Evaristo Sa/AFP
Evaristo Sa/AFP

Ciro faz aceno à esquerda após negociação frustrada com o Centrão

‘Não sou o dono da verdade, cometo erros’ afirma presidenciável do PDT; Lupi minimiza perda da aliança

Renan Truffi e Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2018 | 22h25

BRASÍLIA - O pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, “reconheceu” nesta quinta-feira, 19, na véspera da convenção para oficializar sua candidatura, que “comete alguns erros”, e voltou a fazer um aceno aos partidos de esquerda nas  eleições 2018. A afirmação foi feita antes de o Centrão fechar acordo com o tucano Geraldo Alckmin, mas quando já havia sinalização de que o grupo estava se distanciando de Ciro.

“Preciso sinalizar a todos os brasileiros de boa-fé que não sou o dono da verdade, eu cometo erros. Não me custa nada reconhecer isso, mas nenhum deles foi por deserção”, disse. “Quem quiser, quem puder me ajudar, será muito bem-vindo, mas saibam daquela porta para fora que este governo que eu liderar servirá aos mais pobres e trabalhadores”, complementou.

Até o início da semana, Ciro tinha a preferência de pelo menos dois presidentes dos partidos do bloco formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade. Porém, recentes declarações polêmicas de Ciro, principalmente na área econômica, provocaram desgaste e receio nos partidos, como um xingamento a uma promotora de Justiça, na ação movida por injúria racial em declaração crítica ao vereador paulistano Fernando Holiday, do DEM. Além disso, há resistência a propostas econômicas do pedetista.

'Esse doce poderia estar estragado', afirma presidente do PDT

Logo depois, já com o apoio definido do Centrão a Alckmin, o presidente do PDT, Carlos Lupi, minimizou a “perda” da aliança. “Qual o prejuízo de se ter aquilo que não se tinha? Se eu não tinha, que prejuízo tive?”. Ao ser questionado se não tiraram o doce da boca da criança, ele respondeu: “Esse doce poderia estar estragado”.

As declarações de Ciro foram dadas na sede do PDT, em Brasília, depois que ele recebeu documento assinado por diversas centrais sindicais, com propostas para seu programa de governo. Depois, o presidenciável se reuniu com um grupo do PDT Mulher.

Em seu discurso, o pedetista defendeu que a paz no País só será restaurada com a “liberdade” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato. Como mantém negociações avançadas com PSB e PCdoB, Ciro aproveitou para fazer uma aceno à esquerda, ao condenar o que chamou de “aberração” por parte do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) ao julgar um pedido de habeas corpus de Lula. 

“Aquele domingo (último dia 8) foi uma das coisas mais assustadoras que assisti. Como pode num domingo só tanta aberração lidando com coisas graves como a liberdade do maior líder popular do País”, complementou.

Carta à Boeing

Ciro ainda fez menção à carta que enviou às empresas Embraer e Boeing solicitando “a suspensão das tratativas de compra da empresa brasileira pela americana”. O documento teria sido um dos fatores que assustaram os líderes e dirigentes do centrão, o que resultou no recuo da formalização da aliança.

"Aceitei o desafio com essa experiência toda já, governador, prefeito, ministro...eu tenho muito experiência para saber o que me espera. Quando eu escrevo uma carta suplicando respeito ao Brasil, não duvidem: a violência e a prepotência do capitalismo estrangeiro está aqui dentro”, disse, arrancando palmas de uma plateia formada por sindicalistas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.