Pedro Venceslau / Estadão
Pedro Venceslau / Estadão

Lançamento de chapa de Doria vira ato de apoio do Centrão a Alckmin

Dirigentes do bloco comparecem a evento e exaltam pré-candidatura tucana nas eleições de 2018; possível vice é elogiado

Marcelo Osakabe e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2018 | 15h21

 Dirigentes do Centrão, bloco de partidos que negocia em conjunto o apoio na eleição presidencial, transformaram o evento de oficialização do deputado Rodrigo Garcia (DEM) como vice do ex-prefeito paulistano João Doria (PSDB), na disputa ao governo de São Paulo, num ato de apoio ao pré-candidato tucano à Presidência da República nas eleições de 2018, Geraldo Alckmin.

Estiveram presentes o presidente nacional do DEM, o prefeito de Salvador, ACM Neto, e o deputado e ex-ministro Mendonça Filho (DEM-PE); o presidente do PRB, Marcos Pereira, o ministro das Comunicações Gilberto Kassab, presidente do PSD, e o deputado federal Guilherme Mussi, dirigente do PP em SP, além de outras lideranças do Centrão.

"Estivemos ao lado do PSDB desde o governo FHC para obter conquistas que perduram até hoje. Hoje estamos mais uma vez ao lado do PSDB, não apenas para desenhar o futuro de São Paulo, mas quem sabe o futuro do nosso Brasil", disse ACM Neto, que sentou ao lado do governador, o que não era esperado inicialmente. "Na próxima semana vamos anunciar o caminho do Centrão. Temos tido conversas produtivas e promissoras com Alckmin. O que sei é que o Estado de São Paulo vai liderar a construção do futuro ao lado de todos nós", emendou.

Ex-ministro da Educação do governo Temer, Mendonça Filho (PE) chamou Alckmin de "futuro presidente". "Tenho convicção de que esse grupo trilhará a direção que não será de abandono do Brasil, e tenho a certeza que a melhor pessoa para isso é o nosso futuro presidente, Geraldo Alckmin", afirmou.

"Se depender de nós estaremos ao lado de Alckmin. Sei que as conversas estão muito avançadas e que ACM Neto, em nome de todos, vem conduzindo bem essa aliança", disse Garcia.

Representando o PP, o deputado Guilherme Mussi, disse que a bancada tem feito um "trabalho incansável para apoiar o governador", mas que a decisão está com o presidente da sigla, Ciro Nogueira.

"Estamos muito próximos de consolidar o apoio ao Alckmin. Mas os dirigentes não podem decidir sem antes validar com a base", disse ACM. Acredito que estamos no último passo dessa longa caminhada.

Este é o primeiro evento público de lideranças do Centrão desde que foi fechado o acordo, na tarde de ontem. Questionado sobre se o acordo está bem encaminhado em seu partido, o PRB, Pereira sinalizou que sim. "A preferência do PRB pela candidatura da presidência da República, não é de hoje, é de Alckmin. Todavia, nós decidimos desde março participar do bloco e decidimos. Penso que hoje estamos mais próximos do que ontem desse apoio a Alckmin."

Vice

O nome do empresário Josué Gomes (PR) foi exaltado durante o evento. Cotado para ser vice na chapa do tucano, Josué disse, em nota, que a aliança deve ser "programática".

Questionado sobre a possibilidade de Josué Gomes ser indicado como vice na sua chapa pelo Centrão, Alckmin disse que é admirador desde o primeiro tempo do empresário, que é filho do ex-vice de Lula José Alencar. "Primeiro preciso da definição dos cinco partidos sobre o nome, mas a minha opinião pessoal é a melhor possível."

Presidente do PSD, Kassab elogiou Josué.  "É um excelente nome" , afirmou o ministro.

A decisão do Centrão - grupo de partidos que reúne também o DEM, o PP, o Solidariedade e o PRB - de apoiar o PSDB foi comemorada entre os tucanos. A estratégia de Alckmin sempre passou por atrair o maior número de partidos para sua aliança e, sim, garantir tempo extra na propaganda eleitoral na TV e no rádio.

 

O acordo

O Centrão decidiu ontem fechar apoio a Alckmin em detrimento do ex-ministro Ciro Gomes, do PDT após semanas de indecisão. A entrada no PR no bloco, influenciou na decisão de fechar o apoio ao PSDB, uma vez que Costa Neto defendia uma aproximação com Alckmin. A pressão feita pelo Planalto para que o grupo não se unisse a Ciro também foi decisiva. 

O governo ameaçou tirar cargos de quem se unisse a Ciro, principalmente do PP, que comanda os Ministérios da Saúde, Cidades e Agricultura - com orçamentos que, juntos, somam R$ 153,5 bilhões -, além de ter o comando da Caixa. 

Disputa estadual

O ato político foi o primeiro evento de campanha de Doria que contou com a participação de Alckmin. Questionado sobre a possibilidade de subir em dois palanques na disputa estadual, o ex-governador descartou a possibilidade de fazer campanha ao lado do governador Marcio França (PSB), que disputa a reeleição. "Meu candidato no Estado é João Doria", resumiu Alckmin.

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