DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Militância do PT segue à risca estratégia do partido

Petistas rechaçam substituir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato, nas eleições 2018

Pedro Venceslau e Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

15 Julho 2018 | 05h00

Mesmo preso na sede da Polícia Federal em Curitiba desde o dia 7 de abril, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda controla a militância petista e mantém interditado o debate interno sobre o futuro da sigla sem o seu nome na urna eletrônica durante as eleições 2018

Formada por um mosaico de correntes internas que costumam travar disputas fratricidas, a base orgânica petista, desta vez, sucumbiu às determinações da cúpula. 

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No terceiro debate promovido pelo Estado com militantes de base dos partidos que estão na disputa presidencial – os primeiros encontros foram com apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL) e Geraldo Alckmin (PSDB) – os petistas se mostram indiferentes às evidências de que o ex-presidente não poderá disputar novamente o Planalto. 

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Às vésperas do início das convenções que definirão os candidatos, os representantes das tendências Construindo um novo Brasil, que representa o campo majoritário, Novo Rumo, Muda PT e O Trabalho, além de lideranças de zonais e do presidente municipal da sigla, Paulo Fiorilo, querem que o PT mantenha a hegemonia na esquerda e não poupam críticas aos demais candidatos desse campo. 

Eles rechaçam a ideia de substituir Lula pelo ex-prefeito Fernando Haddad na chapa presidencial, criticam o ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato do PDT, e o PSOL, partido que lançou Guilherme Boulos ao Planalto. 

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Os petistas também não fazem autocrítica sobre os erros cometidos pela legenda no poder, que culminaram no impeachment de Dilma Rousseff, em derrotas nas eleições municipais de 2016 e a na prisão de Lula e outros quadros históricos. “Não acho que o PT errou. Ele fez o que podia dadas as contradições de estar no poder dentro de um Estado capitalista”, disse a estudante de filosofia da USP Gabriela Almacedo, diretora municipal da Juventude do PT e integrante da corrente CNB. 

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Embora a Lei da Ficha Limpa determine inelegibilidade por oito anos a políticos condenados por órgão colegiado, militantes como Renata Scaquetti, secretária sindical do PT-SP, consideram “uma aberração jurídica o TSE vetar essa candidatura”. Em março, o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) rejeitou os embargos de declaração do ex-presidente no caso do triplex do Guarujá (SP). Com a decisão, Lula está potencialmente impedido de concorrer na eleição. 

Ciro. O tema Ciro Gomes mostra o grau de animosidade dos petistas com o presidenciável do PDT. Há consenso de que o caminho de Ciro não vai se cruzar com o PT, pelo menos no primeiro turno. Na avaliação de Bárbara Corrales, da corrente Trabalho, o pré-candidato do PDT “está indicando para onde quer se construir”. “Ele está conversando com a direita.”

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