Felipe Rau/Estadão - 12/11/2021
As prévias do PSDB são disputadas pelos governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS), e pelo ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio; na foto, os candidatos participam de debate promovido pelo 'Estadão', em São Paulo. Felipe Rau/Estadão - 12/11/2021

Resultado de prévias do PSDB deve influir no tamanho do centro político

Escolha do pré-candidato tucano à Presidência terá reflexo na articulação para a formação da terceira via; Doria e Leite são favoritos em disputa que expôs racha na sigla

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2021 | 05h00

O PSDB escolhe hoje seu pré-candidato à Presidência da República em uma definição que terá reflexos nas articulações para a consolidação de uma terceira via na disputa de 2022. O resultado das prévias do partido, nas quais disputam efetivamente os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS), deverá influenciar no processo de concentração ou expansão de outras pré-candidaturas colocadas no chamado centro político.

Após dois meses de campanha oficial, os concorrentes tucanos – incluindo Arthur Virgílio (AM), ex-senador e ex-prefeito de Manaus – ainda são vistos com ceticismo pelos partidos e lideranças que buscam alternativas eleitorais à polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder das pesquisas de intenção de voto, e o atual presidente Jair Bolsonaro. Tanto Doria quanto Leite afirmam que estão abertos a uma aliança que não tenha necessariamente o candidato tucano como cabeça de chapa, mas o primeiro passo concreto nesse sentido vai ocorrer nos dias seguintes à divulgação do resultado. O vencedor das prévias deve fazer gestos no sentido de união das forças de centro.

Se o governador paulista for o vitorioso, a expectativa é que ele e o ex-ministro Sérgio Moro estreitem a relação após as prévias do PSDB e sejam vistos juntos em iniciativas de unidade da terceira via, que hoje soma mais de dez nomes.

O primeiro movimento para afunilar esse campo seria unir os dois “players” apontados como mais fortes, que seriam Moro e o escolhido tucano. Alguns integrantes do PSDB sonham com um palanque presidencial com Doria e o ex-juiz, mas ambos não pretendem falar disso tão cedo. Ontem, Doria defendeu conversas com outros pré-candidatos da terceira via e citou, além de Moro, os nomes do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), e da senadora Simone Tebet (MDB). “Terceira via, se não for fragmentada, será a melhor via”, disse.

Ironizando Doria, que falou em procurar os presidenciáveis, Leite buscou se apresentar como melhor opção para construir uma aliança. “Não preciso buscar; sempre tive diálogo com essas candidaturas e deixei claro que não se trata de projeto pessoal”, afirmou, voltando a sinalizar que pode abrir mão da cabeça de chapa.

Unidade

Outro desafio imposto está na unidade do próprio PSDB. Publicamente, os governadores de São Paulo e do Rio Grande do Sul já se comprometeram a apoiar o vencedor em caso de derrota. O acirramento das primárias internas atingiu um nível mais elevado do que o imaginado. Segundo avaliação de parte do tucanato, o presidenciável escolhido terá uma missão delicada pela frente: promover uma conciliação com ala bolsonarista da bancada federal, cerca de 15 dos 34 deputados, ou o expurgo desse grupo.

Processo inédito, as prévias devem movimentar mais de 44 mil filiados. Apesar de o número representar só 3% do total de tucanos no País, a decisão de reuni-los nas prévias pode ajudar a sigla a recuperar parte de seu protagonismo. Esse movimento vai depender da capacidade do vencedor em construir novas pontes em Estados onde o eleitorado já foi majoritariamente tucano – como Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul –, mas aderiu a Jair Bolsonaro em 2018. “Essa parte da bancada vai permanecer ou aderir ao bolsonarismo? A dinâmica das prévias tem potencial de unificação, mas isso vai depender da habilidade do vencedor de estabelecer a unidade”, avaliou o cientista político José Álvaro Moisés, da USP. 

Fraturas

“A impressão era que as prévias fortaleceriam o PSDB, mas foram muitos os desgastes. O saldo foi mais negativo do que positivo”, disse o deputado federal Junior Bozella (SP), dirigente do União Brasil, partido que nasce da fusão de DEM e PSL. A nova legenda terá uma das maiores fatias dos fundos públicos de financiamento de campanha e de propaganda na TV, potencial na mira dos partidos do centro expandido, como o PSDB e o Podemos, de Moro. 

