Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Oficializado candidato pelo PSOL, Boulos critica Judiciário

'Estamos vendo um Judiciário que toma um lado', afirma líder do MTST em evento em São Paulo neste sábado, 21; vice é líder indígena Sônia Guajajara

Paula Reverbel, O Estado de S.Paulo

21 Julho 2018 | 17h55

PSOL oficializou a candidatura do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)Guilherme Boulos, à Presidência da República na tarde deste sábado, 21, no Hotel Excelsior, no centro de São Paulo. A candidatura formou coligação com o Partido Comunista Brasileiro (PCB). O discurso de Boulos foi marcado por críticas ao Judiciário.

“O que estamos vendo, como parte dos golpes contra a democracia neste País, é um Judiciário que toma lado, um Judiciário que quer decidir no tapetão o jogo do processo eleitoral”, declarou, reiterando que é favorável ao direito do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, se candidatar.

O ato contou com discursos da vice da chapa, a líder indígena Sônia Guajajara, e com homenagem à vereadora Marielle Franco, morta este ano no Rio de Janeiro.

No discurso, Boulos disse estar preocupado com “o papel que os militares têm tomado na política brasileira”. “Desde o golpe, isso se aprofundou”, afirmou o candidato, se referindo ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

"Nas últimas semanas, aconteceu inclusive o absurdo do comandante do Exército chamar candidatos à Presidência da República, para sabatinar eles e ouvir o que pensam. Se ainda tem alguma coisa parecida com democracia neste País, a força militar tem o seu papel na soberania nacional mas está subordinada à autoridade eleita pelo povo brasileiro", argumentou.

Estavam presentes os deputados federais Ivan Valente (RJ), Luiza Erundina (SP), Chico Alencar (RJ) e Glauber Braga (RJ), o deputado estadual Marcelo Freixo (RJ), o pré-candidato ao Governo do Rio, Tarcísio Motta, o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, além de militantes do MTST. Edmilson Costa, secretário-geral do PCB, também participou da convenção. 

O partido fez sua convenção na sexta para formalizar apoio à chapa Boulos-Sônia. Na hora em que fez o seu discurso, Luiza Erundina foi ovacionada de pé pela militância. “Essa chapa já nasceu completa”, declarou a deputada, criticando os partidos que recorrem “aos aliados de sempre para conseguir tempo de TV e estão sem (candidato a) vice até hoje”.

Coube à vereadora de Niterói Talíria Petrone fazer uma homenagem a Marielle Franco. “Queremos Justiça e não vingança, porque Marielle odiaria que falassem em vingança em seu nome”, disse.

Boulos promete revogar atos de Temer

Na convenção, Boulos disse que, se eleito, seu primeiro compromisso será anular atos do governo do presidente Michel Temer. Entre as medidas a serem revogadas, ele citou a reforma trabalhista, o regime fiscal que estabeleceu um teto aos gastos públicos e as concessões de áreas de exploração de petróleo a grupos estrangeiros. São medidas que, segundo ele, fazem parte de uma agenda não escolhida pelo povo e que foi implementada pelo o que chamou de "quadrilha" comandada por Temer.

A aliança do pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, com partidos do chamado "Centrão" foi alvo de ataques dos deputados Chico Alencar e Ivan Valente. O primeiro acusou os tucanos de fazerem aliança com quem chamavam antes de "bandidos".

Já Valente atacou o que chamou de "obsceno contorcionismo político" feito por Alckmin e disse que o partido do ex-governador ajudou a viabilizar a "agenda mais retrógrada de todos os tempos", referindo-se às medidas do governo Temer que tiveram apoio tucano no Congresso, como a reforma trabalhista.

Ao abordar o tema sem mencionar o nome de Alckmin, Boulos disse que o Centrão é a "turma do (ex-deputado) Eduardo Cunha", ex-presidente da Câmara; "É a turma do 'toma lá, dá cá', do balcão de negócios [...] Não vamos negociar nenhum dos nossos princípios". / COLABOROU EDUARDO LAGUNA

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