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Em entrevista à Record, Bolsonaro dá 'parabéns' a Palocci

Ex-ministro do PT relatou, em depoimento à PF, loteamento de cargos nos governos do PT

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2018 | 23h45

RIO - O candidato do PSL à presidência da República, Jair Bolsonaro, afirmou nesta quinta-feira, 4, que o ex-ministro petista Antonio Palocci merece os parabéns por estar colaborando com a Justiça e tentando “reduzir o dano”. “Antes de qualquer delação, Palocci já vinha colaborando (com a Justiça). Ele conta as entranhas do poder, ele quer colaborar, vem colaborando, então parabéns ao Palocci. Quem não erra como ser humano? Ele tenta diminuir o dano ocasionado com suas ações. A corrupção está colada no PT”. 

Em depoimento à PF, o ex-ministro detalhou como funcionava o loteamento de cargos nos governos do PT e o esquema de arrecadação nas campanhas da presidente cassada Dilma Rousseff. Pallocci disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "sabia" do esquema na Petrobrás desde 2007.

Embora tenha centrado críticas na corrupção, Bolsonaro afirmou que "mais grave que a corrupção é a questão ideológica". E criticou o ensino superior: "Nossa universidade não prepara para o mercado de trabalho, prepara militantes", concluiu.

Bolsonaro concedeu entrevista à TV Record, que a exibiu por volta das 22h desta quinta-feira, logo após a TV Globo iniciar a transmissão do debate entre os demais candidatos à presidência. O postulante do PSL não participou do debate seguindo orientação médica - ele se recupera da facada que levou durante campanha em Juiz de Fora, em 6 de setembro.

Bolsonaro também afirmou que subiu nas pesquisas de intenção de voto mesmo depois dos protestos promovidos por mulheres no último sábado, 29, porque o eleitor viu quem estava participando dos atos e optou pelo lado “certo”. “O outro lado vê quem está me atacando, faz uma análise imediata, de que eles estão errados e nós estamos certos. Será que eu sou tão mau assim? Eu quero o mal de todo mundo, de mulheres, negros, nordestinos? Não é verdade”, afirmou. “Você tem que ver quem estava no movimento #elenão. Artistas que há muito estão mamando na Lei Rouanet”, criticou.

Ao longo da entrevista, Bolsonaro repetiu afirmações e planos que já havia exposto. Negou que seja homofóbico e disse que jamais ofendeu ou agrediu homossexuais. “Jogam esses rótulos pra cima de mim porque não têm o que falar sobre corrupção”, afirmou.

O candidato negou que pretenda extinguir o 13º salário e disse que seu candidato a vice, Hamilton Mourão, foi erroneamente interpretado quando tratou do tema.

Embora tenha centrado críticas na corrupção, Bolsonaro afirmou que "mais grave que a corrupção é a questão ideológica". E criticou o ensino superior: "Nossa universidade não prepara para o mercado de trabalho, prepara militantes", concluiu.

Transmissão ao vivo

Antes da entrevista ir ao ar, Bolsonaro fez uma transmissão ao vivo no Facebook nesta quinta-feira e pediu que os eleitores optem por candidatos ao Senado e à Câmara dos Deputados indicados por ele. "Precisamos eleger gente afinada conosco para o Congresso", afirmou. 

Ao lado do pastor Silas Malafaia e do filho candidato a senador pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro, o candidato à Presidência ainda argumentou que a bancada evangélica no Congresso tem força para auxiliá-lo num possível governo. 

Durante a transmissão, que durou cerca de 20 minutos, Malafaia focou seu discurso nos eleitores que informaram aos institutos de pesquisa que votarão em branco. “Quando a pessoa vota em branco, deixa que outro decida por ela. Estamos falando do que é melhor para o Brasil”, afirmou. O pastor ainda se dirigiu ao eleitorado da região Nordeste do País. "É possível resgatar o Nordeste. Metade do dinheiro que o PT mandou para fora resgataria o Nordeste", disse. Já Flávio Bolsonaro pediu pela vitória do pai ainda no primeiro turno. /COLABOROU FERNANDA NUNES

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