“A chegada de Moro baixou o ímpeto do PSDB”, afirmou Bozella. Presidente do PSDB, Bruno Araújo discorda. Diz acreditar que as prévias darão “musculatura” ao escolhido no domingo. /COLABORARAM ADRIANA FERRAZ E EDUARDO GAYER

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PSDB sairá das prévias mais conflagrado do que entrou

Grande desafio do vencedor das eleições internas é curar feridas na seara tucana e refazer pontes com outras siglas da centro-direita

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2021 | 05h00

BRASÍLIA - O PSDB sai hoje das prévias para a escolha do pré-candidato à Presidência da República mais conflagrado do que entrou. Agora, o grande desafio do vencedor da disputa será não apenas curar feridas internas como refazer pontes com outros partidos de centro-direita, na tentativa de liderar uma chapa da terceira via à sucessão do presidente Jair Bolsonaro, em 2022.

O duelo não é somente entre o governador de São Paulo, João Doria, e o do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Trata-se de um confronto entre grupos e visões que eles representam dentro do PSDB. Confiante na vitória, Doria já preparava ontem o discurso do “day after”, pregando a unidade do partido.

Se o governador paulista for candidato, aparecerá na campanha como “João”, o homem responsável por trazer a vacina contra covid-19 para o Brasil. O grupo do governador paulista avalia que a vacina será para ele, em 2022, o que o Plano Real foi para Fernando Henrique Cardoso, em 1994.

Eduardo Leite, por sua vez, é apoiado pelo deputado Aécio Neves (MG), inimigo de Doria. Em vídeo divulgado ontem, Leite disse que as prévias serviam para o PSDB decidir se terá “viabilidade eleitoral” em 2022 ou se sairá “vencido” antes da hora. Da velha guarda do tucanato, o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio não tem chance nesse páreo, mas foi quem lançou a questão mais relevante da campanha, chamando a atenção para a necessidade de “desbolsonarização” do PSDB.

Desde o vexame nas urnas na eleição de 2018 ao Palácio do Planalto, quando Geraldo Alckmin não chegou a 5% dos votos, o partido se dividiu ainda mais e uma ala significativa aderiu ao governo de Jair Bolsonaro. De lá para cá, o racha só se aprofundou.

Com o PSDB em crise de identidade e o campo da centro-direita em busca de um nome que possa representar o tal projeto alternativo a Bolsonaro e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os tucanos correm o risco de ver seu candidato “cristianizado” antes do fim da jornada.

“Tudo vai depender do vigor do nosso candidato para ir além do PSDB”, afirmou o ex-chanceler Aloysio Nunes, que declarou voto em Doria. “Se conseguirmos mandar uma mensagem de esperança, acabaremos aglutinando os votos dispersos da terceira via.” 

Onda

Candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Aécio, em 2014, Aloysio é do grupo dos históricos do PSDB. No diagnóstico do ex-chanceler, porém, a “desbolsonarização” do partido não será obtida com medidas disciplinares. “Muitos dos nossos parlamentares foram eleitos nessa onda (pró-Bolsonaro) e permanecerão nela. Votam com o governo agora, ainda mais com o estímulo de verbas e nomeações, e tendem a ‘cristianizar’ nosso candidato se até as eleições ele não tiver chances de vitória.”

A entrada do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro embaralhou ainda mais o jogo para o PSDB. Recém-filiado ao Podemos, o ex-juiz da Lava Jato vem ganhando adesões em uma faixa do eleitorado que votava em candidatos tucanos. Diante desse cenário, há no PSDB quem já vislumbre a possibilidade de uma dobradinha com Moro, tendo o ex-juiz na cabeça de chapa.

“O filiado do PSDB não vai para as prévias escolher candidato a vice”, rebateu o ex-ministro Antonio Imbassahy, secretário especial de Doria. Para ele, o trabalho de “pacificação” do PSDB dará resultados e a “desbolsonarização” é “inevitável”.

