Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Pré-candidatos criticam acordo de Geraldo Alckmin com o Centrão

Aliança que dá o maior tempo de TV ao tucano foi reprovada pela maior parte dos presidenciáveis

Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

21 Julho 2018 | 18h18

SÃO PAULO - Um dia após o acordo entre o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) e o Centrão, bloco composto por DEM, PP, PR, PRB e SD, pré-candidatos condenaram a aliança que dá ao tucano o maior tempo de TV nas eleições 2018. Juntos, as siglas do Centrão somam 164 deputados e agregam quase cinco minutos por dia no horário eleitoral - que começa em 31 de agosto. 

O senador Alvaro Dias, presidenciável pelo Podemos e cogitado como vice na chapa de Geraldo Alckmin em diversas ocasiões ao longo da pré-campanha, afirmou que não estava arrependido da decisão, conforme disseram lideranças partidárias ao site BR18.

Ao Estado, Dias afirmou no sábado que o presidencialismo de coalizão fracassou no Brasil e vive uma crise sem precedentes. "Não creio que a solução seja esse amontoado de siglas em nome de tempo de TV que, muitas vezes, é para dar explicações das próprias incoerências mais do que apresentar propostas que dizem respeito ao interesse nacional", afirmou. "Essa coalizão de siglas é a fotografia do sistema fracassado que devemos substituir, um monstro que tem de ser combatido", disse. 

Em evento com militares no Rio, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) foi irônico ao falar sobre o acordo. "Quero parabenizar o Alckmin. Ele reuniu a nata de tudo que não presta no Brasil ao lado dele", afirmou. 

Guilherme Boulos, oficializado pelo PSOL na tarde de sábado como candidato do partido à Presidência, afirmou que o Centrão é a soma de partidos "sem nenhum projeto político". "É a turma do toma-lá-dá-cá, que negocia aprovação de projeto no Parlamento por cargos em governo. Não achamos razoável que quem tenha um programa de transformação do Brasil busque fazer alianças com essa turma", disse Boulos na oficialização de sua candidatura. 

"Em relação ao Geraldo Alckmin, sou forçado a dizer que eles se merecem. É o encontro da Bolsa de Valores com a corrupção no Congresso Nacional", criticou.

Sem falar diretamente sobre o acordo selado, Marina Silva (Rede) publicou um vídeo na quinta-feira em suas redes sociais dizendo que sua campanha não faria alianças "oportunistas" nem "eleitoreiras". "Nosso compromisso é com os 200 milhões de brasileiros", afirmou. 

Pré-candidato do Novo, o empresário João Amoêdo publicou um vídeo no Instagram afirmando que não há nenhuma novidade no acordo entre o tucano e o Centrão. "Temer, Alckmin, é tudo igual, é a velha política. Em troca de alguns minutos do horário eleitoral, Alckmin se alia a ex-presidiários como o Valdemar da Costa Neto e o Roberto Jefferson (ambos condenados no mensalão)", afirma. 

Em seguida, Amoêdo disse que a aliança favorece quem busca "mordomias" como jatinhos, assessores e negociatas. Por fim, pede que a população desligue a televisão durante o eleitoral e faça a renovação nas urnas. 

O PDT de Ciro Gomes esteve bem próximo de consolidar o acordo com o Centrão mas, quando o grupo "mudou de lado", adotou outro discurso. O presidente da sigla, Carlos Lupi, ao ser questionado se não tiraram o doce da boca da criança, respondeu que "o doce poderia estar estragado”. Agora, Ciro mantém as negociações com PSB e PCdoB e tenta buscar aliados na esquerda

Entenda o acordo

As negociações entre o Centrão e os pré-candidatos duraram semanas e estiveram muito próximas de um desfecho diferente. Em um momento, o contexto levava a crer que os partidos apoiariam Ciro Gomes. Segundo apurou o Estadodeclarações de Ciro como o xingamento contra uma promotora e a injúria racial contra o vereador paulistano Fernando Holiday, do DEM, teriam pesado contra o pedetista. O discurso econômico, diferente do que defende boa parte dos liberais do Centrão, também teria sido desfavorável ao pré-candidato. 

Lançamento de chapa de Doria vira ato de apoio do Centrão a Alckmin

O bloco dos cinco partidos ofereceu Josué Gomes (PR), filho do ex-vice-presidente José de Alencar, como vice na chapa de Geraldo Alckmin, além de ter exigido a recondução de Rodrigo Maia, do DEM, à presidência da Câmara dos Deputados, caso o deputado e Alckmin sejam eleitos. O acordo deve ser anunciado oficialmente apenas na quinta-feira, 26. 

Relembre o histórico das negociações

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