Relação dos governos Lula e Dilma com Odebrecht foi ‘bastante movida’ a propina, diz Palocci

Relação dos governos Lula e Dilma com Odebrecht foi ‘bastante movida’ a propina, diz Palocci

Ex-ministro petista confessou crimes ao juiz federal Sérgio Moro em interrogatório nesta quarta-feira, 6

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Luiz Vassallo

06 Setembro 2017 | 18h18

Antonio Palocci. Foto: Reprodução

O ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda/Casa Civil – Governos Lula e Dilma) afirmou ao juiz federal Sérgio Moro nesta quarta-feira, 6, que a relação dos dois governos petistas foi ‘bastante movida’ a propina. Palocci foi interrogado pelo magistrado da Operação Lava Jato em ação penal sobre propinas da empreiteira.

Palocci está preso desde setembro de 2016. O ex-ministro está tentando fechar um acordo de delação premiada.

O Ministério Público Federal aponta que propinas pagas pela empreiteira chegaram a R$ 75 milhões em oito contratos com a estatal. Este montante, segundo a força-tarefa da Lava Jato, inclui um terreno de R$ 12,5 milhões para Instituto Lula e cobertura vizinha à residência de Lula em São Bernardo de R$ 504 mil.


Palocci revela ‘pacto de sangue’ de propina de R$ 300 mi e entrega Lula

Além do ex-presidente, também respondem ao processo Palocci, seu ex-assessor Branislav Kontic, o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, o empreiteiro Marcelo Odebrecht e outros três investigados.

“Acredito que tenha tido uma participação relativamente próxima dos fatos, Excelência, e de fato queria dizer em princípio que a denúncia procede. Os fatos narrados nela são verdadeiros. Eu diria apenas que os fatos narrados nessa denúncia dizem respeito a um capítulo de um livro um pouco maior do relacionamento da empresa em questão, da Odebrecht, com o governo do ex-presidente Lula e da ex-presidente Dilma, que foi uma relação bastante intensa, bastante movida a vantagens dirigidas à empresa, a propinas pagas pela Odebrecht para agentes públicos em forma de doação de campanha, em forma de benefícios pessoais, em forma de caixa 1, caixa 2 e esse foi um episódio desse conjunto de práticas que envolveu essa empresa em relação ao governo do ex-presidente Lula e da ex-presidente Dilma”, afirmou.

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“Eu tenho conhecimento porque participei de boa parte desses entendimentos na qualidade de ministro da Fazenda do presidente Lula e de ministro da Casa Civil da presidente Dilma.”

Palocci afirmou que ‘não era um interlocutor de demandas financeiras’. “Eu era um interlocutor da empresa pro conjunto da relação da empresa com o governo, não só assuntos relativos a contribuições da empresa, mas a metas da empresas, desejos da empresa junto ao governo”, disse.

“A empresa Odebrecht é a maior das construtoras do País, ela atuava em praticamente todas as áreas mais importantes do governo, então, ela atuou desde o início do governo do presidente Lula, eu os conheci antes do governo. Estive com eles desde 1994 quando o presidente Lula os conheceu. Em algumas oportunidades esse conhecimento se deu com a minha presença e portanto eu me tornei amigo dos principais dirigentes da empresa, dr Emilio Odebrecht, Dr Pedro Novis, Dr Marcelo Odebrecht desde antes do governo Lula ter início. Então, eu tratava de todo tipo de temas com eles, inclusive, de temas ilícitos.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO DE LULA

O advogado Cristiano Zanin Martins, defensor do ex-presidente Lula, declarou em nota.
“Palocci muda depoimento em busca de delação. O depoimento de Palocci é contraditório com outros depoimentos de testemunhas, réus, delatores da Odebrecht e com as provas apresentadas.

Preso e sob pressão, Palocci negocia com o MP acordo de delação que exige que se justifiquem acusações falsas e sem provas contra Lula.

Como Léo Pinheiro e Delcídio, Palocci repete papel de validar, sem provas, as acusações do MP para obter redução de pena.

Palocci compareceu ato pronto para emitir frases e expressões de efeito, como “pacto de sangue”, esta última anotada em papéis por ele usados na audiência.

Após cumprirem este papel, delações informais de Delcídio e Léo Pinheiro foram desacreditadas, inclusive pelo MP.”
Cristiano Zanin Martins