DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Durante pronunciamento de Bolsonaro, cidades registram novos paneleços

Presidente Jair Bolsonaro falou, horas antes, em 'restabelecer a verdade'; ex-juiz da Lava-Jato entregou o cargo na manhã desta sexta-feira, 24

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2020 | 12h03
Atualizado 24 de abril de 2020 | 18h00

O presidente Jair Bolsonaro voltou a ser alvo de panelaços durante pronunciamento na tarde desta sexta-feira, 24. Bolsonaro convocou uma coletiva para se defender das acusações do agora ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, de que o presidente estaria preocupado com inquéritos em curso e que pretende interferir na Polícia Federal para além da troca do diretor-geral. Pela manhã, durante a fala de Moro, panelaços já haviam sido registrados em bairros de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.

Em São Paulo, os panelaços foram ouvidos em ao menos oito bairros: Perdizes, República, Santa Cecília, Consolação, Bela Vista, Barra Funda, Vila Madalena e Pinheiros. O panelaço foi acompanhado de gritos de "Fora, Bolsonaro".

O Rio registrou um barulhento panelaço acompanhado de gritos de "fora Bolsonaro" e "assassino". As manifestações puderam ser ouvidas em vários cantos da cidade. Na zona sul, houve panelaços fortes em Copacabana, Ipanema, Jardim Botânico, Botafogo, Leblon, Laranjeiras e Cosme Velho. Na zona norte, Tijuca, Grajaú e Guadalupe protestaram. O mesmo aconteceu no Recreio dos Bandeirantes e em Vila Valqueire, na zona oeste.

Moro fora

Em seu discurso de entrega do cargo, Moro acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente no comando da Polícia Federal para obter acesso a informações sigilosas e relatórios de inteligência. “O presidente me quer fora do cargo”, disse Moro, ao deixar claro que a saída foi motivada por decisão de Bolsonaro.

“O presidente me disse que queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse colher informações, relatórios de inteligência, seja diretor, superintendente, e realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação. As investigações têm de ser preservadas. Imagina se na Lava Jato, um ministro ou então a presidente Dilma ou o ex-presidente (Lula) ficassem ligando pro superintendente em Curitiba para colher informações”, disse Moro, ao comentar as pressões de Bolsonaro para a troca no comando da PF.

 

Tudo o que sabemos sobre:
Sérgio MoroJair Bolsonaropanelaço

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.