Estadão Verifica fecha parceria com Facebook para checar conteúdo falso na rede social
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Estadão Verifica fecha parceria com Facebook para checar conteúdo falso na rede social

Publicações marcadas como falsas por nossa equipe de verificadores terão alcance reduzido na plataforma digital

Da equipe Verifica

09 de abril de 2019 | 05h00

Facebook tem programa global de verificação de fatos. Foto: Robert Galbraith/Reuters

A partir desta terça-feira, 9, o Estadão Verifica passa a integrar o programa de verificação de fatos do Facebook no Brasil. Os checadores de nossa equipe vão analisar diariamente conteúdo postado na plataforma que for denunciado como suspeito pelos próprios usuários da rede social. As publicações que marcarmos como falsas terão menos exposição e circulação reduzida. Todas as verificações ligadas ao projeto serão também publicadas em nosso blog.

A iniciativa faz parte de um programa global do Facebook que teve início em dezembro de 2016, com o objetivo de conter o fluxo de desinformação na plataforma, e está hoje presente em 46 países. No Brasil, o projeto foi lançado em maio de 2018 e já conta com os parceiros Agência Lupa,  Aos Fatos e AFP. Desde então, já foram checados no país mais de 700 conteúdos.

Um pré-requisito para participar do programa é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

“A desinformação distorce a realidade, envenena a sociedade e nos afasta dos debates que realmente interessam. Por isso, para nós o combate à circulação de conteúdo falso nas redes é uma questão de interesse público”, disse David Friedlander, editor executivo do Estado.

“Sabemos que as pessoas querem ver notícias precisas no Facebook, e nós também. Estamos muito felizes de anunciar esta parceria com o Estadão Verifica, e poder fortalecer ainda mais nosso programa de verificação no país”, afirmou a gerente de Parcerias Estratégicas do Facebook com Veículos de Notícias na América Latina, Dulce Ramos.

Ao trabalhar com conteúdo do Facebook, os jornalistas do Estadão Verifica terão acesso a uma lista de publicações sinalizadas como potencialmente enganosas por usuários e pelo próprio sistema de detecção de anomalias da rede social. Após o processo de checagem, a postagem pode ser enquadrada em uma entre nove categorias, incluindo “falso”, “misto”, “título falso” e “verdadeiro”.

A partir dessa triagem, conteúdos marcados como falsos têm exposição reduzida em até 80% no feed de notícias dos usuários da rede. Além disso, páginas que postam repetidamente conteúdo enganoso têm seu alcance diminuído de forma geral. Usuários e administradores de páginas com publicações marcadas como “falso”, “mistura” e “título falso” recebem notificações do Facebook. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como enganoso anteriormente.

Como funciona a checagem do Estadão Verifica

O Estadão Verifica, núcleo de fact checking do Estado, foi lançado em junho de 2018 para monitorar e expor o fluxo de desinformação que circula nas redes sociais. Desde então, leitores enviaram mais de 138 mil mensagens ao número de WhatsApp dedicado a receber denúncias de conteúdo potencialmente enganoso (11-99263-7900).

O Estadão Verifica também representou o Estado no projeto Comprova, coalizão formada por 24 veículos de mídia para combater as notícias falsas durante o período eleitoral. Ao longo de 12 semanas, a iniciativa coordenada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e pela organização internacional First Draft verificou 146 conteúdos virais relacionados à disputa pela Presidência. Deste total, 92% das histórias se mostraram falsas, enganosas ou descontextualizadas. No WhatsApp dedicado ao projeto, o público enviou 67 mil mensagens com pedidos de checagem.

Para checar a veracidade de informações publicadas online, a equipe de checadores consulta fontes oficiais sobre o assunto em questão, como bancos de dados públicos e órgãos governamentais. Também podem ser checadas fontes alternativas, como pesquisas, relatórios e entrevistas com especialistas.

O objetivo é encontrar informações que confirmem ou desmintam a mensagem que está sendo compartilhada. Segundo essa metodologia, opiniões, comentários, previsões sobre o futuro e conceitos amplos não podem ser checados.

 

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