Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Em prévias marcadas por divergências, tucanos pedem unidade

Resultado da votação do PSDB foi adiado para as 18h por causa de lentidão no aplicativo usado por filiados

Eduardo Gayer, Lauriberto Pompeu e Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2021 | 11h01
Atualizado 21 de novembro de 2021 | 12h30

BRASÍLIA - Tucanos decidem em votação neste domingo, 21, o próximo candidato do partido à Presidência. Diante da polarização entre os candidatos nas prévias, o governador de São Paulo, João Doria, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, pediram unidade. Os dois são os principais concorrentes à indicação do partido – o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio também está na disputa.

Primeiro a comparecer à votação presencial em Brasília, o gaúcho reafirmou sua confiança na vitória para “retirar o País da polarização” entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022. "Vamos unir o PSDB e depois vamos unir o Brasil”, disse a jornalistas.

Acompanhado pelo vice-governador Rodrigo Garcia, pela deputada federal Joice Hasselmann e pelo senador Izalci Lucas, Doria garantiu que a legenda está unida “e permanecerá”. Ele também voltou a pedir votos aos filiados. “Não desista, seu voto vale muito”. 

O evento para marcar as prévias do PSDB acontece neste domingo em Brasília, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Doria e Leite têm torcidas organizadas e uniformizadas no evento, que, com bandeiras e adesivos, entoam “gritos de guerra”. 

Leite descartou qualquer rompimento com Doria. "Eu tenho convicção que vamos trabalhar juntos", disse o gaúcho ao Estadão. Para falar sobre a situação com Doria, Leite usou o exemplo da eleição para o governo do Rio Grande do Sul em 2018, quando ele derrotou o então governador José Ivo Sartori (MDB) no segundo turno. "Dez dias depois estávamos juntos, sentados na sede do MDB convidando para entrar no governo, o MDB entrou no governo e participa desde o primeiro dia nos ajudando a governar", afirmou.

"Se nós conseguimos sentar com o adversário de outro partido para fazer composição, não vai ser dentro do partido que vai deixar de haver composição para poder ter um partido unido para ganhar as eleições", completou.

Virgílio, por sua vez, fez críticas ao clima de disputa interna no PSDB. "Dividir um partido pequeno, que já está estacionado, que veio de uma derrota acachapante em 2018, é uma demonstração clara e inequívoca de burrice", afirmou. "Eu vou torcer e apostar em uma unidade". 

O líder da bancada do PSDB na Câmara, o deputado Rodrigo de Castro (MG), reconheceu que o primeiro movimento depois da conclusão das prévias presidenciais será recuperar a unidade interna. “Precisamos fazer isso com diálogo, muita conversa e com a humildade de todos de reconhecer que a nossa unidade é muito importante”, disse Castro ao chegar no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, onde estão sendo realizadas as prévias tucanas.

Durante a campanha, Doria e Leite acabaram expondo uma divisão interna do PSDB e a expectativa é como o vencedor da disputa atuará para pacificar o partido para poder colocar, em seguida, sua candidatura presidencial nas ruas. Para Castro, que já declarou seu voto a favor de Leite, essas “marcas” da disputa vão “cicatrizar”. E ele concorda que o vencedor das prévias precisa ter essa tarefa da recuperação da unidade como prioridade antes de construir apoios fora do partido. “É preciso a gente estar unido. Uma disputa sempre deixa marcas. Vamos cicatrizar as marcas e partir para cima. Mas eu tenho certeza que isso vai ser feito em prazo bem rápido”, disse.

O presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, afirmou que é natural que o partido saia dividido após as prévias. "Deve e tem que provocar racha, eleição não é confraria, é disputa. Temos até agosto, que são as eleições do ano que vem, para construir entendimentos", disse. "Cabe ao escolhido de hoje demonstrar maturidade, liderança, no sentido de ter capacidade para construir e lamber as feridas internas, unir o partido e o campo do centro", completou.  

Virgílio admite que candidatura foi motivada pelo 'palanque'

Virgílio admitiu que sua candidatura nas prévias do PSDB não é para valer. Ele não tem chances de vencer neste domingo. "Eu não sou candidato, nunca fui, tinha que dizer que era para poder falar de Amazônia, mulher, democracia, negro, índio, reformas, controle da inflação, acalmar o câmbio, ajuste fiscal", explicou. "Eu precisava desse palanque", completou.

Eduardo Leite tem o apoio de nomes experientes da legenda, como o senador Tasso Jereissati (CE) e o deputado Aécio Neves (MG). Doria, por sua vez, recebeu o aval do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do senador licenciado José Serra (SP).

Vencedor da disputa será anunciado no fim da tarde   

A votação dos filiados ocorre por meio eletrônico ou presencial e será encerrada às 15 horas. O resultado deve ser anunciado às 18 horas pelo presidente nacional do PSDB. O horário de divulgação do resultado foi adiado por causa de lentidão no aplicativo de votação usado por filiados. O app já havia provocado uma discordância entre as campanhas de Doria e Leite. 

Até as 10h, cerca de 5.000 filiados haviam votado, o que representa 11,18% dos 44.700 eleitores inscritos. No auditório onde ocorre a votação presencial em Brasília, foi montada uma grande estrutura, com a reprodução de jingles das últimas campanhas presidenciais do partido.

Durante a abertura do evento, o ex-prefeito de São Paulo Bruno Covas foi homenageado. O filho dele, Tomás Covas, de 16 anos, discursou e exaltou a memória do pai e também fez elogios à legenda.  “Nesse grande evento de democracia interna do partido, de demonstração de força e vida do partido, é um momento muito importante essa homenagem”, afirmou Tomás. “Meu pai era um homem de partido, fazia partido, fazia política de grupo. O partido é exatamente isso, a gente disputa, a gente é combativo, mas no final todos são vencedores da democracia, todos são vencedores do PSDB”; completou pregando harmonia.

 

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