Debandada

Há, no entanto, outro fator de instabilidade política: está em curso um movimento de desfiliação no PSDB e seu tamanho depende do desfecho das prévias. Uma dessas pontas é puxada por Alckmin, avalista da candidatura de Leite. Desafeto de Doria, Geraldo – como é chamado no partido – se anima agora até mesmo com a proposta para se filiar ao PSB e ser vice na chapa de Lula

“Assim como o Brasil, o PSDB vive um momento de transição. O que está em jogo é nosso futuro”, resumiu o senador Tasso Jereissati, ao pregar “sangue novo” na legenda. Resta saber, porém, se o PSDB ainda consegue se reinventar.

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Prévias revitalizaram o PSDB, afirma Doria

Para governador de São Paulo, disputa renova lideranças da sigla e dá impulso às realizações da legenda, como o Plano Real

Entrevista com

João Doria, governador do Estado de São Paulo

Pedro Venceslau e Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2021 | 05h00

O governador de São Paulo, João Doria, afirmou ao Estadão que a realização das prévias do PSDB "revitalizou" o partido e "renovou" as lideranças da sigla. Na entrevista, ele afirma que a legenda sairá fortalecida do processo, seja qual for o vencedor da eleição realizada neste domingo. Da disputa entre Doria, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o ex-senador Arthur Virgílio (AM) sairá o pré-candidato do partido à Presidência da República em 2022.

Leia abaixo a entrevista.

Em caso de vitória no domingo, o sr. admite a hipótese de abrir mão da cabeça de chapa para compor com outro nome da terceira via caso ele esteja mais bem colocado nas prévias?

Mal superamos uma etapa, vocês já querem resposta para outra. Calma. Uma coisa de cada vez. As prévias demonstraram que o nosso partido está pronto para voltar a resolver as grandes questões nacionais, especialmente o combate à inflação, a atração de investimentos e a geração de empregos. Por isso, o PSDB vai agora elaborar um projeto nacional amplo, dialogando com diversas forças políticas, econômicas e sociais. O Brasil não quer a volta do mensalão e do petrolão. Nem quer manter o negacionismo e as rachadinhas. O Brasil quer um líder com experiência na gestão pública e privada, que saiba formar equipes qualificadas e que tenha implantado políticas públicas inovadoras, com resultados comprovados. O PSDB mostrou tudo isso nas prévias. Tem políticas públicas inovadoras. Temos gestores testados e aprovados. E nossos governos têm entregas e realizações que transformam o Brasil e melhoram a vida das pessoas. O juiz da eleição é o eleitor – e ele ainda está distante das questões eleitorais de 2022.

Se o sr. perder as prévias, se compromete a apoiar o vencedor em 2022?

Disse isso durante a campanha das prévias. E reforço o que disse porque tive a garantia do presidente Bruno Araújo de que teremos segurança no processo de votação e totalização. Acredito que todos os que se inscreveram nas prévias desejam ajudar a construir o futuro do nosso partido.

Se vencer, pretende convidar os adversários para a equipe de campanha?

Nosso próximo desafio é elaborar um grande projeto nacional, reunindo o maior número de pessoas que não desejam nem a volta do petrolão, nem as rachadinhas e o negacionismo. Vamos trabalhar para ter moeda forte, economia estável, investimentos sociais e geração de empregos. Para isso, todas as lideranças qualificadas do PSDB serão bem-vindas. Todos os que se envolveram nas prévias foram, em maior ou menor grau, testados pelo conjunto do partido, pela cúpula partidária, pela base de prefeitos e vereadores e, sobretudo, pela militância. É com a legitimidade da nossa base que vamos coordenar um projeto nacional. O PSDB vai recuperar o Brasil dos erros dos governos anteriores e evitar que tenhamos outra década perdida. Vamos devolver a esperança aos brasileiros. Porque o Brasil tem jeito.

Como o PSDB sai das prévias: rachado ou fortalecido?

