‘Câmbio, desligo’

Nova etapa da Lava Jato mira doleiros que montaram sofisticado sistema de offshores em 52 países

Roberta Pennafort/RIO, Fábio Serapião/BRASÍLIA, Fausto Macedo e Luiz Fernando Teixeira

03 Maio 2018 | 07h31

Foto: Reprodução/Sindicato dos Delegados da Polícia Federal

A Operação ‘Câmbio, desligo’, deflagrada por Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal nesta quinta-feira, 3, tem 43 ordens de prisão preventiva no Brasil e mais seis no exterior. A ação visa desarticular organização criminosa especializada na prática de crimes financeiros e evasão de divisas, responsável por complexa estrutura de lavagem de dinheiro transnacional, ocultação e ocultação de divisas.

Além das prisões preventivas, também são cumpridos quatro mandatos de prisão temporária e 51 mandados de busca e apreensão. As ações ocorrem nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Brasília.

A delação dos doleiros Vinícius Vieira Barreto Claret, o Juca Bala, e Cláudio Fernando Barbosa, o Tony, resultou na operação. Ambos trabalhavam em esquema que envolvia o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) e revelaram a existência de um sistema chamado Bank Drop, composto por 3 mil offshores em 52 países, e que movimentava US$ 1,6 bilhão.

O principal alvo da operação, determinada pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, é o doleiro Dário Messer, que tem residência tanto no Rio de Janeiro quanto no Paraguai. Demais alvos são doleiros, clientes desse sistema e usuários finais do esquema.

É a maior ofensiva já desfechada no País contra o mundo dos doleiros. Os maiores operadores do câmbio negro estão sendo presos. Nomes históricos, alguns até então intocáveis, são alvo de mandado de prisão, como a família Matalon, Marco Antônio Cursini, os irmãos Rzezinski e Chaaya Moghrabi.