Ex-corregedor-geral da Fazenda denunciado pelo bunker dos US$ 180 mil

Ex-corregedor-geral da Fazenda denunciado pelo bunker dos US$ 180 mil

Promotores acusam Marcus Vinícius Vannucchi e sua mulher, Olinda pelo crime de lavagem de dinheiro, e também pedem a decretação da prisão preventiva do agente fiscal de rendas

Fausto Macedo e Luiz Vassallo

13 de junho de 2019 | 17h26

Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos (Gedec) denunciaram o ex-corregedor-geral da Secretaria Estadual da Fazenda de São Paulo, Marcus Vinícius Vannucchi, e sua mulher, Olinda Alves do Amaral Vannucchi, pelo crime de lavagem de dinheiro envolvendo o bunker dos US$ 180 mil. Também pediram à Justiça que converta sua prisão temporária – por cinco dias prorrogáveis – em preventiva.

A denúncia é assinada pelos promotores Fernanda de Mello, Marcelo Mendroni, Roberto Bodini, Luis Claudio de Carvalho Valente, Rodrigo da Silveira e Felipe Bertolli.

Documento

Vannucchi está preso na Operação Pecúnia non Olet, deflagrada no dia 6, pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos (Gedec) do Ministério Público Estadual, e da Polícia Civil. Inicialmente, os investigadores acharam R$ 19 mil na casa de sua ex-mulher, Olinda, e R$ 2 mil em um imóvel do ex-corregedor.

Os dólares e euros foram encontrados em uma segunda busca na residência, na sexta, 7, após uma denúncia anônima revelar a existência do cômodo secreto à Polícia Civil e ao Ministério Público. Foram encontrados US$ 180 mil e 1,3 mil euros dentro de um móvel encontrado no bunker. Naquele dia, Olinda foi presa em flagrante, e a Justiça decretou sua prisão preventiva.

Em depoimento, Vannucchi afirmou que se tratava de uma ‘sala do pânico’ e disse que, na data de sua prisão, não citou sua existência por sofrer de uma síncope.

Os promotores afirmam que ‘os altos numerários foram localizados dentro de residência em nome de Olinda Alves do Amaral Vannucchi, “ex”-esposa de Marcus Vinicius Vannucchi. “Inimaginável que a própria dona da casa desconhecesse a existência e a finalidade de um cômodo dentro de sua própria casa, e/ou a existência de expressivo valor em moeda estrangeira; de modo que resta afastada a hipótese de que ela desconhecida a ocultação desses valores ilícitos”.

“Desse modo, sobram evidências de que todo aparato tecnológico que se destinou à finalidade espúria de esconder tais valores foi “arquitetado” por Marcus Vinicius Vannucchi, que necessitava de um cômodo destinado a ocultar os valores ilicitamente por ele obtidos, instalandoo na residência que ficou em nome da sua “ex”-esposa (que, em verdade, nunca foi “ex) é sua esposa de fato)”, afirmam.

Os promotores ainda afirmam que ‘dentro do tal “Quarto do Pânico” foram localizados documentos de natureza diversa pertencentes ao próprio ex-Corregedor Geral da CORFISP’. “Da mesma forma, em meio a esses documentos em nome dele, também constam diversos documentos em nome de Olinda Alves do Amaral Vannucchi, que é formalmente a proprietária do imóvel em que foi descoberto o Bunker”.

“Muito embora ela tenha alegado, na ocasião, que desconhecia a existência do dinheiro no cômodo que o ocultava, reitera-se que não é razoável aduzir que a própria proprietária da casa desconhecesse aquele expressivo valor oculto em ambiente igualmente dissimulado, acessível através de aparelhos tecnológicos instalados, destinados a darem respaldo à ocultação de bens, valores e documentos”, sustentam.

Segundo os promotores ‘há indícios de aquele cômodo oculto seja original desde o projeto inicial da casa, o que demonstra que tenha sido planejado, em conjunto, pelo casal’.

O ex-corregedor-geral é acusado de cobrar propina do Magazine Luíza e de fiscais investigados pela Corregedoria. Em depoimento, disse que nunca fiscalizou a rede de varejo.

Sua defesa afirmou à Justiça que ele já havia autorizado a quebra de sigilo há dois anos, à Promotoria de Patrimônio Público de São Paulo, responsável por investigações na área cível.

Investigação

A Promotoria descobriu que, por meio de seus familiares, o ex-corregedor ocultava um patrimônio milionário, menos 65 imóveis adquiridos com dinheiro ‘sem origem lícita’.

A Promotoria sustenta que o agente fiscal de Rendas separou-se da mulher, Olinda Alves do Amaral Vannucchi, com objetivo de dissimular bens, transferidos para o nome dela.

Segundo apurou o Estado, somente uma das empresas da ex-mulher comprou uma dezena de imóveis, por R$ 6,5 milhões, em um mês, no ano de 2016.

As investigações revelam que o casal retificou declarações de Imposto de Renda 41 vezes em sete anos. Se somadas a evoluções patrimoniais de Olinda e da mãe de Vannucchi, Hercília Chioda, que é professora, em um período de 7 anos, elas ganharam juntas R$ 12,5 milhões.

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