Capítulo 01

Os problemas no ensino são graves e concretos; o governo vai enfrentá-los?

Na educação, especialistas dizem que é preciso focar na melhora da aprendizagem e na formação dos professores, mas novo governo tem se preocupado com a doutrinação nas escolas. O que será que vai virar política pública na era Bolsonaro?

Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2019 | 10h30

Caro leitor,

O Brasil tem uma agenda desafiadora e clara na área da educação. Nossos problemas são conhecidos: pouco investimento na primeira infância, alto índice de evasão entre os mais velhos, resultados muito ruins em avaliações, tema de reportagens como esta. Trata-se de uma crise de aprendizagem, como bem definiu o Banco Mundial.

Universidades e “think tanks” respeitados se debruçaram sobre os estudos e estatísticas e, há algum tempo, propõem os mesmos remédios – que passam, quase sempre, pela valorização dos professores, como o Estadão mostrou neste especial bacana.

A grande pergunta que ronda a área educacional na era Bolsonaro é: seu governo irá se debruçar sobre esses problemas graves e concretos ou, como aponta este editorial, irá gastar tempo e dinheiro com programas que fizeram sucesso no período eleitoral, mas pouco trazem de ganho objetivo, como o Escola Sem Partido? Como disse Priscila Cruz, presidente do Todos Pela Educação, um dos “think tanks” mais conceituados da área, devemos nos livrar das ideologias ou soluções mágicas.

Outra interrogação aparece porque pouco se sabe do novo ministro da educação, o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez. Ele foi escolhido depois que a bancada evangélica barrou o nome do diretor do Instituto Ayrton Senna Mozart Neves, um dos educadores mais respeitados atualmente, como contei nesse podcast. O Estadão foi o primeiro veículo a fazer um perfil de Rodríguez e mostrou que ele é um filósofo conservador que quer combater a “militância esquerdista” e a “ideologia de gênero” nas escolas.

análise de seus textos reforça esse perfil: o novo ministro é crítico do PT, da Teologia da Libertação, do "aparelhamento do Estado por marxistas" e das ideias do filósofo italiano Antonio Gramsci (1891-1937). É um porta-voz da direta liberal, seguidor dos ensinamentos do francês Alexis de Tocqueville (1802-1859).

Concordando ou não com as opiniões do presidente ou de seu ministro, não dá pra negar que Jair Bolsonaro fez com que o Brasil falasse de educação. Não se comentava o assunto como se faz com futebol, na mesa do bar, mas discussões acaloradas do WhatsApp. Mas no ano passado, aconteceu.

O debate nos levou a criar um jeito super original de mostrar propostas de educação dos candidatos, como se fossem stories do Instagram.

Como observei na minha coluna, os problemas da educação estão postos. Não é preciso inventar outros. O que, em outras palavras, significa que as políticas públicas do novo governo devem fazer com que as crianças aprendam. Simples assim.

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Renata Cafardo

Renata Cafardo

Repórter especial e colunista de educação

Está no Estadão desde outubro de 2017, em sua segunda passagem por aqui. A anterior foi de 2000 a dezembro de 2009. É jornalista especializada em educação e autora do livro O Roubo do Enem, da Editora Record. Fundadora e diretora da Jeduca, a associação de jornalistas de educação.

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