O PSDB estará mais unido que nunca. O que racharia o partido era não ter feito as prévias, nem ter candidato. Isso significaria que o PSDB estava abrindo mão de um projeto nacional. E sem projeto nacional, o PSDB iria se dividir e esfacelar. O PSDB fez o contrário. Provou ser o único dos grandes partidos nacionais que se revitalizou e renovou suas lideranças. As prévias ajudaram nesse processo. Deram um novo impulso e visibilidade às propostas e realizações do PSDB. Valorizamos, nos debates internos, tanto as realizações históricas, como o Plano Real, a responsabilidade fiscal e a importância de voltarmos a ter uma moeda forte com economia estável, quanto as novas políticas do PSDB, como expansão das escolas de tempo integral, empreendedorismo e qualificação para mulheres negras, o Dignidade íntima, o S.O.S. Mulher, a vacina e o Corujão da Saúde, além da defesa da Amazônia e do meio ambiente. O PSDB voltou a ter um projeto vencedor, com militância motivada e lideranças de expressão nacional.

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Eduardo Leite: 'Teremos um PSDB unido em torno do seu candidato'

Governador do Rio Grande do Sul diz que resultado das prévias será respeitado e descarta ser vice em chapa de terceira via caso vença a disputa

Entrevista com

Eduardo Leite, governador do Estado do Rio Grande do Sul

Pedro Venceslau e Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2021 | 05h00

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, descarta ser vice na chapa de um candidato da terceira via mais bem colocado nas pesquisas de intenção de voto caso vença a disputa deste domingo contra o governador João Doria (SP) e o ex-senador Arthur Virgílio nas prévias tucanas. “Sou pré-candidato a presidente da República”, afirmou em entrevista ao Estadão. Segundo ele, o PSDB estará unido em torno de um candidato após o processo.

Leia abaixo a entrevista.

Em caso de vitória no domingo, o sr. admite a hipótese de abrir mão da cabeça de chapa para compor com outro nome da terceira via caso ele esteja mais bem colocado nas prévias?

Eu sou pré-candidato a presidente da República. Se ganhar as prévias, como espero, não serei candidato de mim mesmo, mas das bases do PSDB. Só as bases do PSDB podem mudar um resultado que elas construíram.

Se o sr. perder as prévias, se compromete a apoiar o vencedor em 2022?

Venceremos as prévias. E tenho certeza que todos respeitarão o resultado e teremos um PSDB unido em torno de seu candidato

Se vencer, pretende convidar os adversários para equipe de campanha?

Estou certo de que eles têm, ao seu estilo, contribuições a dar para nossa campanha e será importante contar com eles.

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Arthur Virgílio: 'Temos que reconquistar o peso que o PSDB tinha'

Ex-senador que disputa prévias com Doria e Leite afirma que partido precisa se ‘desbolsonarizar’

Entrevista com

Arthur Virgílio, ex-senador

Pedro Venceslau e Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2021 | 05h00

O ex-senador Arthur Virgílio afirmou que o PSDB precisa se "desbolsonarizar", independentemente de quem vencer as prévias marcadas para hoje, e que a sigla tem de "reconquistar" o peso que tinha nos governos Fernando Henrique Cardoso. "É o partido que deixou o maior legado e mudou o País", afirma. Ao Estadão, Virgílio disse que, em caso de derrota na eleição tucana contra os governadores João Doria (SP) ou Eduardo Leite (RS), vai apoiar o vencedor na eleição de 2022.

Leia abaixo a entrevista.

Em caso de vitória no domingo, o sr. admite a hipótese de abrir mão da cabeça de chapa para compor com outro nome da terceira via caso ele esteja mais bem colocado nas prévias?

