‘É preciso cortar na carne’, diz procurador da Lava Jato

Carlos Lima escreveu que ficou envergonhado com revelações da JBS, das malas de Geddel e dos desvios nas Olimpíadas e que fatos são 'chocantes' até para ele que está 'acostumado com as revelações da Lava Jato'

Ricardo Brandt e Julia Affonso

06 Setembro 2017 | 05h42

Carlos Fernando do Santos Lima. Foto: Rodolfo Buhrer/Estadão

O procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, afirmou que “é preciso cortar na carne”, ao declarar ter ficado “envergonhado” com o suposto envolvimento de membros do Ministério Público Federal em crimes.

“A revelação das gravações de Joesley (Batista, da JBS), das pilhas de dinheiro de Geddel (Vieira Lima, ex-ministro de Dilma e Temer), e da compra da Olimpíada no Brasil, são chocantes, mesmo para mim, acostumado com as revelações da Lava Jato”, escreveu o procurador, em sua página no Facebook.

“De certa forma fico envergonhado de ver que o crime infiltrou-se em uma instituição, minha instituição, como o Ministério Público. Esses procuradores ou ex-procuradores devem ser punidos exemplarmente, pois suas condutas são mais graves do que as de qualquer um outro. Somos uma instituição que não pode ser maculada com dúvidas sobre a conduta de seus membros”, afirmou Carlos Lima.

“É preciso cortar na carne.”

Segundo ele, “quando a própria instituição do MPF se vê envolvida nesse tipo de criminalidade, mesmo que por um ou dois membros, é que se vê a profundidade que o problema da corrupção chegou no Brasil”.

Mais experiente dos 14 procuradores da Lava Jato, em Curitiba, Carlos Lima ressalta que “não se trata realmente mais de escolhas econômicas, entre esquerda e direita”. “Mas da decidirmos se vamos aceitar esse Estado doente, essa democracia conspurcada, essa ideia de que tudo pode se você for rico e poderoso.”

O procurador afirma ser “desanimador o quadro que vivemos”.

“Mas desanimar nunca é a solução. Ficar reclamando sem agir é ser conivente por omissão. As instituições estão afundando e depois que submergirem pouco restará do País.”

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