O carro foi utilizado no primeiro ensaio na Esplanada, realizado no domingo, 23

A Esplanada está bloqueada desde o início da madrugada de 31 de dezembro e será reaberta apenas na manhã de 2 de janeiro. Será proibida a entrada de pessoas com bebidas alcoólicas, garrafas, fogos de artifício, apontadores de laser, animais, bolsas, mochilas, máscaras, produtos inflamáveis, armas de fogo, objetos cortantes, drones e até carrinhos de bebê. Haverá revista manual e detector de metais para entrar na cerimônia. 

Convidados

Cerca de 60 delegações estrangeiras são esperadas na posse. Uma delas é a dos Estados Unidos, chefiada pelo secretário de Estado Mike Pompeo. Apesar da aproximação com o país, nem o presidente Donald Trump nem o vice-presidente, Mike Pence, participarão do evento. 

Desde a campanha, Bolsonaro tem se alinhado a medidas tomadas pelos EUA, como a pretensão de mudar a embaixada brasileira em Israel para a cidade de Jerusalém, atualmente não considerada a capital oficial do país. A medida é polêmica e desagradou países árabes, importantes parceiros comerciais do Brasil. 

Por razão disso, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, seria um dos destaques presentes na posse. O premiê deve vir ao Brasil para se reunir com Bolsonaro no Rio de Janeiro antes da cerimônia, e havia confirmado presença no evento, mas por conflitos internos não ficará até o dia 1 no país. É a primeira vez que um premiê de Israel vem ao Brasil em viagem oficial. 

‘Desconvites’

Enquanto Bolsonaro consolida laços com alguns países, três chefes de Estado foram proibidos de comparecer à posse: Venezuela, Cuba e Nicarágua. Criou-se polêmica em relação aos convites para os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e de Cuba, Miguel Díaz-Canel

Em 16 de dezembro, Bolsonaro publicou em sua conta no Twitter que “regimes que violam as liberdades de seus povos e atuam abertamente contra o futuro governo do Brasil por afinidade ideológica com o grupo derrotado nas eleições, não estarão na posse presidencial em 2019”. 

O tuíte gerou a reação do chanceler venezuelano Jorge Arreaza, que publicou na mesma rede social fotos do convite da embaixada brasileira a Maduro, reforçando que o presidente venezuelano “jamais considerou assistir à posse de um governo como o de Bolsonaro”.

O futuro chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, veio a público explicar que o Itamaraty recomendou o convite a todos os chefes de Estado, assim sendo enviado o comunicado, mas que posteriormente a equipe de Bolsonaro julgou adequado desconvidar os líderes venezuelano e cubano.  

Posteriormente, Araújo publicou também no Twitter que “frente às violações do regime Ortega contra a liberdade do povo da Nicarágua, nenhum representante desse regime será recebido no evento do dia 1°”. A crítica direta ao presidente nicaraguense, Daniel Ortega, marcou o terceiro país a ser barrado da posse de Bolsonaro. 

Confira o cronograma previsto:

14h30 - Bolsonaro sai da Granja do Torto; 

14h45 – Chega à Catedral de Brasília, de onde parte para o desfile até o Congresso

15h – Chega ao Congresso

16h – Começa a solenidade de posse no plenário da Câmara dos Deputados

16h20 – Execução do Hino Nacional

16h30 – Deslocamento para Palácio do Planalto

16h40 – Pronunciamento oficial 

17h – Fotografia Oficial

18h25 – Chegada ao Itamaraty para receber autoridades 

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