PF caça nove e bloqueia R$ 92,5 mi por corrupção e lavagem em desdobramento da ‘Maus Caminhos’

PF caça nove e bloqueia R$ 92,5 mi por corrupção e lavagem em desdobramento da ‘Maus Caminhos’

Agentes cumprem 49 mandados no Amazonas, em Brasília e em São Paulo; Polícia Federal apura supostas operações que foram realizadas para ocultar a entrega de valores dissimulados por meio de contratos de aluguel e de compra e venda

Fausto Macedo e Pepita Ortega

19 de julho de 2019 | 10h04

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal no Amazonas deflagrou na manhã desta sexta, 19, a Operação Vertex, nova fase da Operação Maus Caminhos, para investigar crimes de corrupção passiva, lavagem de capitais e pertinência a organização criminosa. Segundo o Ministério Público Federal, os investigados são pessoas físicas e jurídicas ligadas ao o ex-governador do Amazonas e atual senador Omar José Abdel Aziz. A mulher de Aziz, Nejmi, foi presa nesta manhã.

Agentes cumprem no Amazonas, em Brasília e em São Paulo 49 ordens expedidas pela Justiça Federal – nove mandados de prisão temporária, 15 mandados de busca e apreensão, sete mandados de sequestro de bens móveis e 18 mandados de bloqueios de contas de pessoas físicas e jurídicas, congelando cerca de R$ 92,5 milhões.

Segundo o Ministério Público Federal, os investigados são pessoas físicas e jurídicas ligadas ao o ex-governador do Amazonas e atual senador Omar José Abdel Aziz. A mulher de Aziz, Nejmi, foi presa nesta manhã.

A Polícia Federal apura supostas entregas de dinheiro em espécie e negócios que teriam sido realizados para ocultar a entrega de valores dissimulados por meio de contratos de aluguel e de compra e venda.

Segundo a PF, o Supremo Tribunal Federal desmembrou a investigação porque foram encontrados indícios de que ‘um ex-governador do Amazonas teria recebido vantagens indevidas’ – por exercer o cargo de senador o político poderia ter direito a foro privilegiado no Supremo.

A Polícia Federal indicou que por conta de um entendimento do Supremo – de que o foro por prerrogativa de função conferido aos deputados federais e senadores se aplica apenas a crimes cometidos no exercício do cargo e em razão das funções a ele relacionadas – o Ministro Dias Toffoli enviou a investigação ao juízo de 1ª instância, e assim, em janeiro deste ano, a investigação foi retomada.

A ‘Maus Caminhos’ foi deflagrada em setembro de 2016 para desarticular uma organização que desviava recursos públicos do Fundo Estadual de Saúde do Amazonas. As outras fases da operação – a Custo Político, Estado de Emergência e Cashback – também tem relação com a ação deflagrada nesta sexta.

Na ‘Custo Político’ a PF apurou a prática de corrupção, lavagem de capitais e pertinência a organização criminosa por cinco ex-secretários de estado e servidores públicos.

Já a ‘Estado de Emergência’ chegou ao núcleo político do Poder Executivo estadual, e prendeu temporariamente o ex-governador do Amazonas Jose Melo por suposto envolvimento em desvios de recursos públicos na área da Saúde.

A Operação Cashback apurou o envolvimento de outras empresas em conluio, em relação as quais, suspeita-se que foram efetuados pagamentos embasados em notas fiscais falsas, sem a correspondente prestação de serviço, além de pagamentos por serviços superfaturados.

‘Vertex’

A Polícia Federal informou que o nome da operação, Vertex, é sinônimo da palavra vértice e ‘significa o ponto mais alto, o ápice, correspondendo ao alcance da investigação, que reuniu indícios robustos da prática de crimes pelo governador à época da criação da organização criminosa formada em torno do Instituto Novos Caminhos’.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE JOSÉ MELO DE OLIVEIRA

“Veiculam-se falsas notícias de que o senhor ex-governador José Melo de Oliveira teria realizado ‘acordo de colaboração com a Justiça’. A defesa tem atuado no sentido de provar a inocência do Sr. José Melo, que tem comparecido pessoalmente a todos os atos processuais e sequer foi ouvido em interrogatório pela justiça. Não se conhece a fonte da notícia falsa, mas, ante a ausência de qualquer contato com a defesa, entende-se que não se tratar de matéria jornalística.”

José Carlos Cavalcanti Junior- OAB 3607/AM

COM A PALAVRA, O SENADOR OMAR AZIZ E SUA MULHER

A reportagem tenta contato com o Senador. O espaço está aberto para manifestação.

Tudo o que sabemos sobre:

Polícia Federal

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.