Marcos Corrêa/PR - 31/07/2021
Marcos Corrêa/PR - 31/07/2021

Bolsonaro participa de motociata em Presidente Prudente; evento custará R$ 300 mil aos cofres

Ao final de passeio com apoiadores, presidente saiu em defesa de seus ministros e voltou a defender mudanças no atual sistema de votação; Secretaria de Segurança Pública escalou 450 policiais militares para o ato

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2021 | 12h12
Atualizado 02 de agosto de 2021 | 10h40

O presidente Jair Bolsonaro participou na manhã deste sábado, 31, de um passeio de motocicleta com apoiadores em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. Em transmissão ao vivo feita nesta manhã, ele aparece com roupas de motoqueiro enquanto cumprimenta apoiadores, sem usar máscara de proteção contra a covid-19, o que rendeu ao presidente a terceira autuação no Estado pela falta do equipamento de proteção. O esquema de segurança para a visita do chefe do Executivo custará mais de R$ 300 mil aos cofres públicos, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo

Em discurso com apelo religioso, Bolsonaro saiu em defesa de seus ministros nesta manhã e voltou a sustentar a necessidade de mudanças no atual sistema de votação, com “eleições limpas, da forma que o povo deseja”. Nos últimos dias, o presidente promoveu uma minirreforma ministerial, que teve como principal mudança a inclusão do então senador Ciro Nogueira (PP) na Casa Civil, e tem tentado elevar o tom das acusações de fraude ao atual sistema de votação, mas falha em apresentar uma prova sequer. Não há indício de fraude comprovada no sistema de votação vigente.

“Não aceitaremos uma farsa”, acrescentou Bolsonaro a uma plateia de apoiadores, sem se aprofundar na questão do voto impresso. Ao lado do palanque onde discursava, no entanto, havia um painel com a frase "Exigimos: Voto impresso auditável".

“O soldado que vai à guerra e tem medo de morrer é um covarde. Jamais temerei alguns homens. A vontade do Brasil é a vontade de Deus e a vontade aqui na terra é a vontade de cada um de vocês”, também afirmou o presidente no evento de hoje. “Nunca o Brasil teve um time de ministros como, graças a Deus, eu tenho, escolhidos pelo critério técnico e cada vez mais cada um deles vem dizendo a que veio”, completou, antes de a transmissão ao vivo ser encerrada.

Na última quinta-feira, 29, o presidente protagonizou uma live anunciada como “bombástica”, em que supostamente apresentaria provas de fraudes nas eleições. A transmissão, baseada em fake news já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acabou por fragilizar ainda mais a narrativa do Palácio do Planalto contra a urna eletrônica.

Durante a transmissão de mais de 2 horas, o chefe do Executivo repetiu ataques ao TSE e ao presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, e admitiu não ter provas, apenas “indícios” de fraude. Veja aqui a checagem do Estadão Verifica sobre as acusações do presidente.

Como o Estadão revelou na semana passada, o ministro da Defesa, general de Exército da reserva Walter Souza Braga Netto, mandou recado à cúpula do Congresso de que não haveria eleições sem voto impresso. O próprio presidente ameaçou: “Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”. Bolsonaro abriu uma crise e foi rebatido por autoridades do Legislativo e do Judiciário.

O evento de hoje acontece às vésperas de atos pró-voto impresso, convocados por apoiadores do presidente como resposta às frequentes manifestações de opositores ao governo. 

No começo de sua fala, Bolsonaro elogiou o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, que também estava presente no evento.

Multa

De acordo com nota do governo estadual, a Polícia Militar montou um esquema especial de policiamento para garantir a segurança do ato em Presidente Prudente, além da fluidez do trânsito e do “o direito à livre manifestação”. O efetivo conta com cerca de 450 policiais militares ao longo do percurso da visita, incluindo monitoramento por drones e pelo helicóptero Águia da região.

A efeito de comparação, a última motociata do presidente em São Paulo, realizada no dia 12 de junho na capital e na região de Jundiaí, custou R$ 1,2 milhão. Naquele dia, foram escalados mais de 6,3 mil policiais. Na ocasião, por ter descumprido decreto estadual e não ter usado máscara, o presidente foi multado em R$ 552,71.

Neste sábado, o presidente foi multado pela terceira vez em território paulista por não estar usando máscara. De acordo com nota do governo estadual, outras sete autoridades que estavam na manifestação iniciada em Presidente Prudente também foram autuadas pela Vigilância Sanitária Estadual.

São eles: o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas; o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno; o secretário especial de Assuntos Fundiários, Luiz Antônio Nabhan Garcia; o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães; os deputados federais Carla Zambelli (PSL-SP), Cezinha de Madureira (PSD-SP) e Coronel Tadeu (PSL-SP).

Na lista, além de Bolsonaro, Tarcísio, Zambelli, Cezinha, e Coronel Tadeu são reincidentes e, por isso, poderão ser multados em até R$ 290,9 mil pelo estímulo e envolvimento em ações de risco à saúde pública 

Cada um dos demais está sujeito à multa de R$ 552,71 por descumprimento da legislação que determina o uso da proteção facial em espaços públicos.

O presidente também fez visita ao Hospital de Esperança, antigo Hospital Regional do Câncer, na cidade. O hospital foi oficialmente credenciado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Às 14h, segundo consta em sua agenda oficial, o presidente teve um encontro com prefeitos de Mato Grosso do Sul, do Paraná e de São Paulo. O retorno a Brasília estava marcado para às 15h35.

Um evento para o presidente que estava previsto para acontecer na cidade foi proibido pela Justiça na última quarta-feira, 28. A recepção, que reuniria duas mil pessoas no Recinto de Exposições de Presidente Prudente, havia sido autorizada por decreto pela prefeitura, mas foi derrubada pelo juiz Darci Lopes Beraldo. Ele acatou a uma ação movida pelo Ministério Público estadual, alegando que a realização contrariava as regras sanitárias de prevenção à pandemia do novo coronavírus.

No último dia 13, o prefeito Ed Thomas (PSB) havia assinado decreto permitindo 1.200 pessoas na recepção ao presidente. Depois, aumentou para duas mil. A cidade é sede da União Democrática Ruralista (UDR), que durante muitos anos foi presidida pelo atual secretário de Assuntos Fundiários do governo federal, Luiz Antonio Nabhan Garcia.

As motociatas são os eventos em que Bolsonaro busca se conectar à base mais fiel de apoiadores. A última aconteceu no dia 10, em Porto Alegre, poucos dias antes de o presidente ser internado por uma obstrução no intestino. Anteriormente, o presidente havia liderado o comboio de motociclistas em Chapecó (SC), em São Paulo, no Rio e em Brasília/ COM FABRÍCIO DE CASTRO, BRENDA ZACHARIAS E CÁSSIA MIRANDA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.