Dossiê ‘Câmbio, desligo’

Dossiê ‘Câmbio, desligo’

Leia a íntegra da decisão do juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, que mandou prender 53 alvos da nova etapa da Lava Jato no Rio e desmontou intrincado esquema de doleiros, o Bank Drop, com movimentação de US$ 1,6 bi em 52 países

Roberta Pennafort/RIO, Fábio Serapião/BRASÍLIA, Fausto Macedo e Luiz Fernando Teixeira

03 Maio 2018 | 18h00

A Operação ‘Câmbio, Desligo’, determinada pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio de Janeiro nesta quinta-feira, 3, tem 43 ordens de prisão preventiva no Brasil e mais seis no exterior. A ação visa desarticular organização criminosa especializada na prática de crimes financeiros e evasão de divisas, responsável por complexa estrutura de lavagem de dinheiro transnacional, ocultação e ocultação de divisas.

Documento

De acordo com a delação dos doleiros Vinícius Vieira Barreto Claret, o Juca Bala, e Cláudio Fernando Barbosa, o Tony,  o esquema ‘começou na década de 80, quando iniciaram suas carreiras na casa de câmbio da família Messer, a ANTUR, comandada primeiramente por Mordko Messer e após sua morte pelo seu filho Dario Messer’.

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“Contudo, com as ações da polícia federal pelo ano de 2000, a organização decidiu mudar-se para o Uruguai, em 2003, passando a comandar de forma remota as operações. Daí em diante foi montada toda a rede de operações descrita acima, com a participação ativa dos doleiros, ora investigados, e principalmente de Dario Messer que ainda recebia participação nos lucros da dupla e era responsável por captar clientes”, explica Bretas.

É a maior ofensiva já desfechada no País contra o mundo dos doleiros. Os maiores operadores do câmbio negro estão sendo presos. Nomes históricos, alguns até então intocáveis, são alvo de mandado de prisão, como a família Matalon, Marco Antônio Cursini, os irmãos Rzezinski e Chaaya Moghrabi.