Documentos enviados por escritório mostram que Miller atuou para J&F ainda como procurador, diz Janot

Documentos enviados por escritório mostram que Miller atuou para J&F ainda como procurador, diz Janot

Ex-procurador teria auxiliado o grupo empresarial 'no que toca o acordo de leniência firmado pela empresa com o Ministério Publico Federal'

Rafael Moraes Moura e Breno Pires / BRASÍLIA

11 Setembro 2017 | 15h55

Ex-procurador Marcelo Miller na sexta-feira, 8, no Rio. FOTO: FABIO MOTTA/ESTADÃO

O escritório de advocacia Trench Rossi Watanabe encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) documentos internos que mostram que Marcello Miller atuou para o grupo J&F antes mesmo de se desligar do cargo de procurador da República, informou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

A informação consta no pedido formulado por Janot para que o empresário Joesley Batista, dono do grupo J&F, o executivo Ricardo Saud e Miller fossem presos. O ministro Edson Fachin, relator do caso, atendeu ao pedido de prisão temporária de Joesley e Saud, mas não de Miller.

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Segundo Janot, no dia 6 de setembro deste ano, atendendo a um pedido feito pela PGR, o escritório Trench Rossi Watanabe encaminhou o material referente a uma investigação interna envolvendo a atuação de Miller no escritório.

“Entre os documentos apresentados constam elementos de que, antes de março do corrente ano, Marcello Miller já auxiliava o grupo J&F no que toca o acordo de leniência firmado pela empresa com o Ministério Publico Federal”, ressaltou o procurador-geral da República.

Segundo Janot, há trocas de e-mails entre Marcello Miller e uma advogada do escritório, “em época em que ainda ocupava o cargo de procurador da República, com marcações de voos para reuniões, referências a orientações à empresa J&F e inícios de tratativas em benefícios à mencionada empresa”.

O envolvimento de Miller com a J&F é um dos principais pontos questionados pela defesa do presidente Michel Temer, que tenta afastar Janot do caso.

“As evidências colhidas até o momento demonstram que é absolutamente plausível a suspeita de que Marcello Miller tenha, na sua atuação junto ao grupo J&F, cometido o crime de exploração de prestigio, art. 357 do Código Penal. Ha possibilidade, outrossim, de ter sido cooptado pela organização criminosa da qual fazem parte Joesley Batista e Ricardo Saud, passando, em princípio, a integrá-la”, ponderou Janot.

“Se não bastasse, há, indicativo de que Marcello Miller, ainda na condição de procurador da República, teria, em princípio, ajudado os colaboradores a filtrar informações, escamotear fatos e provas e ajustar depoimentos e declarações, em benefício de terceiros que poderiam estar inseridos no grupo criminoso”, ressaltou o procurador-geral da República.

DEFESAS. Procurada pela reportagem, o escritório de advocacia Trench Rossi Watanabe informou que ‘está auxiliando as autoridades competentes e continua à disposição das mesmas, a exemplo de como tem se portado ao longo de seus mais de 50 anos de trajetória no mercado brasileiro de serviços jurídicos, sempre pautados pela ética e transparência’. “O escritório está entregando todos os documentos solicitados pela Procuradoria-Geral da República. Reitera ainda e que os profissionais mencionados nas investigações não fazem mais parte de seu quadro de advogados”.

O escritório comunicou que entregou todos os documentos solicitados pela PGR e reiterou que Miller não faz mais parte do quadro de advogados do escritório.

A defesa do advogado Marcello Miller informou que só teve acesso ao pedido da PGR nesta segunda-feira e está preparando as medidas cabíveis

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