Fila de pacientes na Bahia não zerou por causa de CPI; número estava em queda desde março

Fila de pacientes na Bahia não zerou por causa de CPI; número estava em queda desde março

Mensagens nas redes sociais afirmam que pessoas intubadas conseguiram vagas em hospitais por causa de criação de comissão no Senado; dados epidemiológicos mostram que número de doentes esperando realocação já vinha caindo

Alessandra Monnerat

27 de abril de 2021 | 19h56

Atualizada no dia 28/03 com resposta da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia.

Não é verdade que a criação da CPI da Covid no Senado tenha sido o motivo para o esvaziamento da fila para internação de pacientes intubados na Bahia. Um vídeo compartilhado no Facebook e no WhatsApp afirma que a comissão de inquérito teria promovido um “milagre”. No dia 13 de abril, o governador baiano, Rui Costa (PT), informou que não havia mais pessoas intubadas em UPAs e emergências aguardando transferência para UTIs. Dados epidemiológicos do Estado mostram que, em geral, o número de pacientes aguardando leitos de UTI e enfermaria já vinha caindo nas datas anteriores à criação da comissão.

A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia afirma que conseguiu zerar a fila de pacientes intubados principalmente por causa da abertura de novos leitos, além da adoção de outras medidas de controle da pandemia. “O fato não tem relação com a CPI”, disse o órgão.

Também no dia 13 de abril, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), leu o requerimento para criar a CPI da Covid. A investigação teve os objetivos ampliados: além de investigar omissões do governo federal no combate à pandemia, também analisará possíveis irregularidades em repasses a Estados e municípios. A primeira sessão da comissão ocorreu nesta terça-feira, 27. O que as postagens sugerem é que a fila de pacientes intubados na Bahia teria sido zerada apenas por razões políticas — mas não há evidências que sustentem essa alegação. 

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Os gráficos abaixo foram retirados de boletins epidemiológicos de covid-19 da Bahia. Repare que, a partir de 17 de março, o número geral de pacientes na fila por vagas em UTIs (indicado pelas barras azuis) começou a cair. Em 13 de abril, data em que a CPI foi criada, havia 98 pessoas aguardando internação na UTI.

Naquele dia, de acordo com um anúncio da Secretaria de Saúde do Estado, não havia nenhum paciente intubado esperando transferênciaSegundo a Secretaria, a Central Estadual de Regulação continua conseguindo atender à demanda e não há nenhuma pessoa intubada na fila para realocação atualmente.

No texto em que informou o esvaziamento da fila para intubados, a secretaria comunicou que tem aberto diariamente leitos clínicos e de terapia intensiva. Naquela data, eram 3.400 leitos ativos. Atualmente, são 3.459 leitos, dos quais 2.428 estão ocupados, de acordo com painel do governo baiano.

Dados de pacientes internados disponíveis nos boletins epidemiológicos da Bahia (abaixo) mostram que o número de hospitalizados (indicado pelas barras rosas) aumentou entre março e abril, mas a taxa de ocupação das UTIs (linha azul) não teve alta significativa. Isso indica que realmente foram abertos mais leitos, dando espaço a mais pessoas. No dia de criação da CPI da Covid, eram 1.291 pacientes em UTIs baianas; esse número se manteve estável nos dias seguintes.

Na Bahia, a média móvel de mortes e de casos de covid-19 vem caindo desde meados de março, após um pico de registros naquele mês. Em todo o País, o número de mortes e casos atingiu seu ponto mais alto no início de abril, e vem apresentando queda desde então. Veja essa tendência no gráfico abaixo.

O Aos Fatos também checou este boato.

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