Reprodução/Facebook Olavo de Carvalho e Ueslei Marcelino/Reuters
Reprodução/Facebook Olavo de Carvalho e Ueslei Marcelino/Reuters

Treta conservadora: 'astrólogo' Olavo e 'bispo' Malafaia em guerra nas redes

Entenda o motivo de dois dos principais líderes do bolsonarismo trocarem ataques

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2019 | 13h05
Atualizado 25 de março de 2019 | 18h37

Dois dos principais líderes do bolsonarismo e com grande influência nas redes sociais entraram em conflito: o escritor Olavo de Carvalho e o pastor Silas Malafaia. Resumimos a confusão, dia a dia:

18 de março - Malafaia reage a citação de Eduardo Bolsonaro sobre Olavo

Tudo começou quando o evangélico criticou uma declaração do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) sobre Olavo ter sido o maior responsável pela vitória do pai nas eleições 2018. Para Silas, foram os evangélicos - e ele - os responsáveis pela eleição de Bolsonaro. 

"Perde a oportunidade de ficar de boca fechada. É simplesmente ridículo. Aprenda a respeitar aliados e deixe de bajular guru", escreveu Malafaia no dia 18.

22 de março - Olavo diz que evangélicos demoraram para atuar contra o petismo

Na sexta, 22, Olavo publicou uma mensagem no Facebook direcionada a Silas dizendo que as igrejas evangélicas demoraram para começar a atuar na luta contra o petismo

"Pelo menos até 2009 ainda se davam muito bem com o partido governante", escreveu Olavo, sobre os evangélicos. "Nesse ano Lula em pessoa oficializou em lei a Marcha Para Jesus. Será que o senhor já esqueceu?"

23 de março - Malafaia diz que ele teve 'influência quase zero' na eleição de Bolsonaro

Malafaia reagiu neste sábado com uma sequência de tweets atacando o escritor de forma contundente. Nesta altura, a discussão ganha um detalhe: Olavo chama o pastor de "bispo". Malafaia chama o escritor de "astrólogo". 

O pastor prometeu "desmentir" o escritor. Disse que votou em Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998, reconheceu apoio a Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 "pela crença de que ele poderia resgatar o Brasil da miséria", mas disse que não se posicionou a favor de petistas desde então. 

"Olavo estava em um rancho nos EUA, eu e Bolsonaro tomando pancada do ativismo gay", relatou Silas sobre os idos de 2006. "Ficar dando peruada escondido nos EUA, é mole! Aqui fui ameaçado, até hoje respondo processo por defender convicções que Bolsonaro também defende. O meu caso de acusação de homofobia está no STF."

Depois de dizer que "a influência de Olavo na eleição de Bolsonaro é quase zero", Malafaia cobrou o posicionamento do escritor acerca de algumas questões e voltou a fazer ataques: "Sua posição sobre Israel, inquisição, esoterismo . Como tem gente enganada no mundo evangélico com esse sujeito. Dizer que nós só chegamos agora para defender esses princípios ideológicos, é rasgar a história, nossas crenças e valores. Bolsonaro reconhece o papel fundamental dos evangélicos."

Também no sábado, mas antes dos comentários de Malafaia, Olavo criticou apoiadores de Bolsonaro. Ele sugeriu a discussão acerca de um "medidor de bolsonarismo" para identificar quem realmente está comprometido com o governo.

"O presidente disse que o grande objetivo da sua vida e do seu governo é eliminar e ideologia esquerdista. Quantos dos seus pretensos aliados têm a mesma prioridade, e quantos lutam por objetivos totalmente diferentes, nada concedendo à meta presidencial? Não está na hora de fazermos um MEDIDOR DE BOLSONARISMO para separar as ovelhas dos bodes?", escreveu Olavo.

24 de março - Olavo vê 'fúria' em Malafaia, que chama 'olavetes' de 'cambada de babacas'

Neste domingo, 24, Olavo respondeu ao que classificou como "súbito ataque de fúria" de Malafaia - o do sábado. E comentou o fato de ter sido chamado de "astrólogo".

"Acho que seu súbito ataque de fúria contra mim foi apenas coisa de maluco", disse Olavo. "Não podendo refutar uma obviedade arquiprovada (sobre o apoio evangélico aos governo petistas), ele decidiu me agredir, desprezando as palavras de Cristo em João 18:22: "Se minto, prova-o, mas, se digo a verdade, por que me bates?"

O escritor disse que o pastor ficou ressentido por não ter sido citado nos Estados Unidos (em referência às declarações de Eduardo Bolsonaro). "A autopiedade não apenas estupidifica, mas enlouquece."

"Malafaia não percebe o vexame em que incorre ao usar a palavra "astrólogo" como insulto, pois Philip Melanchton, que foi o verdadeiro líder intelectual da Reforma (enquanto Lutero era mais o agitador popular) era astrólogo de profissão e coração, e Calvino, que condenava a astrologia preditiva, aceitava a realidade da astrologia médica, portanto da influência dos astros sobre o corpo humano."

Malafaia usou o Twitter para atacar seguidores de Olavo - chamou-os de "olavetes".

"KKKKKKK", escreveu o pastor. "Os trolls dos olavetes estão um enxame aqui. Ora me atacando, ora atacando Julio Severo. Só rindo dessa cambada de babacas kkkkkkk defendam o guru astrólogo kkkkk não tem votos e voz nem para eleger síndico de prédio kkkkkk fiquem livres para me atacar, o choro é livre kk."

 

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