Vídeo confunde liminar envolvendo advogado de Adélio Bispo e alimenta teoria falsa
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Vídeo confunde liminar envolvendo advogado de Adélio Bispo e alimenta teoria falsa

Mensagem diz que réu do atentado contra Jair Bolsonaro é protegido por decisão liminar; caso, no entanto, se refere a processo envolvendo operações contra o advogado Zanone Oliveira

Paulo Roberto Netto e Julliana Martins

06 de maio de 2019 | 16h24

Adélio Bispo é escoltado por agentes da Polícia Federal no aeroporto Francisco Álvares de Assis, em Juiz de Fora (MG). Foto: Ricardo Moraes/REUTERS (08/09/2018)

Um vídeo publicado no Facebook erra ao afirmar que Adélio Bispo de Oliveira, acusado de esfaquear Jair Bolsonaro, está protegido por uma liminar judicial que proíbe a Polícia Federal de analisar seus objetos eletrônicos pessoais, como celulares e notebooks. A informação é falsa. A liminar se refere ao bens do advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, defensor do réu.

Uma das postagens foi feita há duas semanas e, até o momento, soma 118 mil visualizações e mais de 12 mil compartilhamentos. O vídeo também foi encaminhado pelo WhatsApp ao Estadão Verifica.

Em nota, a Polícia Federal informou que todo o material apreendido com Adélio Bispo já foi analisado e que não há liminar proibindo os trabalhos dos investigadores. A corporação disse que só há decisão judicial relativa ao escritório de advocacia de Zanone Oliveira, defensor de Adélio.

No dia 21 de dezembro, a PF realizou uma ação de busca e apreensão no escritório de Oliveira. No início de março, o desembargador Néviton Guedes, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), proibiu a análise dos materiais apreendidos com base no argumento do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil de violação ao sigilo funcional.

A Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu da decisão, mas o recurso ainda não foi analisado. A AGU alega que a ação contra Zanone Oliveira não pretendeu quebrar o sigilo profissional, mas identificar os possíveis responsáveis por arcar com as despesas da defesa de Adélio.

“Negar a produção da prova requerida esvazia a conclusão das investigações em curso, bem como, ainda que de modo indireto, pode vir a colocar em risco a vida da autoridade máxima do país”, destacou a AGU.

O advogado de defesa do agressor do deputado Jair Bolsonaro, Zanone Oliveira Junior fala à imprensa. Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil (07/09/2018)

Ao Estadão Verifica, o advogado Zanone Oliveira confirmou que não há nenhuma liminar proibindo a Polícia Federal de acessar aparelhos eletrônicos de Adélio.

Este conteúdo foi selecionado para checagem por meio da parceria de fact checking com o Facebook. Quer sugerir uma checagem para o Estadão Verifica? Envie uma mensagem para (11) 99263-7900.