De escândalo em ambulância a prisão ao vivo: as vezes em que Garotinho foi preso

De escândalo em ambulância a prisão ao vivo: as vezes em que Garotinho foi preso

Ex-governador do Rio foi preso pela quinta vez em três anos nesta quarta, um dia depois de a 2.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio cassar um habeas corpus concedido ao casal

Matheus Lara e Jéssica Otoboni, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2019 | 08h42
Atualizado 01 de novembro de 2019 | 10h48

O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho foi preso pela quinta vez em três anos nesta quarta-feira, 30, na capital fluminense em cumprimento à ordem da 2.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, um dia depois de cassar um habeas corpus concedido ao casal.

Ele e a também ex-governadora Rosinha Matheus são investigados pelo superfaturamento em contratos celebrados entre a Prefeitura de Campos dos Goytacazes e a construtora Odebrecht, para a construção de casas populares dos programas “Morar Feliz I” e “Morar Feliz II” durante os dois mandatos de Rosinha como prefeita, entre 2009 e 2017. Eles negam todas as acusações e dizem ser vítimas de perseguição política.

Relembre as idas e vindas de Garotinho na prisão:

16 de novembro de 2016 - Escândalo em ambulância

Agentes da delegacia da Polícia Federal em Campos de Goytacazes cumpriram no dia 16 de novembro o primeiro mandado na residência do ex-governador no Flamengo, zona sul do Rio. Foram dois mandados judiciais contra Garotinho: um de prisão preventiva e um de busca e apreensão em um imóvel no bairro. Era a Operação Chequinho, que investigava esquema de compra de votos em Campos. De acordo com a PF, o Programa Cheque Cidadão que teria sido usado para cooptar eleitores em 2016.

O ex-governador protagonizou uma cena insólita de desentendimento com agentes da PF enquanto era levado em uma ambulância para o presídio de Bangu. Enquanto se debatia, gritava: “Levar é o cacete. Eu não vou. Isaías do Borel, tem um monte de preso lá que foi tudo eu que botei na cadeia. Estão doidos para me levar para lá para me matar. Sabe que quarta-feira eu tenho reunião com dr. (Rodrigo) Janot (então Procurador-Geral da República) para entregar o resto da quadrilha. Isso tudo foi armado. Eu não vou”.

No dia 24, ele foi solto após manifestação do Tribunal Superior Eleitoral, que determinou a soltura com a condição de que ele cumprisse uma série de restrições, como não voltar a Campos, onde era secretário, não manter contato com 36 testemunhas do processo contra ele e pagar fiança de R$ 88 mil.

13 de setembro de 2017 - Prisão ao vivo

Em 13 de setembro de 2017, Garotinho foi alvo de um mandado de prisão domiciliar após ser condenado a mais 9 anos de prisão na Operação Chequinho, da qual tinha sido alvo no ano anterior. 

Ele apresentava ao vivo seu programa "Fala, Garotinho", na Rádio Tupi, em São Cristóvão, na zona norte do Rio, quando precisou deixar o estúdio com a chegada de agentes da PF. A saída e sua substituição no programa foi discreta, mas percebida pelos ouvintes. Após "sumir", o locutor que o substituiu avisou que "por orientação médica", Garotinho precisou "parar de falar".

No dia 26 do mesmo mês, o ex-governador teve sua prisão domiciliar revogada pelo TSE até que a condenação fosse confirmada em segunda instância.

22 de novembro de 2017 - Acusação de agressão

Em 22 de novembro de 2017, um novo mandado de prisão contra Garotinho. Desta vez, no âmbito da Operação Caixa D'Água, desdobramento da Operação Chequinho. O pedido foi feito pelo Ministério Público Eleitoral, que apurava a arrecadação de dinheiro ilícito para o financiamento de campanhas.

Ele foi levado para cadeia pública de Benfica, na zona norte do Rio. Dois dias depois, afirmou ter sido agredido. Ele alegou ter sido abordado em sua cela por "um homem de calça jeans". O desconhecido teria lhe dado golpes com um porrete no joelho e no pé. Foi transferido para o presídio em Bangu.

Em 21 de dezembro, foi solto após pedidos do TSE e do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. 

3 de setembro de 2019

Garotinho voltou para a prisão no dia 3 de setembro. As ordens de prisão foram expedidas pela 2.ª vara de Campos dos Goytacazes, na região norte fluminense, com base nas delações de dois executivos da Odebrecht, Leandro Andrade Azevedo e Benedicto Barbosa da Silva Junior.

4 de setembro de 2019

Menos de 24 horas após a prisão preventiva de Anthony Garotinho e Rosinha, o desembargador Siro Darlan, plantonista do Judiciário no Rio, acolheu o pedido da defesa e concedeu habeas corpus para os dois ex-governadores do Estado. Ao sair, disse se sentir uma "vítima" do Judiciário.

30 de outubro de 2019

Garotinho e Rosinha são presos novamente um dia após os desembargadores da 2.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio decidirem cassar um habeas corpus concedido ao casal. O Ministério Público defendeu a prisão alegando que, em liberdade, eles podem intimidar testemunhas. 

31 de outubro de 2019

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, mandou soltar Garotinho e Rosinha Matheus. Em sua decisão, o ministro impôs medidas cautelares alternativas à prisão. Entre elas, a proibição de deixar o País, de contatos com testemunhas e outros investigados, e o comparecimento mensal à Justiça. A decisão se dá após o desembargador convocado Leopoldo Raposo, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negar habeas ao casal.

 

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