JOSHUA ROBERTS/REUTERS
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Os embates entre Olavo de Carvalho e o governo Bolsonaro

Escritor considerado 'guru' do Bolsonarismo já criticou militares, evangélicos e deputados do PSL, além de instaurar a crise no Ministério da Educação

Carla Bridi, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2019 | 09h30

O mais recente embate entre o escritor Olavo de Carvalho e o governo do presidente Jair Bolsonaro aconteceu nesta segunda-feira, 22, após a publicação de um vídeo em que Olavo critica o núcleo militar, com questionamentos a respeito de colégios militares e o uso do argumento de que as Forças Armadas salvaram o Brasil do comunismo. A conta oficial de Jair Bolsonaro, assim como a de seu filho, o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSC) compartilharam a publicação, que foi excluída horas depois. 

Por meio de pronunciamento do porta-voz da Presidência da República, Jair Bolsonaro defendeu que as afirmações de Olavo "não contribuem" para o projeto de governo. O vice-presidente, Hamilton Mourão, afirmou que o escritor teria que se "limitar" à sua função de astrólogo

Carlos, por sua vez, saiu em defesa do escritor nas redes sociais. "Olavo é uma gigantesca referência do que vem acontecendo há tempos no Brasil. Desprezar isto só têm três motivos: total desconhecimento, se lixando para os reais problemas do Brasil ou acha que o mundo gira em torno de seu umbigo por motivos que prefiro que reflitam", escreveu no Twitter. 

Entretanto, não é a primeira vez que o considerado "guru" do bolsonarismo teceu publicamente críticas a integrantes do governo. Os próprios militares têm sido alvos constantes do pensador, residente nos Estados Unidos e com interferência direta no Planalto. Durante a crise no Ministério da Educação, antecedente à exoneração do ex-ministro Ricardo Vélez Rodríguez, Olavo também se posicionou contra decisões de exclusão da ala olavista pelo ministro, que ele mesmo havia indicado. Deputados do PSL, partido de Bolsonaro, além da ala evangélica de influência no governo também foram alvos nos últimos meses. 

Confira os alvos de Olavo de Carvalho no governo Bolsonaro

Militares

Olavo tem criticado os militares desde o domingo, 21, durante o fim de semana de publicação de seu vídeo. O primeiro post é referente ao período da ditadura militar. 

Após a resposta de Mourão sobre o ocorrido, o vice-presidente passou a ser o principal alvo de Olavo nas últimas horas. 

Olavo também refere-se ao pedido de impeachment protocolado pelo deputado federal Marco Feliciano. 
 

O escritor também afirma que exista uma "direita anti-Bolsonaro" se alinhando com Mourão, colocando o vice-presidente contra o presidente. 

E uma foto de Mourão, enquanto era maquiado, também foi utilizada para criticar o general. Olavo chegou a comentar na própria publicação que a única função que Mourão desempenha bem, sendo "modelo", é "(sic) fechando zoinho e boquinha". 

Em março deste ano, Olavo chamou o vice-presidente Hamilton Mourão de “um cara idiota”. “O presidente viaja e qual a primeira coisa que ele faz? Viaja a São Paulo para um encontro político com João Doria. Esse cara não tem ideia do que é vice-presidência. Durante a viagem, ele tem que ficar em Brasília”, afirmou Olavo. Ele disse que Mourão, desde a posse, mudou de lado e é “pró-aborto, pró-desarmamento e pró-Nicolás Maduro”. 

Segundo ele, o presidente estaria de "mãos atadas". “Ele não reage porque aquele bando de milico que o cerca é tudo um bando de cagão, que tem medo da mídia". Dias depois, Mourão, em jantar em São Paulo, mandou um recado ao escritor. Da próxima vez que disser algo ofensivo contra sua pessoa, “terá que se haver com a Justiça”.

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo, também foi alvo de Olavo. Em abril, o escritor afirmou que Santos Cruz nunca fez nada contra a "hegemonia comunopetista". "Nada. Nada, nunca. Ele ganhou seu emprego por meio de uma luta à qual não deu a menor contribuição. Esse homem não sabe de onde veio nem para onde vai", afirmou. Dias antes, Santos Cruz chamou o escritor de desequilibrado após as sucessivas críticas aos militares. 

No início de março, Olavo fez uma publicação pedindo que seus alunos abandonassem o governo e teceu novas críticas aos militares. "O presente governo está repleto de inimigos do presidente e inimigos do povo, e andar em companhia desses pústulas só é bom para quem seja como eles. Não quero ver meus alunos tendo suas vidas destruídas no esforço vão de ajudar militares acovardados cujo maior sonho é tucanizar o governo para agradar à mídia."

Ministério da Educação

Em março, após exonerações de funcionários do MEC considerados "olavistas" que envolveram-se em polêmicas, Olavo incentivou demais exonerações na pasta e criticou afastamento de seus alunos do ministério. Ele também chegou a negar que queria "derrubar" o ministro com suas indicações e reivindicações. 

Recentemente, o escritor teceu uma crítica dupla às decisões tomadas por Vélez e à influência dos militares no governo. 

Silas Malafaia

Também em março, Olavo e o pastor Silas Malafaia discutiram pelas redes sociais. O pastor teria se irritado com comentário de que Olavo teria sido "o maior responsável" pela vitória de Jair Bolsonaro nas eleições. Olavo rebateu que a Igreja Evangélica chegou a apoiar o petismo e demorou para se posicionar contra. 

O escritor, posteriormente, propôs a criação de um "medidor de bolsonarismo" que determinaria o maior apoiador do presidente da República. 

Deputados do PSL

Por fim, uma das primeiras confusões envolvendo Olavo de Carvalho e o governo Bolsonaro, em janeiro, diz respeito à uma viagem da comitiva do PSL à China, oferecida pelo governo chinês, considerado comunista. O motivo oficial da viagem, segundo os deputados, seria para que o Brasil conhecesse uma tecnologia de reconhecimento facial, que poderia ajudar em investigações. Em vídeo, Olavo questionou se os deputados são "idiotas" de "entregar" o Brasil à China. Na mesma gravação, negou o título de "guru" do governo atribuído a ele. "Eu sou guru dessa porcaria? Não sou guru de m.... nenhuma". 

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