REUTERS/Ueslei Marcelino
REUTERS/Ueslei Marcelino

Saída de Moro da Justiça repercute entre a classe política

Governadores, ex-ministros e parlamentares comentaram a entrega do cargo por Moro e o discurso de despedida do ex-ministro

Caio Sartori e Renato Vasconcelos, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2020 | 12h26

A saída do ex-juiz federal Sérgio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública teve repercussão imediata. Além dos panelaços registrados nas principais cidades do País enquanto o agora ex-ministro discursava, representantes de diferentes partidos comentaram o discurso de despedida do ex-chefe da operação Lava-Jato.

Em seu discurso de entrega do cargo, Moro acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente no comando da Polícia Federal para obter acesso a informações sigilosas e relatórios de inteligência. “O presidente me quer fora do cargo”, disse Moro, ao deixar claro que a saída foi motivada por decisão de Bolsonaro.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), foi um dos que lamentou a saída de Moro do ministério, lembrando do histórico do juiz no combate à corruupção. "O Brasil perde muito com saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça. Moro mudou a história do País ao comandar a Lava Jato e colocar dezenas de corruptos na cadeia. Deu sinal de grandeza ao deixar a magistratura, para se doar ainda mais ao nosso País como ministro", escreveu.

Outro ex-ministro a deixar o governo recentemente, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) parabenizou Moro pelo trabalho no governo federal. Mandetta destacou o caráter técnico do ex-ministro e agradeceu o empenho. "O trabalho realizado sempre foi técnico. Durante a epidemia trabalhamos mais próximos, sempre pensando no bem comum. Parabéns pelo trabalho Ministro Sérgio Moro. O país agradece! Outras lutas virão!."

Governador de Goiás e aliado de primeira ordem do presidente Jair Bolsonaro até o início da pandemia, Ronaldo Caiado escreveu que é "lamentável" que a situação tenha chegado ao ponto da saída do ministro. Caiado ressaltou o papel de Moro no combate à corrupção. "O Sérgio Moro tem uma vida de grandes serviços prestados ao País na moralização e no combate à corrupção. Lamentável que essa situação tenha chegado a esse ponto.

Já o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), declarou que a saída de Moro do cargo agrava a "crise interna do governo Bolsonaro". "A permanente instabilidade política mesmo em meio à pandemia fragiliza as instituições democráticas e mantém a angústia dos brasileiros", escreveu.

Proposta de emprego

O governador do Rio, Wilson Witzel, disse que "ficaria honrado" com a presença do ex-ministro Sérgio Moro em seu governo. No Twitter, o mandatário fluminense destacou que ambos são ex-juízes e compartilham princípios e uma missão: "o combate ao crime." Witzel também afirmou que Moro teria carta branca se entrasse para o governo do Rio. 

"Assisto com tristeza ao pedido de demissão do meu ex-colega, o Juiz Federal Sergio Moro, cujos princípios adotamos em nossa vida profissional com uma missão: o combate ao crime. Ficaria honrado com sua presença em meu governo porque aqui, vossa excelência, tem carta branca sempre", publicou o governador, que é um dos alvos preferidos dos ataques do presidente Jair Bolsonaro. 

O presidente nacional do Democratas e prefeito de Salvador, ACM Neto, destacou o trabalho desenvolvido por Sérgio Moro no Ministério da Justiça. "Neste momento não posso deixar de ressaltar o importante trabalho realizado pelo ex-ministro Sergio Moro no combate à corrupção e sua luta em defesa da moralidade na vida pública do nosso país", declarou. 

Ilegalidades no discurso

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), foi um dos que preferiu se manifestar a respeito do discurso do ex-juiz. Por meio de sua conta no Twitter, Dino afirmou que Moro confessu ilegalidade ao admitir que pediu uma pensão ao presidente para aceitar o cargo. "Moro, infelizmente, confessa mais uma ilegalidade: pediu pensão ou algo similar pra aceitar um cargo em comissão. Algo nunca antes visto na história. E tal condição foi aceita ? Não posso deixar de registrar o espanto".

Outro que repercutiu pontos colocados por Moro durante seu discurso foi o ex-prefeito de São Paulo e candidato à presidente pelo PT em 2018, Fernando Haddad. "Vários crimes de responsabilidade descritos por Moro. Os ministros, especialmente os militares que ainda respeitam esse país, deveriam renunciar a seus cargos e forçar a renúncia. O impeachment é processo longo. A crise sanitária e econômica vai se agravar se nada for feito".

Entidades políticas

Não foram apenas líderanças políticas que repercutiram a saída de Sérgio Moro do ministério. Entidades políticas também se manifestaram a respeito da entrega do cargo pelo ex-juiz-federal.

A Frente Nacional de Prefeitos (FNP), por meio de seu presidente, Jonas Donizette, prefeito de Campinas, disse reconhecer o trabalho realizado por Moro e ressaltou a gravidade das denúncias feitas pelo ex-ministro em seu discurso de despedida.

“Reconhecemos o trabalho desenvolvido por Sérgio Moro, no comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que sempre acolheu as demandas da Frente Nacional de Prefeitos (FNP).  Alertamos para a gravidade das declarações sobre as possíveis interferências políticas em investigações e inquéritos em andamento. Sobre isso, pedimos que sejam tomadas as devidas medidas de apuração e investigação. O país precisa saber do que se tratam essas denúncias”, disse em nota.

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