‘Patrocínio’, bitcoins, vítimas… O que a PF ainda quer saber sobre os hackers

‘Patrocínio’, bitcoins, vítimas… O que a PF ainda quer saber sobre os hackers

Saiba quais são as diligências pendentes, e as dúvidas ainda não esclarecidas pela Polícia Federal sobre suspeitos de hackear mil pessoas, entre elas, autoridades dos três Poderes

Luiz Vassallo

29 de julho de 2019 | 05h16

Walter Delgatti Neto, o ‘Vermelho’, chega para prestar depoimento na Superintendência da PF em Brasília. FOTO: DANIEL MARENCO/AG. O GLOBO

Suspeitos de hackear autoridades dos três poderes estão presos provisoriamente, eles prestaram depoimentos, seus celulares foram apreendidos, assim como quantias em dinheiro vivo.

Segundo a Polícia Federal, mil vítimas foram alvos de ataques hacker investigados na Operação Spoofing, entre elas, autoridades dos três poderes.

As suspeitas dos investigadores, no entanto, ainda não foram todas sanadas. Nem o destino das mensagens roubadas está definido.

Com base nos documentos até então divulgados, o Estado mostra o que a PF ainda quer saber sobre os ataques hacker contra autoridades.

Quem são as vítimas?

Sergio Moro e Jair Bolsonaro. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Entre as vítimas de ataques no período investigado pela Operação Spoofing, estão o presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Justiça Sérgio Moro, o presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio de Noronha, o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, além de procuradores, magistrados, políticos, jornalistas, que integram a lista de aproximadamente mil vítimas.

A análise da Polícia Federal sobre os celulares dos quatro presos, Walter Delgatti Neto, o ‘Vermelho’, Danilo Cristiano Marques, Gustavo Henrique Elias Santos e Suelen Priscila de Oliveira ainda está pendente.

Dois computadores e dois celulares foram apreendidos na casa de Walter. De acordo com a Polícia Federal, em representação datada de quinta, 26, os aparelhos telefônicos ainda estavam pendentes de análise, que serviria para descobrir se ele de fato foi autor das invasões.

‘Vermelho’ confessou o crime em depoimento à PF revelado pela GloboNews. Também alegou ser ele a fonte do site The Intercept, que não foi remunerado, e que o intermédio foi feito pela ex-deputada Manuela D’ Ávila. Ela admite ter repassado seu contato ao editor Glenn Greenwald.

Já Danilo Cristiano Marques diz que emprestou seu nome para ‘Vermelho’, que alugou o imóvel onde foi identificado o IP usado por ele para invadir o celular do ministro Sérgio Moro. Com ele, foram apreendidos 60 chips lacrados, que serão objeto de análise.

Quem patrocinou?

Foto: PF

Diante de transações financeiras que vão muito além dos rendimentos dos alvos da Operação Spoofing, os investigadores também querem saber se existe um ‘patrocinador’ dos ataques hacker.

Com Gustavo Henrique Elias Santos, o DJ de Araraquara, foram encontrados R$ 99 mil. Ele compartilha a residência com Suelen. Além disso, suas contas movimentaram R$ 424 mil entre abril e junho de 2018, Já a conta de Suelen movimentou R$ 200 mil entre março e o fim de maio deste ano.

Sua defesa diz que o dinheiro é fruto de investimentos. Para investigadores, não há comprovação de que a origem seja lícita.

Além de um suposto ‘patrocínio’ aos ataques hacker, a Polícia Federal trabalha com a possibilidade de o dinheiro ser fruto de fraudes bancárias, já que parte dos investigados é alvo de ações por estelionato, e um deles já foi preso com cartões e cheques falsos.

Diligências

Foto: Reuters

Nesta sexta, 27, o juiz da 10ª Vara Federal, Vallisney de Oliveira, determinou a prorrogação das prisões temporárias dos quatro alvos da Spoofing, por mais cinco dias.

Segundo o magistrado, ‘soltos os investigados poderão agir e combinar e praticar condutas, isoladamente e em conjunto, visando apagar provas em outros endereços, mudar senhas de contas virtuais, fazer contatos com outras pessoas eventualmente envolvidas, retirar valores de contas desconhecidas ou de algum modo prejudicar o inquérito policial’.

Na decisão, Vallisney autoriza outras diligências. Uma delas é o bloqueio de criptomoedas dos investigados. As operadoras serão oficiadas sobre a cautelar.

O magistrado também marcou para terça-feira, 30, às 10h novos depoimentos dos quatro alvos da investigação, para audiência de custódia. A audiência será fechada. 

 

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