GABRIELA BILO / ESTADAO
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Xingamento de Ciro contra promotora é 'completamente inapropriado', diz MP-SP

Pré-candidato do PDT nas eleições 2018 ofendeu promotora que pediu abertura de inquérito por injúria racial contra ele

Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2018 | 15h26

O  Ministério Público de SP divulgou nota nesta quarta-feira, 17,  na qual criticou o ex-ministro  Ciro Gomes, pré-candidato do PDT à Presidência nas eleições 2018, após ele ter ofendido uma promotora que determinou a abertura de um inquérito para apurar suposto crime de injúria racial do pedetista contra o vereador paulistano Fernando Holiday. Segundo o MP, "os termos" usados por Ciro, que se referiu à promotora como "filha da p...", são "completamente inapropriados". 

"Sendo assim, cabe ressaltar que os termos com os quais o investigado referiu-se à promotora são completamente inapropriados. Compete ao conjunto dos promotores de Justiça, nos termos do artigo 127 da Carta Magna, defender a ordem jurídica e o regime democrático. E esse trabalho continuará sendo feito com a mais absoluta serenidade, levando-se em conta rigorosos parâmetros de profissionalismo, técnica e impessoalidade", diz a nota.

Durante evento da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), na capital paulista, na noite de terça, Ciro criticou a abertura do inquérito. "Um promotor aqui de São Paulo agora resolveu me processar por injúria racial. E pronto, um filho da p... desse faz isso", afirmou. Na verdade, a responsável pelo caso é uma promotora. 

Hoje, o pedetista falou sobre a declaração. "Num ambiente democrático ele pode defender o que quiser e eu posso criticá-lo. Eles me chamam de coronel todo dia por quê? Porque sou nordestino. E eu vou judicializar isso? Deixe que eu cuido da política e o MP, por favor, vá cuidar das facções criminosas aqui em São Paulo, e não dessas baboseiras da política. Quer aparecer, por favor, bote uma melancia no pescoço", frisou.

Injúria racial

O presidenciável também negou que tenha praticado crime de injúria racial ao chamar Holiday de "capitãozinho do mato" em junho.  O ex-governador do Ceará diz ter feito a alusão "defendendo os negros". "Capitão do mato é a pessoa que se presta ao serviço de perseguir os negros. Este jovem entrou na política dizendo que ia acabar com as cotas, com o dia da consciência negra. Todas as entidades que defendem a questão dos negros chamam ele de capitão do mato", criticou.

Segundo o MP, o pedido foi formulado no dia 12. A Secretaria de Segurança Pública informou, no entanto, que a solicitação ainda não chegou ao Decap e o inquérito não foi aberto. 

Ao Estado, Holiday afirmou na terça-feira, 17, que espera ir até o fim na Justiça sobre o caso, não só por meio da representação do MP, mas também por meio de ação cível, cuja primeira audiência deve ocorrer em agosto. “Espero que ele seja punido em ambas as instâncias”, disse. / COLABOROU LUIZ RAATZ

 

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