GABRIELA BILO / ESTADÃO
GABRIELA BILO / ESTADÃO

Haddad diz que vai lutar até o fim e que o Brasil acordou nos últimos dias

'Vamos olhar para os brasileiros que nesse momento da vida nacional tiveram uma postura de honradez e defenderam a democracia', disse o candidato do PT

Ricardo Galhardo, Daniel Weterman e Mateus Fagundes, O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2018 | 09h56
Atualizado 28 de outubro de 2018 | 16h30

O candidato à Presidência Fernando Haddad (PT) votou por volta de 10h30 deste domingo, 28, em um colégio da zona sul de São Paulo. "Sinto nas ruas, considero que o Brasil acordou nos últimos dias", afirmou a jornalistas, após votar. 

Em rápida entrevista coletiva, disse que o que está em jogo hoje no Brasil são as liberdades individuais, a democracia e a própria nação. "A nação está em risco, a democracia está em risco e as liberdades individuais estão em risco", disse Haddad.

Na porta da escola, moradores dos prédios vizinhos gritavam o nome de Jair Bolsonaro (PSL) e batiam panelas enquanto apoiadores do petista carregavam rosas e sombrinhas coloridas e em coreografia cantavam "alerta, desperta, ainda cabe sonhar", trecho do espetáculo "Cantata para um bastidor de utopias", do grupo Cia do Tijolo, baseado na vida do poeta espanhol Federico Garcia Lorca, assassinado em 1936 por forças franquistas durante a Guerra Civil espanhola.

A manifestação organizada pelo movimento Arte pela Democracia, fazia as vezes de segurança de Haddad. Houve um início de confusão quando um apoiador de Bolsonaro vestindo camisa amarela provocou os petistas com palavrões e acusações de corrupção. Ele foi expulso pelos manifestantes, entre eles o ex-prefeito de Carapicuíba, Sergio Ribeiro. A Polícia Militar, que fazia a segurança do local, separou os grupos e a confusão acabou.

Antes de votar, Haddad participou de um café da manhã com lideranças do PT de São Paulo em um hotel na região da Avenida Paulista, onde também concedeu ma rápida entrevista na qual tentou demonstrar otimismo e agradeceu às pessoas que espontaneamente foram às ruas nos últimos dias para tentar virar votos em favor do petista.  Ele se disse confiante em um "grande resultado" neste domingo da eleição e que vai lutar até o último minuto.

Ciro

Questionado sobre a posição de Ciro Gomes (PDT)  de não declarar voto no segundo turno, Haddad destacou outros apoios recebidos de personalidades importantes como o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa e do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sem citá-los nominalmente, e deu uma alfinetada em Ciro.

"Vamos olhar para os brasileiros que num momento difícil da vida nacional tiveram uma postura de honradez defendendo a democracia", disse o candidato do PT.

"Estou muito confiante que nós vamos ter um grande resultado hoje, vamos lutar até o último minuto. As pesquisas indicam uma retomada importante das intenções de voto no nosso projeto e eu confio na democracia, confio no povo brasileiro", disse.

"Muita gente que poderia estar recolhida se manifestou nos últimos dias. Apoios significativos. Eu não quero mencionar um a um. Eu estou muito feliz com isso. Mas não com o apoio das personalidades. Estou feliz com o apoio do cidadão comum, da cidadã que foi à rua defender o Brasil"

Depois de votar, Haddad foi para casa, no Planalto Paulista, onde deve ficar até as 17h, quando volta ao hotel na região da Avenida Paulista para acompanhar a apuração. Em sua casa, ele começou a receber alguns apoiadores, como o candidato derrotado ao Senado pelo partido Eduardo Suplicy.

Na sequência, a mulher de Haddad, Ana Estela, saiu da casa para ir votar. A filha do casal, Ana Carolina, estava com o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. O livro é um dos favoritos do petista. Nos últimos dias, apoiadores do petista fizeram campanhas nas redes sociais para que eleitores fossem votar com livros nas mãos.

Bolsonaro

Seu oponente, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, já votou votou na Escola Municipal Rosa da Fonseca, na Vila Militar, em Marechal Hermes, zona norte do Rio, por volta das 9h20. O comboio com batedores da Polícia Militar e agentes da Polícia Federal entrou pelos fundos da escola, despistando jornalistas. Depois de votar, o candidato fez uma breve aparição na frente do local e acenou para apoiadores que esperavam desde cedo por sua chegada, gerando correria e breve tumulto. Ele não deu declarações.

Desde que a seção foi aberta, soldados da Polícia do Exército revistavam todas as pessoas que chegavam para votar. A revista era feita inclusive em crianças e com auxílio de um detector de metais. Ao mesmo tempo, policiais federais faziam varredura nas áreas interna e externa da escola.

Ao sair do local de votação, ele colocou o corpo para fora do carro e pelo menos 100 pessoas cercam o comboio aos gritos de "mito".

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