PF busca Dario Messer, ‘doleiro dos doleiros’

PF busca Dario Messer, ‘doleiro dos doleiros’

Doleiro foi alvo do caso Banestado e foi delatado por Alberto Youssef que o apontou como um dos cinco maiores "doleiros de doleiros" do Brasil e responsável por dar "cobertura de mercado" a outros operadores financeiros menores. Leia trecho da delação de Youssef

Roberta Pennafort/RIO, Fábio Serapião/BRASÍLIA, Fausto Macedo e Luiz Fernando Teixeira

03 Maio 2018 | 08h01

Marcelo Bretas. FOTO: FABIO MOTTA/ESTADÃO

A Lava Jato do Rio de Janeiro está em busca de Dário Messer, apontado como o maior doleiro em atividade no Brasil e na mira da Justiça desde o caso Banestado. Messer e outros operadores financeiros ligados a ele são alvos da operação “Câmbio, Desligo”, deflagrada na manhã desta quinta-feira, 3, e que deve dar início a uma ampla frente de investigação da Lava Jato do Rio de Janeiro.

Segundo a PF, a operação visa combater uma organização criminosa que seria liderada por Messer e que teria movimentado a cifra de US$ 1,6 bilhão. São cumpridos 53 mandados de prisão no Brasil e no exterior.

Principal alvo da operação, Messer é um antigo doleiro do Rio de Janeiro que após o caso Banestado – maior escândalo de lavagem de dinheiro da história do Brasil – mudou sua banca para o Uruguai e para o Paraguai. A “Câmbio, Desligo” também cumpre mandados judiciais nos dois países.

Messer seria o nome por trás do operador Vincius Claret, o Juca-Bala, apontado pela Lava Jato do Rio de Janeiro como um dos responsáveis por lavar o dinheiro desviado pelo grupo do ex-governador Sergio Cabral. Na delação dos executivos da Odebrecht, Juca-Bala é apontado como um laranja de Messer no Uruguai.

Na primeira delação de Alberto Youssef, em 2004, o doleiro aponta Messer como um dos “doleiros de doleiros”, responsável por dar “cobertura de mercado” a outros operadores financeiros menores que atuavam no dólar-cabo e em outras transações para lavagem de dinheiro.

Em um depoimento de 4 de março de 2004 ao juiz Sergio Moro e aos procuradores da força-tarefa CC5, Youssef disse que naquela época eram poucos “doleiros de doleiros” no Brasil e que um deles, além do próprio Youssef, era Messer.

“Bom, um era eu, a Tupi Câmbios, a Acaray, Câmbio Real, Sílvio Anspach, o Messer do Rio, o Rui Leite e o Armando Santoni. O Antônio Pires, eu nunca negociei com ele, então o meu relacionamento com ele era praticamente zero, eu conheço de nome, e sei com quem ele operava, mas nunca assim”, disse Youssef.

Operador de uma das contas da Beacon Hill – conta-ônibus  no JP Morgan Chase, de Nova York. em que vários doleiros brasileiros mantinham sub-contas -, Messer foi um dos alvos da operação Farol da Colina, sob tutela do até então desconhecido juiz Sergio Moro. Somente na Beacon Hill, as autoridades encontraram movimentações de US$ 13 bilhões provenientes de brasileiros.

Quando os investigadores do Banestado chegaram a Messer, ele se mudou, segundo Youssef, para o Uruguai.”A mesa do Messer foi para o Uruguai, eles estão trabalhando lá com sistema de call back, o Juan Miguel que é do Integracion também está no Uruguai, também estão trabalhando com o sistema call back. Sobrou o pessoal do Rio que está lá, estão quebrados, mas ainda continuam no mercado operando um pouco”, afirmou o doleiro que deu origem à Lava Jato.

Leia o trecho da primeira delação de Alberto Youssef em que ele cita Dário Messer:

Ministério Público Federal: Nós precisamos fazer uma distinção de doleiros que trabalham na ponta com os doleiros que trabalham para os doleiros, você seria um doleiro que trabalha para doleiro?
Youssef: Sim.
Ministério Público Federal: Sim. Você tem idéia de quantos são esses doleiros que trabalham para doleiros e quem são?
Youssef: Na minha época tinham poucos.
Ministério Público Federal: Na sua época até 2000?
Youssef: Não, na minha época que eu falo é a época que eu realmente tinha cobertura para poder vender para o mercado né.
Juiz Federal: E que época que era isso?
Interrogado: Que era de 1995, final de 1995, 1996 até 1999 por exemplo, foi uma época que existia cobertura, meia dúzia, entendeu, que dava cobertura para o mercado, não tinha mais que isso. Não eram mais que 6, 7 pessoas.
Ministério Público Federal: E quem seriam?
Youssef: Bom, um era eu, a Tupi Câmbios, a Acaray, Câmbio Real, Sílvio Anspach, o Messer do Rio, o Rui Leite e o Armando Santoni. O Antônio Pires, eu nunca negociei com ele, então o meu relacionamento com ele era praticamente zero, eu conheço de nome, e sei com quem ele operava, mas nunca assim…
Ministério Público Federal: E hoje, você pode dizer quem tem cobertura ou pode vir a descobrir inclusive localização e esses dados mais importantes para nós?
Youssef: Ah, sim. Isso…
Ministério Público Federal: Mas tem idéia de quem opera ainda? O Messeer, por exemplo, ele ainda opera?
Interrogado: Não, a mesa do Messer foi para o Uruguai, eles estão trabalhando lá com sistema de call back, o Juan Miguel que é do Integracion também está no Uruguai, também estão trabalhando com o sistema call back. Sobrou o pessoal do Rio que está lá, estão quebrados, mas ainda continuam no mercado operando um pouco. E aquele pessoal grande de São Paulo que nós vamos identificar todos eles aí e