É falsa a informação de que sigilo telefônico de Adélio Bispo é protegido pela OAB
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É falsa a informação de que sigilo telefônico de Adélio Bispo é protegido pela OAB

Mandado de segurança impetrado pela Ordem é em favor do advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, que defende o réu do atentado a Bolsonaro

Paulo Roberto Netto

14 de junho de 2019 | 18h18

A foto do agressor de Bolsonaro, Adélio Bispo, exibida na tela de um celular momentos após a sua prisão, em setembro de 2018. Foto: Wilton Júnior / Estadão

Adélio Bispo, réu no ataque a Jair Bolsonaro, não tem o sigilo telefônico e bancário protegido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A informação falsa confunde o processo do acusado com outra ação envolvendo seu advogado, Zanone Manuel de Oliveira. O boato foi publicado no início desta semana e alcançou mais de 11 mil compartilhamentos no Facebook. Nesta sexta, Adélio foi absolvido da ação penal sobre o ataque a Bolsonaro por ser considerado inimputável.

Conforme informado pela Polícia Federal ao Estadão Verifica no início deste mês, todo o material apreendido com Adélio Bispo já foi analisado e não há liminar impedindo os trabalhos dos investigadores.

A atuação da OAB no caso, na verdade, se refere a uma medida de segurança impetrada pela organização em favor do advogado de Adélio, Zanone Manuel de Oliveira.

Em 21 de dezembro do ano passado, a Polícia Federal realizou operação de busca e apreensão no escritório de Oliveira, sob o pretexto de investigar quem estaria pagando seus honorários e checar supostas ligações com a facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Foram recolhidos documentos e aparelhos eletrônicos do advogado.

No mês seguinte, a OAB de Minas Gerais impetrou mandado de segurança ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) pedindo a suspensão da análise dos materiais. Segundo a Ordem, a ação violaria o sigilo profissional do exercício da advocacia.

O pedido foi atendido em março pelo desembargador Néviton Guedes, que proibiu liminarmente a apuração dos materiais apreendidos pela Polícia Federal até julgamento do mérito da ação. A Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu da decisão, mas o recurso ainda não foi analisado.

A União alega que a ação contra Zanone Oliveira não busca quebrar o sigilo profissional, mas identificar possíveis responsáveis por arcar com os honorários da defesa de Adélio Bispo. A última movimentação do caso diz que os autos foram conclusos para decisão em 24 de maio.

Este não é o primeiro boato que confunde a ação contra Zanone Oliveira com o processo criminal de Adélio Bispo. No início do mês, o Estadão Verifica desmentiu um vídeo sobre suposta liminar que protegeria o réu acusado de esfaquear Bolsonaro. A liminar, na verdade, era a favorável a Oliveira.

Este boato foi escolhido para checagem por meio da parceria entre o Estadão Verifica e o Facebook. O AosFatos também checou esta desinformação. Ouviu algum boato? Encaminhe para o WhatsApp do Estadão Verifica pelo número (11) 99263-7900.

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