DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Presidenciáveis condenam ataques à caravana de Lula

Pré-candidatos usaram o Twitter para se manifestar sobre o assunto

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

28 Março 2018 | 10h20

Pré-candidatos à Presidência da República, Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (PSD), Manuela d´Avila (PCdoB), Marina Silva (Rede), Guilherme Boulos (PSOL) e Rodrigo Maia (DEM) condenaram nesta quarta, 28, em suas contas no Twitter, os ataques feitos contra a caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo sul do País. Nesta terça, 27, dois ônibus que levavam parte da equipe do petista foram atingidos por tiros no Paraná. Ninguém se feriu.

Para Alckmin, “toda forma de violência deve ser condenada”. De acordo com o governador paulista, é papel das autoridades apurar e punir os tiros contra a caravana do PT. “E é papel de homens públicos pregar a paz e a união entre os brasileiros. O País está cansado de divisão e da convocação ao conflito”, escreveu. Na noite desta terça, no entanto, o tucano havia adotado um discurso menos conciliatório, e até mesmo surpreendente, ao declarar à Folha de S.Paulo que o “PT estava colhendo o que plantou”.

A postura de Alckmin em relação ao futuro de Lula tem sido de cautela. De olho nos votos do PT, no caso de o ex-presidente ser impedido pela Justiça Eleitoral de disputar a eleição, o tucano tem evitado fazer ataques a Lula ou mesmo ao PT. Até mesmo sua posição em relação à prisão em segunda instância foi tornada pública apenas nesta terça. “Eu sou favorável a manter (o entendimento atual) porque, se não mantiver, vai transformar praticamente os tribunais regionais em tribunais de passagem para depois lá na frente ter uma decisão final.”

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O presidente Michel Temer, que, apesar da popularidade baixa, quer tentar a reeleição, condenou os tiros e disse que o clima de 'nós contra eles' não é bom para o País. Segundo Temer, o PT contribuiu para criar o cenário de radicalização política. "Isso pode criar um clima de instabilidade no País."

Segundo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em uma democracia as divergências políticas devem ser resolvidas nas eleições, atrás do debate e do respeito ao resultado eleitoral. “O que aconteceu ontem no Paraná foi um atentado contra a liberdade de expressão de um líder político e isso é inadmissível numa democracia”, disse Meirelles.

Marina Silva afirmou que repudia veementemente os tiros disparados contra a caravana do ex-presidente. “O uso da violência com motivações políticas é uma afronta ao regime democrático”, disse. “Devemos lutar pelo direito a livre manifestação e pelo respeito às instituições da Justiça, que são preceitos constitucionais e alicerces fundamentais da nossa democracia”, completou.

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Pré-candidato do DEM, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), também se manifestou pelo Twitter. "É gravíssimo o que aconteceu a Lula, não apenas o ataque a tiros contra o ônibus, que foi o ponto final de alguns dias de absurdos, uma tentativa de inviabilizar a mobilização do ex-presidente", disse.

Maia também cobrou uma posição do governo federal, para que se esclareça tanto os ataques a Lula quanto as ameaças vêm sofrendo o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. "Está na hora de o Estado brasileiro como um todo, o Ministério da Segurança, o governo federal, junto com os governos dos estados, avançar rapidamente nesses episódios que são simbólicos e apresentar soluções firmes, rápidas, exemplares para que essa violência que acompanhamos nos últimos dias não se repita em um país democrático."

O pré-candidato à presidência pelo PDT, Ciro Gomes, classificou como “barbárie" os disparos contra a caravana. Segundo o ex-governador do Ceará, o processo eleitoral não está em risco, mas a qualidade do debate político "crescentemente estigmatizada pela violência”, advertiu, pedindo a responsabilização imediata dos autores dos tiros. Ciro foi o principal convidado do seminário Novos Rumos para o Brasil, realizado nesta quarta-feira na Universidade Sorbonne Nouvelle, em Paris, na França. 

"Isso é um ato de barbárie que só pode ser reagido com uma providência: severa e veloz punição dos culpados”, apontou o pedetista. "É preciso que não nos antecipemos à investigação, porque no meio político tudo é possível. Mas o que nós não podemos deixar sob pendência é a apuração de quem fez aquilo e levá-lo às barras dos tribunais. Isso para ontem." 

Pré-candidata pelo PCdoB, Manuela d’Avila afirmou que estará com Lula nesta quarta em Curitiba. “Transformemos o ato da caravana de Lula de hoje, em Curitiba, num grande ato de resistência ao fascismo e ao ódio. De reafirmação do compromisso com a democracia”, afirmou. Presidenciável pelo PSOL, Guilherme Boulos também é esperado na capital paranaense.

“Os fascistas ultrapassaram qualquer limite. Toda solidariedade a Lula contra as agressões. É momento de unidade democrática e de resistência ativa. Com fascismo não se brinca”, afirmou Boulos, que considerou a declaração de Alckmin (PT colhe o que planta) como “um aplauso ao fascismo.”

A preocupação com a segurança do ex-presidente será pauta de uma reunião nesta manhã entre congressistas do PT e o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, que ontem classificou o episódio no Paraná como “inaceitável”. A Polícia Civil do Paraná instaurou inquérito policial para investigar o ataque. Já a PM paranaense afirmou que reforçará o policiamento.

Nesta quarta-feira, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), também pré-candidato à Presidência, e o Movimento Brasil Livre (MBL) participam de atos em Curitiba, onde está a caravana de Lula.

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