REPRODUÇÃO
REPRODUÇÃO

Olavo de Carvalho critica ida de bancada do PSL à China: 'semianalfabetos'

Filósofo questionou a decisão de ir ao país asiático para conhecer um sistema de reconhecimento facial: 'Vocês estão entregando o Brasil para a China. Vocês são idiotas?'

Paulo Beraldo e Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2019 | 09h56
Atualizado 17 de janeiro de 2019 | 21h08

O filósofo Olavo de Carvalho, um dos pensadores próximos do governo Jair Bolsonaro e responsável pela indicação de dois ministros – o chanceler Ernesto Araújo e da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez –, criticou a ida de um grupo de parlamentares eleitos do PSL à China para conhecer um sistema de reconhecimento facial e eventualmente trazê-lo para o Brasil.

Depois da crítica, houve reação entre o grupo de deputados que participaram da viagem, feita a convite do Partido Comunista da China. A comitiva viajou na terça-feira passada.

Em vídeo publicado nas redes sociais e se dirigindo aos representantes do PSL, Olavo de Carvalho disse que “instalar esse sistema nos aeroportos é entregar ao governo chinês as informações sobre todo mundo que mora no Brasil”. “Vocês estão fazendo uma loucura. Vocês estão entregando o Brasil para a China. Vocês são idiotas?”, questionou ele.

O filósofo é bastante popular entre o eleitorado de direita que constitui o núcleo da popularidade bolsonarista e é frequentemente citado pelos filhos do presidente em comentários nas redes sociais.

O convite à comitiva do PSL foi feito pelo Partido Comunista em novembro, após a eleição do presidente Jair Bolsonaro. O objetivo, segundo o PC chinês, era manter uma relação “pragmática” com a sigla do presidente eleito. “Recebemos o convite e eu vou levar para a bancada discutir, mas é uma decisão do partido no fim das contas”, disse ao Estado o presidente do partido, deputado Luciano Bivar (PE), na ocasião. 

A embaixada da China no Brasil enviou uma carta com o convite para receber uma delegação. O texto dizia que as passagens aéreas, a alimentação e o alojamento seriam custeados pelos chineses.

No vídeo, Carvalho insinuou ainda que a gigante de tecnologia Huawei estaria por trás do convite aos deputados – recentemente, a empresa teve representantes presos na Polônia e no Canadá, este último a pedido dos Estados Unidos.

A bancada do PSL que viajou à China é composta pelos deputados federais eleitos Daniel Silveira (RJ), Carla Zambelli (SP), Tio Trutis (MS), Felício Laterça (RJ), Bibo Nunes (RJ), Marcelo Freitas (MG), Sargento Gurgel (RJ), Aline Sleutjes (PR) e Charlles Evangelista (MG). A senadora eleita Soraya Thronicke (PSL-MS) também integra a viagem, ao lado da deputada estadual Delegada Sheila (PSL-MG).

No vídeo, Carvalho afirmou ainda que o problema do Brasil é a “presunção dos semianalfabetos” e mostrou preocupação com a viagem, pedindo para que o grupo “acorde”. “O problema do Brasil é a ignorância, o analfabetismo funcional, a presunção dos semianalfabetos”, atacou o filósofo, que fez questão de ler os nomes dos parlamentares eleitos um a um. 

“Bando de caipira. Inclusive você, Carla Zambelli (deputada federal eleita pelo PSL em SP). Já te ajudei muito, se você não sair desse negócio, eu não te ajudo mais”, afirmou Olavo.

Zambelli, que tem origem no movimento Vem Pra Rua e se elegeu deputada por São Paulo no ano passado, respondeu em um vídeo publicado nas redes sociais. “Eu sou muito mais brasileira que muita gente aí. Aliás, eu moro no Brasil”, disse a deputada eleita – Olavo mora nos Estados Unidos desde 2005.

Zambelli diz que viagem não teve “ônus para os cofres públicos”

A deputada eleita disse que toda a viagem foi custeada pelos parlamentares e pela embaixada da China, “sem ônus para os cofres públicos”. Ela acrescentou que não foram conhecer ainda qualquer empresa de reconhecimento facial e que isso está programado para os próximos dias. “E não é só uma empresa”, disse. 

Na sequência, ela afirmou que a comitiva não tem poder para fechar contratos com empresários ou com o governo chinês. “Não viemos em nome do Executivo. Parlamentares não têm prerrogativa de fechar contrato algum, viemos conhecer e ver o que há de bom.”

No vídeo, Olavo também rejeitou o rótulo de “guru do governo Bolsonaro” e disse que, se ele de fato tivesse influência, esse tipo de atitude não ocorreria. “Eu sou guru dessa porcaria? Não sou guru de m... nenhuma. Se eu fosse, as pessoas não tinham nem coragem de apresentar essas ideias.”

Nas redes sociais, as falas de Olavo repercutiram entre apoiadores e críticos do governo Jair Bolsonaro. Veja abaixo alguns comentários. /COLABOROU CAMILA TURTELLI

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.