Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

PSDB mantém data das prévias e vai usar app criticado por candidatos

Votação interna vai ocorrer no domingo, como previsto, e por meio do mesmo aplicativo criticado pelas campanhas de Doria e Leite; ao todo, 44 mil tucanos estão aptos a participar da decisão

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2021 | 16h16

O PSDB manteve a data original das prévias para a escolha de seu candidato à Presidência da República em 2022. A disputa vai ocorrer mesmo no próximo domingo. O martelo foi batido em reunião nesta terça-feira, 16 após troca de acusações entre as campanhas dos governadores Eduardo Leite (RS) e João Doria (SP) sobre um pedido de adiamento feito por aliados do gaúcho. O ex-senador Arthur Virgílio também está inscrito. Ao todo, 44.700 filiados (menos de 5% do universo de 1,3 milhão de filiados) poderão participar do processo de forma remota ou presencial.

A reunião foi motivada por uma discordância entre as campanhas de Leite e Doria a respeito do uso do aplicativo desenvolvido pelo partido para que os filiados sem mandato possam votar. Na noite de anteontem, o deputado federal Jutahy Júnior (BA), que é aliado de Leite, pediu o adiamento diante de coordenadores da campanha de Doria, que reagiram. Segundo afirmou Jutahy, as prévias não poderiam ocorrer diante de falhas no aplicativo, que foi desenvolvido especialmente para o processo pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurg).

Desde que a plataforma foi lançada surgiram reclamações relacionadas a seu funcionamento. O Estadão mostrou na semana passada que, segundo o presidente do PSDB paulistano, Fernando Alfredo, muitos filiados não estavam conseguindo baixar o aplicativo por terem celulares antigos, sem memória ou mesmo por não terem pacotes dados suficientes. Existem ainda casos de pessoas que não têm familiaridade com esse tipo de tecnologia ou que tentaram fazer o cadastramento, mas não conseguiram por motivos técnicos.

Para garantir o maior número de adesões, o diretório do PSDB da capital, que está fechado com Doria, montou um mutirão com 20 voluntários para orientar as pessoas sobre como utilizar o aplicativo ao longo do final de semana. Cerca de 70 pessoas participaram do trabalho. A campanha de Leite fez o mesmo, oferecendo uma estrutura de apoio para quem tinha dificuldades em acessar o sistema.

O PSDB reforça que o aplicativo é seguro. De acordo com a executiva nacional, houve um processo de aperfeiçoamento realizado nos últimos 20 dias, quando foram identificados 43 ataques a perfis tucanos cadastrados no período.

Durante a reunião, a equipe de Leite não insistiu no adiamento. O governador gaúcho reagiu nas redes à tentativa de aliados, dizendo que não tinham o seu consentimento. Ao tomar conhecimento da presença de Doria em Porto Alegre – o governador paulista jantaria com empresários gaúchos que o apoiam –, Leite disse, no Twitter, em tom de ironia, que não poderia recebê-lo no aeroporto pois ambos têm estilos diferentes de ação política e acentuou que estava no Palácio Piratini, trabalhando. 

Doria em Porto Alegre

Doria escolheu o Rio Grande do Sul, reduto do rival Eduardo Leite, com último ato de campanha das prévias. O governador de São Paulo levantou a bandeira de paz. Doria se encontrou com Leite no no Palácio Piratini, sede do governo gaúcho. No encontro os governadores buscaram manter o clima amistoso, e afirmaram que após as prévias apoiaram quem quer que seja o vencedor. “Esse é o exemplo de civilidade do PSDB.”

Sobre a acusação de que representantes de Leite pediram o adiamento das prévias, Dória se limitou a dizer que “este é um assunto superado.”

Em entrevista a jornalistas, Dória, porém, foi evasivo quando foi questionado sobre a confiança no sistema de votação. “Eu acredito nas prévias, sou um filho das prévias. Confesso que defendi que tivesse urna eletrônica toda eleição e nenhum tipo de aplicativo, e também, que cada voto valesse um. Mas respeito a decisão do partido, e ele decidiu modificar o processo”, afirmou Doria.

Doria também deixou claro que, caso sai vencedor das prévias, pretende buscar apoios junto aos demais partidos que se colocam como opção aos hoje líderes nas pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o atual presidente, Jair Bolsonaro.

Mais uma vez, falando na terceira via a qual preferiu chamar de “melhor via”, Doria acenou para busca de apoios junto aos hoje concorrentes para que seja ele o nome escolhido para representar o eleitorado que não pretende votar nem em Lula nem em Bolsonaro. Para de cacifar a ser esse nome, o governador de São Paulo recorreu às surpresas eleitorais nesse ano e citou o colega de partido e ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso. “Naquele momento ninguém imaginava que alguém que não viesse do proletariado pudesse vencer.” /COLABOROU EDUARDO AMARAL

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