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FHC: 'Não sou médico, mas devemos ouvir os especialistas. O único remédio nesse momento é ficar em casa' Alex Silva/Estadão

Fernando Henrique pede renúncia de Bolsonaro: ‘Poupe-nos de um impeachment’

Tucano diz que presidente está cavando sua própria ‘fossa’, e que é melhor que o vice, Hamilton Mourão, assuma para o País ‘voltar ao foco’

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2020 | 14h37
Atualizado 24 de abril de 2020 | 21h23

Após a demissão do ministro Sérgio Moro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cobrou nesta sexta-feira, 24, em suas redes sociais, que o presidente Jair Bolsonaro renuncie. Segundo ele, a sociedade deve ser poupada de mais um processo de impeachment.

“É hora de falar. Pr (presidente da República) está cavando sua fossa. Que renuncie antes de ser renunciado. Poupe-nos de, além do coronavírus, termos um longo processo de impeachment. Que assuma logo o vice para voltarmos ao foco: a saúde e o emprego. Menos instabilidade, mais ação pelo Brasil”, escreveu o tucano, fazendo referência ao vice-presidente Hamilton Mourão.

No pronunciamento em que anunciou sua demissão, Moro afirmou que Bolsonaro quis ter acesso a relatórios de inteligência da PF, que são sigilosos. Relatou que investigações no STF preocupavam o presidente da República. “O presidente me quer fora do cargo”, disse Moro. Na visão dele, a demissão de Valeixo de forma “precipitada” foi uma sinalização de que Bolsonaro queria a sua saída do governo.

“O presidente me disse que queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse colher informações, relatórios de inteligência, seja diretor, superintendente, e realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação. As investigações têm de ser preservadas. Imagina se na Lava Jato, um ministro ou então a presidente Dilma ou o ex-presidente (Lula) ficassem ligando para o superintendente em Curitiba para colher informações”, disse Moro, ao comentar as pressões de Bolsonaro para a troca no comando da PF.

A saída de Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública teve repercussão imediata. Além dos panelaços registrados nas principais cidades do País enquanto o agora ex-ministro discursava, líderes de diferentes partidos, governadores e ex-ministros comentaram o discurso de despedida do ex-chefe da operação Lava-Jato.

Temer divulga nota

Em nota, o ex-presidente Michel Temer disse que o Brasil está atravessando "a maior crise da sua história":  "sanitária, econômica e agora uma crise política". "Para crise sanitária e econômica precisamos de união, solidariedade e muita energia. Para crise política as palavras chaves são equilíbrio e responsabilidade. Só assim sairemos maiores de todas elas", afirmou.

 

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‘É o caso de pedir impeachment’, diz Reale Jr.

Um dos autores do pedido de impedimento de Dilma, o jurista diz que Bolsonaro apresentou um 'grau de insanidade' que mistura 'paranoia e insanidade'

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2020 | 18h32

Um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff (PT), o jurista Miguel Reale Jr, ex-ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso, disse ao Estado que chegou o momento de pedir o impedimento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). 

“Sem a menor dúvida é o caso de pedir o impeachment dele. Essa revelação do (Sérgio) Moro mostra que o presidente não conhece a esfera da Polícia Federal. Eu fui ministro da Justiça e nunca interferi em um inquérito. Ele querer ter acesso e acompanhar os inquéritos é uma afronta ao Poder Judiciário”, disse o jurista.

Reale afirmou, porém, que dessa vez  não pretende apresentar um pedido de impedimento.“Eu já recebi solicitação de A a Z, mas não pretendo apresentar nenhum pedido.”  Para o ex-ministro, o presidente da República apresentou um “grau de insanidade” que mistura “paranoia e insanidade”.  “É como um bêbado que um dia cai no meio do salão”, afirmou.

Ruas

Após Moro declarar que deixa o cargo após Bolsonaro ter exonerado Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da Polícia Federal, os grupos que foram às ruas pedir o impeachment de Dilma agora avaliam encampar um movimento pelo impedimento do presidente Jair Bolsonaro.

“O MBL (Movimento Brasil Livre) avalia pedir o impeachment de Bolsonaro. As declarações do Moro configuram crime de falsidade ideológica e a demissão de Valeixo foi obstrução de Justiça”, disse Renato Battista, coordenador nacional do movimento.

O ativista afirmou, ainda, que se arrependeu de ter votado em Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais. “Hoje eu anularia”, afirmou. 

Fundador do grupo Vem Pra Rua, Rogério Chequer disse que o grupo defende que se siga o mesmo caminho de Dilma. “A pressão popular pelo impeachment é crescente.” O ativista afirmou, ainda, que é difícil comparar os casos de Dilma e Bolsonaro. Perguntado se estava arrependido de ter votado no presidente no segundo turno, respondeu: “Não me arrependo porque jamais votaria no PT”.

 

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PSB vai pedir impeachment de Bolsonaro e propõe criação de CPI na Câmara

Decisão foi tomada após denúncias feitas pelo agora ex-ministro da Justiça Sergio Moro durante anúncio de sua demissão

Marlla Sabino, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2020 | 19h05

BRASÍLIA – O Partido Socialista Brasileiro (PSB) informou, na tarde desta sexta-feira, 24, que pedirá impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Segundo nota, a decisão foi tomada após denúncias feitas pelo agora ex-ministro da Justiça Sergio Moro durante anúncio de sua demissão.

Durante pronunciamento, Moro acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente no comando da Polícia Federal para obter informações sigilosas. Ainda disse que não teria assinado a exoneração do diretor-geral da PF, embora o documento publicado no Diário Oficial tenha sua assinatura. 

O partido também informou que deu início à criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para “investigar as práticas de crimes de obstrução de justiça, falsidade ideológica, prevaricação, tráfico de influência, entre outras condutas criminosas que possam ter sido cometidas por Bolsonaro”.

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