Werther Santana / Estadão
Werther Santana / Estadão

Melhores momentos do debate da Record para governador de SP; veja quais foram

Márcio França (PSB) e João Doria (PSDB) trocaram farpas, acusações e ironias em novo encontro pela disputa do segundo turno das eleições 2018

Igor Moraes, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2018 | 16h54

João Doria (PSDB) e Márcio França (PSB), candidatos que disputam o segundo turno das eleições 2018 para governador de São Paulo, participaram no início da tarde desta sexta-feira, 19, do debate eleitoral promovido pela TV Record.

O confronto seguiu o mesmo tom do encontro realizado na Band na noite desta quinta, 18, com muitas trocas de farpas, ataques e acusações entre os adversários.

Confira abaixo alguns dos melhores momentos do debate para governador de SP na Record:

Creches sujas

As gestões de Márcio França na prefeitura de São Vicente e de João Doria na prefeitura de São Paulo foram alvos de ataques mútuos na primeira parte do debate na Record.

O atual governador partiu para o ataque quando, na esteira de uma discussão sobre os restaurantes Bom Prato, disse ter sido avisado para "não deixar o João falar em colocar farinata no Bom Prato". A ironia foi referência ao projeto de Doria, enquanto prefeito, de incluir a farinata - composto alimentar processado a partir de alimentos próximos ao vencimento - na merenda das escolas municipais. Na época, o então prefeito recuou após críticas de especialistas e questionamentos do Ministério Público.

Mais tarde, o governador voltou a carga ao apontar que era uma “indignidade” o número de pessoas “esparramadas” no centro de São Paulo. Doria, então, rebateu o adversário ao afirmar que as creches de São Vicente eram “imprestáveis, sujas, maltratadas” e se defendeu afirmando que a pobreza é um problema do Brasil, não da capital paulista.

Doria ‘riquinho’

A continuação da discussão foi um dos diversos momentos em que Márcio França tentou associar a imagem de Doria à arrogância e prepotência. Esta foi uma das estratégias mais constantes do atual governador durante o debate da Record.

“Você tem um jeito de arrogante de falar", disse França. "As pessoas que são pobres não são sujas. Eu fui prefeito há 20 anos. Sabe quantos votos eu tive? Quase 70%. Você foi prefeito há um ano. Você teve 20% dos votos. As pessoas de SP te rejeitam. Chamar pessoas pobres de sujas".

Em outro momento, ao ser provocado por Doria sobre os resultados das pesquisas eleitorais, França disparou: “você é sempre assim: 'eu sou riquinho, eu decido, a bola é minha'. Você pode fazer isso com muita gente, mas não com o povo de São Paulo."

França ‘esquerdista’

O tucano, por sua vez, usou reiteradamente a estratégia de tentar colar a imagem de França com a esquerda. Ao ser acusado de usar dinheiro do BNDES para comprar um avião, Doria afirmou que os empréstimos, quando bem utilizados, geram empregos e que na verdade são os “esquerdistas” quem pensam que os recursos são para eles.

“Esse financiamento ajuda a gerar empregos. Diferente de você que gosta de Cuba e da Venezuela, não é o dinheiro que não voltou. Dinheiro que o povo brasileiro perdeu porque foi para lá e não foi para lá. Por que esconde publicamente quando deve assumir esse seu lado vermelho, esquerdista?" 

Em diversas outras oportunidades, Doria usou este recurso e tentou colar a imagem de França a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, do PDT, do PSOL e do MST.

‘Acelera, mas não engata’ e ‘Rei do mimimi’

Os candidatos também tentaram emplacar algumas expressões, frases de efeito e rótulos durante o debate da TV Record. Ambos, por exemplo, sugeriram mais de uma vez que usariam “Maracujina” para tranquilizar o oponente.

França também recorreu a uma expressão que já havia sido utilizada em debates anteriores, fazendo uma espécie de adaptação do slogan “acelera” usado pelo tucano. “Aquela história do acelera. Ele acelera, mas não engata. Só faz barulho”, disse França, em um momento no qual criticava as estratégias de Doria.

Para rebater o adversário, o tucano ironizou o atual governador e o chamou de “rei do mimimi”.

“Márcio França, o rei do mimimi. Você precisa ter compostura. As pessoas esperam que você seja mais governador e menos candidato. Você deixa de cumprir agendas efetivas para fazer agenda política. Em janeiro quem sabe você pode desfrutar a praia de São Vicente e nós possamos fazer um governo eficiente”, disse Doria.

‘Made in Doria’

Durante o debate na Record, França tentou explorar as buscas realizadas pela Polícia Federal no comitê de campanha de Doria nesta sexta, 19. Agentes acompanharam um oficial da justiça eleitoral para cumprir “medidas administrativas” e procuravam material irregular de campanha.

“É tanta mentira que depois você fica acreditando. Polícia Federal no comitê do João Doria, propaganda irregular. Tudo do jeitinho 'made in Doria', um negócio esquisito. Se você ficar mentindo desse jeito, a população te rejeita”, disparou o atual governador de São Paulo. 

Em nota, a assessoria de João Doria informou que estava organizando um “adesivaço” no sábado, 20, e que durante a semana detectou que uma pequena fração dos impressos não mencionava o CNPJ, um das exigências para campanha eleitoral. Segundo a equipe do tucano, a distribuição do lote foi suspensa e o material retido na sede do comitê eleitoral.

Torcida jogou junto

A participação da plateia chamou atenção durante o debate. As claques emitiram gritos de apoio e vaias, de lado a lado, na maior parte das manifestações dos candidatos.

Em dado momento, o mediador do encontro, Reinaldo Gottino, pediu silêncio e chegou a ameaçar chamar seguranças da emissora para retirar os mais exaltados do estúdio.

Doria pede votos para Bolsonaro

O terceiro bloco, apenas com as considerações finais de cada um, foi um dos raros momentos de trégua durante o debate para governador de São Paulo na Record.

Em sua mensagem, Doria agradeceu a emissora e o oponente pelo encontro e falou basicamente de propostas para sua gestão. Ao final da fala, pediu votos para Jair Bolsonaro (PSL), uma de suas principais estratégias no segundo turno das eleições 2018.

“Defendo que nós possamos respeitar as famílias, estabelecer mecanismos que apoiem a família. Sou contra o aborto e peço que considerem para presidente o voto em Jair Bolsonaro. Aqui em São Paulo, vote com sua consciência. Mantenha suas orações. Deus no comando", disse o tucano.

França se emociona

Último a se manifestar, Márcio França também não fez nenhum ataque direto contra Doria, mas disse que não entrou na política para “enriquecer”.

“Tenho dito que as pessoas humilhadas serão exaltadas. Poucos acreditavam que eu chegaria no segundo turno. Cheguei porque acredito. Fiz minha vida inteira dedicada ao que é público e não enriqueci. Fiz a parte que me cabia", disse.

O governador defendeu ainda que o Estado de São Paulo deve ter um papel de protagonismo no Brasil e, ao encerrar a fala agradecendo seus familiares, se emocionou.

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