O ‘Banco Central’ dos operadores

O ‘Banco Central’ dos operadores

O perfil de Dario Messer, 'o doleiro dos doleiros'

Fabio Serapião / BRASÍLIA

04 Maio 2018 | 05h00

Foragido da Polícia Federal após a Operação “Câmbio, desligo”, deflagrada nesta quinta-feira, 3, Dario Messer, de 60 anos, herdou os negócios da família nos anos 2000 após a morte do pai, o polonês Mordko Messer, apontado como o primeiro doleiro do Brasil. Desde então virou figura carimbada no noticiário policial e em colunas sociais, onde aparece frequentemente ao lado de atrizes, jogadores de futebol e grandes empresários.

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Desde o caso Banestado, primeiro escândalo em que Messer apareceu, o doleiro passou pelo mensalão, quando foi tachado de operador do Partido dos Trabalhadores pelo também doleiro Antônio Claramunt, o Toninho Barcelona; pela Operação Sexta-feira 13, em 2009, pelo Swissleaks e, agora, caiu na rede da filial carioca da Lava Jato.

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Messer também foi uma das principais figuras citadas no primeiro acordo de colaboração de Alberto Youssef. Em um depoimento de 4 de março de 2004 ao juiz federal Sérgio Moro e aos procuradores da força-tarefa CC5, que investigava o Banestado, Youssef disse que naquela época eram poucos “os doleiros dos doleiros” no Brasil e que um deles, além do próprio Youssef, era Messer.

“Um era eu, a Tupi Câmbios, a Acaray, Câmbio Real, Sílvio Anspach, o Messer do Rio, o Rui Leite e o Armando Santoni”, disse Youssef.

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A expressão “doleiro dos doleiros” revela o tamanho da sua clientela. Messer, desde o caso Banestado, era uma espécie de “Banco Central” dos doleiros. Quando um pequeno ou médio operador financeiro não tinha condições para fazer determinada transação, acionava Messer e seus funcionários para ter suporte.

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Após o Banestado, Messer mudou sua banca para o Uruguai e dividia seu tempo entre o Rio e o Paraguai, onde é amigo do presidente Horacio Cartes. Segundo os jornais paraguaios, os dois se consideram “irmãos de alma”. É no Paraguai que os investigadores buscam Messer.