Sergio Moraes/Reuters
Sergio Moraes/Reuters

PDT de Ciro usará visita a Lula para se reaproximar dos petistas

Antes, dirigentes do partido tinham se manifestado por meio de notas e entrevistas criticando a prisão do petista

Daiene Cardoso e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2018 | 17h09

BRASÍLIA - Diante do mal-estar causado pela ausência dos pedetistas no ato político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato, antes da rendição à Polícia Federal, o PDT tentará um gesto de aproximação com o PT na próxima quarta-feira, 18.

O presidenciável Ciro Gomes, o presidente da sigla, Carlos Lupi, e o líder da bancada na Câmara, André Figueiredo, aguardam apenas a autorização da 12ª Vara Federal de Curitiba para visitar o petista na prisão na capital paranaense.

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Para dirimir a repercussão negativa do distanciamento de Ciro no momento político mais delicado para os petistas, Ciro, Lupi e Figueiredo vão prestar “solidariedade humana” ao ex-presidente. Até o momento, os dirigentes têm se manifestado por meio de notas e entrevistas criticando a prisão do petista. “O PDT tem demonstrado a todo momento solidariedade. O PDT sempre foi parceiro dele”, disse Figueiredo, que também acumula o posto de vice-presidente da sigla.

Os pedetistas negam a intenção de pedir o apoio formal de Lula à candidatura de Ciro e dizem que seria “antiético” tratar de palanque eleitoral na situação em que o ex-presidente se encontra. “Nós fizemos gestos (ao PT) a vida toda”, reforçou Lupi.

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Desde que Lula foi preso, o PT ainda não procurou o PDT de Ciro para discutir o cenário eleitoral. Sabendo que os petistas não têm condições de fazer qualquer movimentação sem a anuência de Lula, os pedetistas decidiram dar o primeiro passo em direção ao PT.  A visita a Lula será na condição de “amigos” do ex-presidente.

“Traíra”

A visita de Ciro é vista com desconfiança por integrantes do PT. A avaliação no partido é de que ainda há uma resistência grande em relação ao nome do Ciro, o que já foi captado pelos pedetistas.

O recente discurso do ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), foi assimilado pelos petistas como uma posição isolada, já que em outras situações Wagner também defendeu que o PT apoiasse candidatos de fora do partido como forma de manutenção da esquerda no poder.

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A ala contrária ao apoio a Ciro o chama de "traíra" e "oportunista" porque ele sinaliza que "quer voto do PT e de Lula, mas sem o Lula e sem o PT". A crítica se deve ao fato de Ciro não fazer defesas ostensivas do ex-presidente para não perder votos na classe média e ao mesmo tempo evitar um confronto com o PT porque quer ser o candidato dos eleitores de esquerda que veem nele um nome combativo. Parlamentares do PT alegam que quando é da conveniência, Ciro bate em Lula, mas com a prisão passou a adoçar discurso.

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Nos bastidores, os petistas admitem que Ciro poderia ter apoio do PT se receber a "benção de Lula". Até o momento, o único gesto de apoio de Lula foi em direção a Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D´Ávila, que estiveram com ele no palanque de São Bernardo do Campo no último sábado, 7. “É legítimo Ciro tentar ser o herdeiro dos votos de Lula”, rebateu Figueiredo.

Em meio à “comoção” causada pela prisão de Lula, os petistas reclamam que Ciro disse que ele não era “puxadinho” do PT. O gesto foi visto como "pouco caso" por petistas. Se por um lado Ciro tem boa relação com o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, por outro tem dificuldades com outros dirigentes do PT, como a presidente Gleisi Hoffmann, que costuma falar com Carlos Lupi.

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Segundo Lupi, há um contato permanente do PDT com Gleisi, com os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Humberto Costa (PT-PE) e com o líder da oposição na Câmara, José Guimarães (PT-CE). Lupi diz que em nenhum momento os dirigentes petistas deram sinais de que estão dispostos a negociar uma aliança já no primeiro turno.

Bloco

PT, PDT, PSB, PCdoB e PSOL voltaram a conversar nesta semana para discutir a elaboração de uma nota conjunta de solidariedade a Lula. A mensagem também deve trazer críticas ao recrudescimento do cenário político e à “intolerância da direita”.

As conversas do bloco formado por partidos de esquerda começaram há meses com o intuito de formar uma frente com bandeiras unificadas, ainda que com candidatos próprios.

Os partidos já lançaram um manifesto defendendo políticas em comum, mas não houve uma manifestação explícita de apoio a Lula na ocasião. Os petistas reclamam que o texto não tratou da situação de Lula por imposição de Ciro. 

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