Thiago Gadelha/AFP
Thiago Gadelha/AFP

Ciro Gomes diz que não vai se posicionar no segundo turno

Em vídeo nas redes sociais, o candidato derrotado do PDT disse que quer 'preservar um caminho' para que a população brasileira 'possa ter amanhã uma referência'

Marianna Holanda, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2018 | 15h43

Apesar dos enfáticos apelos do PT a Ciro Gomes por um apoio neste segundo turno, o candidato derrotado do PDT decidiu não se posicionar na disputa. Em um vídeo divulgado nas redes sociais neste sábado, 27, Ciro disse que não vai se posicionar neste momento “por uma razão muito prática”, que não revelou, mas que quer “preservar um caminho” para que a população possa ter "uma referência".

“Minha consciência me aponta a necessidade de preservar um caminho em que a população brasileira possa ter amanhã uma referência para enfrentar os dias terríveis que, imagino, estão se aproximando”, continuou o pedetista no vídeo de dois minutos, gravado em um apartamento. Na sexta-feira, o presidente do PDT, Carlos Luppi, disse ao Estado que Ciro gravaria um vídeo em apoio ao petista.

Terceiro colocado no primeiro turno, Ciro Gomes viajou para a Europa logo após a votação e vinha sendo cortejado pela campanha do petista Fernando Haddad para integrar uma frente democrática contra Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno. Na sexta-feira, o ex-prefeito de São Paulo disse esperar uma "declaração dura" de Ciro em apoio à sua campanha.

“Claro que todo mundo preferia que eu, com meu estilo, tomasse um lado e participasse da campanha. Mas eu não quero fazer isso por uma razão muito prática, que eu não quero dizer agora, porque se eu não posso ajudar, atrapalhar é o que eu não quero”, disse Ciro no vídeo.

O partido do ex-ministro declarou apoio crítico a Haddad no começo do segundo turno. O irmão de Ciro, senador eleito Cid Gomes, fez críticas ao PT quando participava de um ato em apoio a Haddad e o vídeo chegou a ser utilizado na campanha do PSL na televisão.

Na gravação, o pedetista disse ainda que entende a “necessidade de votar com a democracia, contra a intolerância, pelo pluralismo. Mas também ninguém está obrigado a votar contra convicções e ideologias”. Ciro não mencionou os nomes nem de Haddad, nem de Bolsonaro durante a transmissão.

O primeiro petista a se posicionar publicamente após o vídeo de Ciro foi João Paulo Rodrigues, integrante da coordenação nacional do MST. No Twitter, disse que o pedetista "sairá menor do que entrou" da eleição. Compartilhou ainda um vídeo de Leonel Brizola com o comentário: "Saudade dos tempos de liderança aguerrida do PDT".

 

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