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Santos Cruz 'não sabe de onde veio nem para onde vai', diz Olavo de Carvalho

Para escritor, ministro do governo Bolsonaro tem 'invejinha pueril'

Vera Rosa e Naira Trindade, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2019 | 23h11

O escritor Olavo de Carvalho disse nesta quarta-feira, 3, que o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz, "não sabe de onde veio nem para onde vai". Em entrevista por escrito ao ‘Estado’, o intelectual também chamou o general de invejoso e disse que defendeu a nomeação do empresário Fábio Wajngarten para o lugar de Floriano Amorim no comando da Secretaria de Comunicação (Secom) porque "amadores ineptos" como Santos Cruz só têm "bloqueado" o contato do presidente Jair Bolsonaro com o povo.

Ao ser questionado pela reportagem sobre os motivos das sucessivas críticas ao general nas redes sociais, o escritor negou que haja uma "disputa de grupos" dentro do governo. "Elogiei o Santos Cruz e dois dias depois ele apareceu me xingando sem nenhum motivo razoável”, respondeu Olavo, em referência a uma entrevista à Folha, na qual o ministro o chamava de desequilibrado. “Pior: ele confessava nada saber nem desejar saber da minha obra, o que o caracteriza como um palpiteiro leviano não inspirado por quaisquer motivações filosóficas ou ideológicas, mas apenas pela invejinha pueril.”

Em mais um capítulo do confronto, o escritor disse que Santos Cruz, chamado por ele de "esse sujeito", não sabe nada da luta de três décadas que "abriu um rombo na hegemonia esquerdista" e permitiu a ascensão do governo Bolsonaro, "no qual ele agora exerce um cargo bem remunerado”. E continuou: “Diga-me: Que fez o Santos Cruz contra a hegemonia comunopetista? Nada. Nada, nunca. Ele ganhou seu emprego por meio de uma luta à qual não deu a menor contribuição. Esse homem não sabe de onde veio nem para onde vai", afirmou.

Na edição desta quarta-feira, 3, o ‘Estado’ mostrou que militares e o grupo de apoiadores de Olavo travam uma disputa pelo controle da Secom e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). O embate também ocorre no Ministério da Educação, onde o titular da pasta, Ricardo Vélez Rodríguez, está por um fio.

A uma pergunta sobre o motivo de defender a troca no comando da Secom, pasta subordinada a Santos Cruz, o escritor retomou a ofensiva contra o general. “Apoiei o Fabio Wajngarten, a quem nem conheço pessoalmente, por ser um grande profissional de mídia que pode reabrir o contato entre o presidente e o povo que o elegeu, contato que amadores ineptos como Santos Cruz, até agora, só têm bloqueado”, afirmou.

Guru de Bolsonaro, Olavo disse que o fato de o presidente “louvá-lo” num jantar em Washington, no mês passado, também deixou Santos Cruz “inconformado”. “Isso não é uma divergência ideológica nem uma disputa de grupos, pois o tal ‘grupo olavista’ só existe na imaginação da mídia, sendo constituído exclusivamente de pessoas às quais meu único conselho foi que saíssem do governo e voltassem aos estudos”, argumentou.

As novas críticas de Olavo foram uma reação a declarações do ministro, que, na semana passada, saiu em defesa do núcleo militar do governo, hostilizado pelo escritor no Twitter. Em entrevista ao jornalista Roberto D'Ávila, na GloboNews, Santos Cruz chegou a classificar o intelectual como “personalidade histérica” e disse que as mídias digitais precisam ser usadas com cautela porque, caso contrário, "qualquer um pega aquilo e se acha um William Shakespeare".

Ao ‘Estado’, o escritor reiterou que Santos Cruz cometeu uma  “idiotice” ao mostrar incômodo com os elogios de Bolsonaro a ele e, com essa atitude, ofendeu de maneira “brutal” o presidente. Para Olavo, Bolsonaro foi tratado como "um jovem desmiolado, incapaz de escolher seus amigos sem os conselhos do sapientíssimo Titio Santos Cruz”. Na sua avaliação, o “mais grave” é o fato de o general não ter lido e nem mostrado interesse em conhecer a sua obra.

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