Dida Sampaio / Estadão
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'Estão começando a colocar as mangas de fora', diz Bolsonaro sobre manifestações

Presidente cita os protestos como 'o grande problema do momento' e fala em 'arrumar as coisas devagar', a começar por sua primeira indicação ao STF

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2020 | 11h23
Atualizado 08 de junho de 2020 | 17h51

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro avaliou, nesta segunda-feira, 8, que as manifestações contrárias ao governo são "o grande problema do momento" para ele. "Estão começando a colocar as mangas de fora", disse o presidente a apoiadores, no Palácio da Alvorada. Os atos ocorreram no Distrito Federal e em ao menos 11 capitais. A adesão foi maior em São Paulo, onde também houve panelaços e buzinaços contra o presidente. 

Na manhã desta segunda-feira, em ato de vandalismo, um manifestante jogou uma lata de tinta vermelha em direção ao Palácio do Planalto, sujando parte da rampa que dá acesso à sede do governo federal.

Ao conversar com apoiadores mais cedo, Bolsonaro afirmou que sua intenção é  "arrumar as coisas devagar", a começar pela primeira indicação que fará ao Supremo Tribunal Federal (STF) em novembro deste ano.

"Como eu peguei esse país? Vocês têm razão no que pleiteiam e no que falam. Eu peguei um câncer em tudo o que é lugar. Um médico não pode de uma hora para outra resolver esse problema todo. O grande problema do momento é isso que vocês estão vendo aí um pouco na rua ontem, (eles) estão começando a colocar as mangas de fora", disse.  

Sem citar a quem se referia, Bolsonaro afirmou que existe "muito interesse" no País e, por isso, na visão do presidente, há uma "doutrinação em cima do Brasil, uma massificação, cada vez mais formando militantes". "Eu vou indicar o primeiro ministro do STF agora em novembro. O primeiro. A gente vai arrumando as coisas devagar aqui", declarou na sequência, em referência ao fato de que o decano da Corte, Celso de Mello, vai se aposentar em novembro deste ano.

Apesar das críticas ao movimento contrário ao governo, Bolsonaro afirmou que no domingo "não era o caso" dos seus apoiadores irem para as ruas na mesma data. Ele repetiu, como fez na semana passada, que não coordena os movimentos. 

Ainda assim, houve aglomerações a favor do presidente em São Paulo e Brasília. Se nas semanas anteriores, Bolsonaro sobrevoou os atos e os visitou a cavalo, ontem ele apenas cumprimentou um grupo de simpatizantes na porta do Palácio da Alvorada.

A exemplo do que publicou nas redes sociais, o presidente também voltou a tentar se eximir da responsabilidade pelas ações de combate ao coronavírus e apontar para governadores e prefeitos, embora o governo federal não esteja isento de tomar medidas. "O Supremo (Tribunal Federal) deu todo o poder para (os governadores) gerirem esse tipo de problema, eu apenas injetou bilhões nas mãos deles. E alguns ainda desviam. Alguns", disse Bolsonaro.

Diferentemente do que diz o presidente, a decisão do Supremo assegurou aos Estados e municípios autonomia para tomar medidas que tenham como objetivo tentar conter a propagação da doença, mas não exime a União de realizar ações e de buscar acordos com os gestores locais. 

No Twitter, a professora de Direito da FGV-SP, Eloísa Machado, rebateu o presidente. "STF disse que Municípios, Estados e União, TODOS, têm competência e dever de adotar medidas de proteção à saúde", afirmou ela. Na postagem, Machado frisa que a interpretação de Bolsonaro sobre a decisão do STF está "errada".

 

 

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