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Cloroquina e hidroxicloroquina: veja o que Bolsonaro já falou sobre os medicamentos

Diagnosticado com covid-19, presidente afirma que está tomando o remédio, que não tem eficácia comprovada e já provocou demissão de ministros da Saúde

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2020 | 10h29

Com a revelação de que contraiu o novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro também fez questão de dizer que está fazendo uso da hidroxicloroquina, medicamento sem eficácia comprovada contra a doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Após o anúncio, o presidente publicou um vídeo em rede social mostrando que estava tomando a terceira dose da hidroxicloroquina.

“Estou tomando a terceira dose da hidroxicloroquina. Estou me sentindo muito bem. Estava mais ou menos no domingo, mal na segunda-feira. Hoje, terça, estou muito melhor do que sábado. Com toda certeza, está dando certo”, disse. Nesta quarta-feira, 8, ele voltou a usar rede social para repetir que estava "muito bem" com o uso da cloroquina. "Aos que torcem contra a hidroxicloroquina, mas não apresentam alternativas, lamento informar que estou muito bem com seu uso e, com a graça de Deus, viverei ainda por muito tempo", escreveu, incluindo na postagem uma foto tomando café da manhã no Palácio da Alvorada.

A OMS excluiu a cloroquina, em maio, da lista de opções em análise para o tratamento da covid-19. Nos Estados Unidos, em junho, a agência de controle de drogas dos Estados Unidos, a FDA, revogou a autorização de uso emergencial de cloroquina (CQ) e hidroxicloroquina (HCQ) como tratamento para pacientes com covid-19. Leia aqui 10 perguntas de respostas sobre a medicação.

Ao longo dos últimos meses, o presidente deu várias declarações polêmicas sobre a pandemia da covid-19, muitas delas se relacionaram à hidroxicloroquina e à cloroquina.

Em maio, Jair Bolsonaro levou uma caixa de hidroxicloroquina para uma reunião do G20 por videoconferência. Já em abril, o presidente disse que indicaria o remédio até para sua mãe

“Se um irmão meu ligar, imediatamente, vai levar no médico e começar o tratamento (com cloroquina). Ela não pode esperar um dia a mais, caso contrário vem a óbito”, disse.

Em pronunciamento em rede nacional de rádio e TV feito em 08 de abril, Bolsonaro voltou a defender o uso da cloroquina, desta vez, desde a fase inicial da doença.

“Após ouvir médicos, pesquisadores e chefes de Estado de outros países, passei a divulgar, nos últimos 40 dias, a possibilidade de tratamento da doença desde sua fase inicial”, afirmou o presidente na época.

No pronunciamento anterior, em 31 de março, o presidente admitiu que não existe vacina ou remédio com eficácia comprovada contra o novo coronavírus. “O vírus é uma realidade, ainda não existe vacina contra ele ou remédio com a eficiência cientificamente comprovada. Apesar da hidroxicloroquina parecer bastante eficaz. O coronavírus veio e, um dia, irá embora”, afirmou na época.

Também em abril, Bolsonaro usou as redes sociais para defender a hidroxicloroquina. De acordo com ele na época, “cada vez mais o uso da cloroquina se apresenta como algo eficaz”.

“Há 40 dias venho falando do uso da Hidroxicloroquina no tratamento do COVID-19. Sempre busquei tratar da vida das pessoas em 1° lugar, mas também se preocupando em preservar empregos. Fiz, ao longo desse tempo, contato com dezenas médicos e chefes de estados de outros países”, disse em 8 de abril.

Uma das frases mais polêmicas do presidente durante a crise do coronavírus também se relacionou ao uso da cloroquina. Em entrevista ao jornalista Magno Martins, em maio, o presidente brincou com o tema: "Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda, Tubaína". 

Apesar de incentivar o uso do fármaco de forma irrestrita, Bolsonaro também disse que o medicamento pode se mostrar ineficaz no futuro para o tratamento da covid-19, mas prefere arriscar até que haja resultados conclusivos. No dia seguinte, o presidente usou uma rede social mais uma vez para falar sobre a cloroquina.

"Ainda não existe comprovação científica, mas sendo monitorada e usada no Brasil e no mundo. Contudo, estamos em Guerra: 'Pior do que ser derrotado é a vergonha de não ter lutado'.Deus abençoe o nosso Brasil!", escreveu Jair Bolsonaro ao comentar o novo protocolo divulgado pelo Ministério da Saúde para a prescrição do remédio.

No dia 23 de maio, o presidente voltou a defender o uso do medicamento. Quando questionado sobre o tema, o presidente afirmou que tem ouvido testemunho de muitas pessoas que o procuram para relatar o sucesso do medicamento no combate à covid-19 e que foram curadas.

"Até porque não tem outro remédio. É o que tem. Ou você toma cloroquina ou não tem nada. O que eu fico chateado também é que quem não quer tomar, não toma", afirmou Jair Bolsonaro.

Em junho, uma pesquisa feita pelo Instituto Ipsos, revelou que 18% dos brasileiros foram seduzidos pela tese da “cura” por cloroquina. De acordo com a pesquisa, esse porcentual qualificou como verdadeira a frase “Existe uma cura para covid-19 e ela se chama hidroxicloroquina”, enquanto 57% a consideraram falsa.

Baixas na Saúde

Divergências sobre o uso do medicamento e sobre a eficácia do isolamento social são apontadas como causas das demissões de Luiz Henrique Mandetta e de Nelson Teich do Ministério da Saúde. 

Diante da recusa dos dois ministros, coube ao interino na pasta, general Eduardo Pazuelloliberar a cloroquina para todos os pacientes de covid-19. Em documento divulgado em 20 de maio com o novo protocolo, o ministério recomenda a prescrição do medicamento desde os primeiros sinais da doença causada pelo coronavírus.

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