É óbvio que, na hipótese de vitória, farei tudo para consolidar a candidatura e unir o PSDB com princípios muito rígidos e muito claros. Um é a "desbolsonarização" do partido. O partido não pode ter maioria de pessoas que sigam o Bolsonaro, votando do jeito que votam (no Congresso). É preciso que se restabeleça um esquema de disciplina. Se não, o partido não retoma a respeitabilidade. A gente pode se esforçar, pode se matar aqui, mas não retoma a respeitabilidade se continuar esse clima de ataques sistemáticos à política econômica, se é que a gente pode chamar de política econômica, do presidente Bolsonaro. A política econômica do presidente Bolsonaro e as atitudes dele representam a cada dia um ataque ao alicerce do Plano Real, que é o grande sustentáculo da economia brasileira. Mas é óbvio que, para fazer a terceira via, tem que conversar muito e, se surge alguém mais preparado, com mais perspectiva de voto que você e capaz de agregar mais do que você é capaz de agregar, creio que é razoável que você pense nisso. O que não é razoável é você achar que os deuses estão sempre ao seu lado. Essa política da vaidade não é boa. Na hipótese de ser candidato a presidente, darei o impossível para consolidar a candidatura. Mas, obviamente, na hipótese contrária, tenho de analisar a perceptiva de fortalecer a terceira via, nem que seja com outro nome, desde que seja um nome sério, que seja encarne o que a gente pode imaginar que seja uma terceira via, que seja saída de um impasse.

Se o sr. perder as prévias, se compromete a apoiar o vencedor em 2022?

No debate da CNN, arranquei esse compromisso dos dois (Doria e Leite). Os dois se comprometeram, diante das câmeras, a ficar no PSDB em qualquer circunstância.  Então, não seria eu a largar o PSDB. Não largaria jamais. Só largaria o partido para deixar a vida pública. Não consigo caber em outro partido. Tenho respeito por outros partidos, por componentes de outros partidos. Minhas medidas só dão no PSDB, não dão em outro partido. Por mais respeito que possa ter por militantes e outros partidos brasileiros. Mas eu sou do PSDB. Ficaria com o mesmo entusiasmo e com o mesmo compromisso. É fazer desse um partido novamente um partido grande e com qualidade. Um partido capaz de retomar o caráter reformista que ele tinha, vanguardista, exitoso no governo Fernando Henrique Cardoso, acabando a com hiperinflação, estabelecendo o tripé macroeconômico. Eu apoio o vencedor com maior tranquilidade.

Se vencer, pretende convidar os adversários para equipe de campanha?

Se eu vencer, não teria dúvida de estar bem próximo de meus atuais adversários e companheiros, embora eu enfrente condições muito adversas com essa história de voto de mandatário valer mais que voto de filiados. Nós ainda não temos uma eleição aberta para todos os 1 milhão e 400 mil filiados. Eu me daria melhor numa eleição aberta, com todo mundo votando. Mas aceitei essas condições porque quero que as prévias se enraízem no PSDB. As próximas serão melhores.

Como o PSDB sai das prévias: rachado ou fortalecido?

Vejo gente que tem interesse em rachar. Não acho que isso irá prevalecer. Vejo que temos um trabalho grande que tem de ser feito com ajuda dos três candidatos. Entendo que o PSDB sai fortalecido. Precisamos fortalecer essa questão da presença bolsonarista, dessas pessoas que se acomodaram com o ritmo do Bolsonaro, se acomodaram ao esquema de emendas, do jeito que o Bolsonaro trata essa questão. Temos um trabalhão pela frente, mas o PSDB, do ponto de vista dos três candidatos, sairá unido. A mudança essencial, repito, é a "desbolsonarização" do partido. Consegui, ao longo desses debates todos,  uma das coisas que queria: pregar democracia. Creio que democracia virou um mote nos debates, nas minhas viagens nos Estados, falei muito, muito das vantagens da democracia. Democracia coloca comida na mesa. Ditadura ou candidatos a líderes autoritários, eles tiram comida da mesa e botam o povo para comer osso. Essa é a verdade. Foi assim tanto na esquerda quanto na direita. O partido sai fortalecido, sim. Mas um fortalecimento incipiente. Temos de reconquistar aquele peso que o PSDB tinha. Fico impressionado porque, nas pesquisas, o PT aparece, disparado, como partido preferido dos brasileiros, em segundo lugar, bem atrás, vem sempre o PSDB. O PSDB tem uma memória, uma memória muscular eleitoral boa, fez muita coisa pelo País, é o partido que deixou o maior legado e que mudou mais a cara do País em oito anos do que o PT em quatro eleições. Nós temos as conquista todas. Mas não podemos viver dos louros passados.

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