NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Estimulados por Bolsonaro, atos ocorrem em ao menos 6 capitais; no RS, houve agressão

Grupos pequenos de manifestantes foram às ruas em São Paulo, Brasília e mais quatro cidades; no Rio Grande do Sul, mulher foi agredida

Tiago Aguiar, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2020 | 17h39

Estimulados pelo presidente Jair Bolsonaro, manifestantes foram às ruas de São Paulo neste domingo, 19, pelo segundo dia consecutivo em apoio ao governo federal e contra o isolamento social. Uma faixa de um quarteirão da Avenida Paulista chegou a ser fechada à tarde. Ontem, o número de mortes no Estado pela covid-19 passou de mil.

Bolsonaro fez uma participação no ato, via chamada de voz, por meio do celular do publicitário Sérgio Lima, que trabalha no partido em formação Aliança pelo Brasil. Nem todos conseguiram ouvir a chamada, devido ao barulho que faziam os manifestantes.

Os organizadores haviam convocado carreatas, mas muitos manifestantes participaram a pé, o que causou pontos de aglomeração, com concentração em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Nos dois dias, carros e motos partiram do ginásio do Ibirapuera.

Assim como havia ocorrido em manifestação semelhante ocorrida no sábado, manifestantes atacaram o governador João Doria (PSDB) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e criticaram o Supremo Tribunal Federal (STF) e a imprensa. Além de Brasília e São Paulo, houve atos em ao menos quatro capitais – Rio, Salvador, Porto Alegre e Manaus. Em Ribeirão Preto, a carreata deste domingo foi proibida por um juiz a pedido do Ministério Público Estadual.

Tomé Abduch, porta voz do movimento Nas Ruas, ligado à deputada federal Carla Zambelli  (PSL-SP), convidou ao longo da semana para a carreata deste domingo e o movimento pedia para que as pessoas não saíssem dos carros.

"As nossas pautas serão 'Fora Rodrigo Maia', que ninguém mais suporta esse homem governando nosso país, 'o isolamento vertical responsável' e também a 'PL 149 não' que pode destruir o nosso país e dar para os governadores de todos os Estados um dinheiro gigantesco sem qualquer contrapartida", disse Tomé em vídeo postado nesta manhã.

O “isolamento vertical” é a o isolamento social apenas dos que estão no grupo de risco à exposição ao vírus, como maiores de 60 anos e portadores de doenças crônicas. A teoria é vista com ceticismo pela comunidade médica. O PL 149 foi aprovado nesta segunda-feira, 13, pela Câmara dos Deputados. O projeto que estabelece auxílio financeiro a Estados e municípios durante seis meses pela perda das receitas com arrecadação de impostos por causa da pandemia do novo coronavírus, o Senado resolveu priorizar um projeto próprio para poder dar a palavra final sobre a medida. Nesta semana o presidente disse, em entrevista à rede de TV CNN, que a atuaçãode Maia é “péssima” e insinuou que o parlamentar trama contra o seu governo

A página do Movimento Avança Brasil, movimento bolsonarista com maior número de seguidores, além do 'Fora Doria', pedia a saída do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e dos presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre. A página transmitiu imagens dos atos dos dois dias.

Mulher é agredida em Porto Alegre

A manifestação a favor de intervenção militar e pelo fechamento do Congresso e do Supremo terminou em confusão em Porto Alegre. Simpatizantes do presidente tentaram agredir uma mulher e seus amigos, que usavam uma máscara com os dizeres "Fora Bolsonaro". Uma mulher levou um soco quando tentou evitar a confusão, segundo boletim de ocorrência registrado no 1º DP da cidade. Ela tirou fotos do agressor e as encaminhou à polícia.

O presidente participou de ato em Brasília no início da tarde deste domingo. Na capital federal os manifestantes pediam o fechamento do Congresso Nacional, a volta do AI-5 e as Forças Armadas nas ruas.

Panelaços

Nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, na noite deste domingo, manifestantes protestaram contra o presidente. No Rio moradores da zona sul - como de Botafogo, Laranjeiras, Cosme Velho, Humaitá e Flamengo - promoveram panelaços e gritaram pedindo a saída do presidente. 

As manifestações têm acontecido diariamente, principalmente em resposta ao posicionamento de Bolsonaro frente à pandemia do coronavírus. O presidente defende a flexibilização do isolamento. 

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