Vídeo mostra mulher que se recusou a despachar bagagem, não prisão de esposa de Omar Aziz
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Vídeo mostra mulher que se recusou a despachar bagagem, não prisão de esposa de Omar Aziz

Mulher de presidente da CPI da Covid foi presa temporariamente em 2019, mas gravação que circula nas redes sociais não tem relação com esse fato

Pedro Prata

11 de maio de 2021 | 10h00

É falso que um vídeo que mostra uma mulher sendo retirada de um avião por policiais mostre a prisão da esposa do senador Omar Aziz (PSD-AM). Trata-se de uma mulher que teria se recusado a despachar a bagagem de mão e desrespeitado a tripulação em Goiânia, em 2018. A gravação foi tirada de contexto nas redes sociais em meio à realização da CPI da Covid, que apura as irregularidades do governo federal no comando do combate à pandemia. A mulher do presidente da comissão, Njemi Aziz, foi presa temporariamente em 2019, mas o vídeo não tem relação com ela.

“Esse é o momento em que a esposa de Omar Aziz é presa”, dizem mensagens que acompanham o vídeo no avião. “Momento da prisão da ladra. Vamos espalhar esse vídeo da esposa do Omar Aziz. Ele é o presidente da CPI que vai investigar a atuação do Bolsonaro e governadores na pandemia… Colocaram bandidos na frente da cpi”. Leitores solicitaram a checagem deste conteúdo pelo WhatsApp do Estadão Verifica, 11 97683-7490.

O vídeo mostra uma passageira conversando com um funcionário da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Em seguida, policiais militares entram no avião e se dirigem até ela. O funcionário carrega a filha da passageira no colo e a mulher é levada pelos policiais enquanto os demais passageiros aplaudem. “Parabéns à Polícia Militar de Goiás!”, grita um deles.

Vídeo é de mulher que desrespeitou regras de companhia aérea. Foto: Reprodução

Os policiais possuem uma bandeira do Estado de Goiás no uniforme, o que chama a atenção para um possível engano, já que Omar Aziz é senador e ex-governador do Amazonas.

Bandeira de Goiás no uniforme dos policiais. Foto: Reprodução

Uma busca no Google pelas palavras-chave “mulher presa avião Goiás” permite encontrar a reportagem “Vídeo mostra passageira sendo retirada à força pela polícia de dentro de avião em Goiânia”, do portal de notícias G1, de 5 de outubro de 2018.

De acordo com a reportagem, a Latam Airlines informou que solicitou apoio policial para retirar a passageira de um voo do aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, com destino a São Paulo. Segundo a nota, a passageira havia se recusado a despachar bagagem de mão, “desrespeitando a tripulação e causando tumulto dentro da aeronave”.

Reportagem mostra que vídeo não tem relação com a mulher do senador. Foto: G1/Reprodução

Mulher de Omar Aziz já foi presa?

Njemi Aziz, ex-primeira-dama do Amazonas, chegou a ser presa temporariamente pela Polícia Federal em 19 de julho de 2019, um ano depois da gravação do vídeo agora resgatado, no âmbito da operação Vertex. Mandados foram cumpridos em Amazonas, Brasília e São Paulo — isto é, nenhum em Goiás.

A PF apurava a atuação de um grupo que supostamente desviava recursos por meio de contratos firmados com o governo para a gestão de unidades de saúde. Segundo o Ministério Público Federal, os investigados eram pessoas físicas e jurídicas ligadas ao ex-governador do Amazonas, que teriam desviado pelo menos R$ 100 milhões. A investigação aponta suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Em nota enviada ao Estadão em abril, a assessoria de imprensa do senador do PSD negou participar de qualquer tipo de irregularidade. “Sobre a referência ao nome do Senador Omar Aziz citado no relatório da Polícia Federal de 2019, nos autos da Operação Vertex, é importante esclarecer para a sociedade que não foi produzida prova alguma ou nem mesmo apresentado indício de ligação de Omar Aziz com qualquer atividade delituosa”, diz a nota.

Omar Aziz foi votado pelos senadores para ser o presidente da CPI da Covid que apura eventuais faltas e responsabilidades do governo federal na condução do combate à pandemia. Desde então, o grupo de parlamentares se tornou alvo de desinformação nas redes sociais.

O Estadão Verifica já mostrou ser falso que senadores da CPI da Covid acumulem mais de 2,4 mil processos na Justiça. Postagens com essa alegação fora da realidade se baseiam em buscas imprecisas em um site jurídico. Também já desmentimos que a fila de pacientes na Bahia tivesse zerado por causa da CPI. Os dados epidemiológicos mostram que número de doentes esperando realocação no Estado já estava em queda antes.

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