Jamil Chade / Estadão
Jamil Chade / Estadão

Tacla Duran questiona Lava Jato em Comissão na Câmara

Advogado considerado foragido pela Justiça brasileira será ouvido a pedido de deputado petista

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

05 Junho 2018 | 07h11

MADRI - Apontado pela força-tarefa da Lava Jato como um dos operadores da Odebrecht no esquema de corrupção, o advogado Rodrigo Tacla Duran depõe nesta terça-feira na sessão da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados. Duran, que afirma ter trabalhado para a construtora, acusa a Lava Jato de  “cerceamento do direito de defesa” e questiona as informações prestadas pela empreiteira em seu acordo de colaboração com a Justiça.

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Vivendo na Espanha e considerado foragido pelo juiz federal Sérgio Moro, Tacla Duran é alvo de processos no Brasil e mencionado em investigações recentes. O ex-presidente da Odebrecht Engenharia Industrial Márcio Faria da Silva, por exemplo, entregou aos investigadores da Lava Jato de Curitiba um fluxograma com informações sobre o caminho da propina paga a integrantes do PMDB em troca de um contrato milionário na Diretoria de Internacional da Petrobras. No fluxograma, a propina para os emedebistas saiu em parte das contas operadas pelo Setor de Operações Estruturadas com destino à conta de offshore GVtel, em nome de Tacla Duran. Ele também foi alvo de uma das fases da Lava Jato,  48ª fase da Lava Jato, que mirou em contratos de pedágio no Paraná.

Duran participará de uma sessão da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados, a convite do deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), o autor do requerimento para a Comissão ouvir o advogado em audiência pública, por meio de videoconferência. Damous, um dos mais ativos parlamentares na defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso em Curitiba. 

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“Vou esclarecer sobre diversos cerceamentos de defesa que eu sofri e venho sofrendo”, disse Tacla ao Estado. “São diversos, inclusive sobre documentos que sumiram dos expedientes brasileiros. Isso se agravou principalmente depois que dei um depoimento na CPI da JBS”, insistiu. 

Ele também questiona o fato de não ter sido ouvido como testemunha do Brasil. “Já fui testemunha em nove rogatórias internacionais. E, no caso do Brasil, no dia 4 de dezembro de 2017, compareci (à Audiência Nacional da Espanha) para atender a uma rogatória brasileira”, explicou. “E os procuradores que solicitaram para vir, não vieram. A minha colaboração com Peru, Equador e Andorra, por exemplo, se mostrou extremamente eficaz. Resultou em diversas prisões e até em renúncias de presidentes”, disse.

Odebrecht

Procurada, a empresa garantiu que sua colaboração com as autoridades é “ampla, detalhada e contínua”. “A totalidade das informações de que a empresa dispunha foi colocada à disposição das autoridades”, disse. “A Odebrecht assinou Acordo de Leniência com o Brasil, Estados Unidos, Suíça, República Dominicana, Equador, Panamá e Guatemala. Implantou um sistema para prevenir, detectar e punir desvios ou crimes. E adotou modelo de gestão que valoriza não só a produtividade e a eficiência, mas também a ética, a integridade e a transparência”, completou.

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