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CPI da Covid: Saiba quem é Omar Aziz, senador indicado para presidir as investigações

Eleito pelo PSD do Amazonas, ele foi escolhido pelo G-7, grupo de senadores que reúne independentes e oposicionistas ao governo, somando 7 dos 11 integrantes; indicação será confirmada em eleição interna da CPI

Lauriberto Pompeu, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2021 | 11h16

BRASÍLIA - Na contramão do movimento da nova política que dominou as eleições de 2018, o senador Omar Aziz (PSD-AM), de 62 anos, é um político experiente. Nome favorito para comandar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, ele acumula 21 anos de mandatos consecutivos desde seu primeiro cargo, como vereador de Manaus, em 1990. 

De lá para cá foi deputado estadual, vice-prefeito, vice-governador, governador do Amazonas, até chegar ao posto de senador, em 2014. Embora alinhado ao Palácio do Planalto em algumas votações, Aziz diz que sua atuação é independente e, a exemplo do Centrão da Câmara, faz parte do grupo de políticos que muda de posição de acordo com seus interesses.

Seu histórico reflete a falta de um alinhamento ideológico claro. Em 1981, então estudante de engenharia civil da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Aziz foi filiado ao PCdoB, na época partido clandestino por conta da regra da ditadura militar que obrigava o bipartidarismo.  

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Apesar de ter começado na política pelo partido comunista, seu primeiro cargo eletivo foi por um partido mais alinhado à direita. Ele assumiu o cargo de vereador de Manaus (AM) em 1990 pelo PDC, herdeiro da Arena, agremiação que dava sustentação ao regime militar. Em 2011, já no DEM, foi um dos fundadores do PSD, partido definido pelo ex-ministro Gilberto Kassab, idealizador da sigla, como "nem de direita, nem de esquerda, nem de centro".

Um acordo entre a maior parte dos integrantes da comissão prevê que Aziz seja o presidente; Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o vice, e Renan Calheiros (MDB-AL) atue como relator. A eleição está prevista para esta terça-feira, 27.

"Não tem governo, seja de direita, centro ou esquerda, que não tenha cometido equívocos nessa pandemia. Em todos os Estados, está tendo morte. O João Doria é 100% contrário ao pensamento do Bolsonaro. São Paulo, por acaso, está vivendo um mar de rosas?", declarou Omar em entrevista ao Estadão no dia 16 de abril, sem apontar o dedo para o governo de Jair Bolsonaro antecipadamente. A estratégia é vista como forma de reduzir possíveis resistências ao seu nome. O senador governista Eduardo Girão (Podemos-RN) deve disputar a cadeira de presidente da CPI contra Aziz.

O perfil de evitar confrontos e fugir de situações desconfortáveis tem raízes no histórico familiar do senador. Nascido na cidade de Garça, no interior de São Paulo, é filho de pai palestino e mãe brasileira. Na infância, a família viveu por cinco anos no Peru, mas deixou o país andino após sobreviver a um terremoto. Depois da experiência traumática, os pais de Aziz decidiram se instalar em Manaus. 

Impeachment. Um episódio que exemplifica a posição cambiante de Aziz no espectro político foi o impeachment de Dilma Rousseff. Então governador do Amazonas, ele apoiou a reeleição da petista, em 2014. Inicialmente, foi resistente ao afastamento dela do Planalto e deu declarações públicas neste sentido em 2015. No entanto, um ano depois, em 2016, votou favorável à cassação da petista no Senado. Na eleição de 2018, vencida por Bolsonaro, não declarou publicamente apoio a nenhum dos candidatos que concorreram ao Planalto.

Naquele ano, Aziz tentou voltar ao governo estadual, mas ficou apenas em quarto lugar. O vencedor foi Wilson Lima (PSC-AM), que hoje é seu aliado. Senador em fim de mandato, o político do PSD deve concorrer à reeleição em 2022.  

Suspeitas na saúde. Sua gestão como governador do Amazonas, de 2011 a 2014, foi alvo de apurações de irregularidades e suspeitas de desvios na área de saúde, justamente o assunto que agora deve ser investigado na CPI da Covid.

A mulher do senador, três irmãos dele e um ex-chefe de gabinete chegaram a ser presos, em 2019, em um desdobramento do caso.

O nome de Aziz e de pessoas ligadas a ele surgiram na quinta fase da Operação Maus Caminhos, deflagrada em 2016. O desdobramento  foi batizado de Operação Vertex. As apurações indicaram a atuação de um grupo que desviava recursos por meio de contratos firmados com o governo para a gestão de unidades de saúde.

O Ministério Público Federal estima que o montante desviado tenha sido de pelo menos R$ 100 milhões. A investigação aponta suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa

Por meio de nota, o senador do PSD negou participar de qualquer tipo de irregularidade. "Sobre a referência ao nome do Senador Omar Aziz citado no relatório da Polícia Federal de 2019, nos autos da Operação Vertex, é importante esclarecer para a sociedade que não foi produzida prova alguma ou nem mesmo apresentado indício de ligação de Omar Aziz com qualquer atividade delituosa", diz, por meio de sua assessoria de imprensa.

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