Gabriela Biló/Estadão, Uarlen Valério/O Tempo, Amira Hissa/PBH
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Conheça os candidatos a prefeito de Belo Horizonte nas eleições 2020

Ao todos, 16 candidaturas foram confirmadas para as eleições à prefeitura de Belo Horizonte; confira a lista completa

Ítalo Lo Re e Leonardo Augusto, especiais para O Estado

04 de outubro de 2019 | 05h00
Atualizado 18 de setembro de 2020 | 20h59

Após o término das convenções partidárias, 16 candidaturas para Prefeitura de Belo Horizonte foram confirmadas para as eleições 2020. O atual prefeito da cidade, Alexandre Kalil (PSD), tentará a reeleição e deverá ter Rodrigo Paiva (Novo), apoiado pelo governador de Minas, Romeu Zema, como um dos principais concorrentes.

O confronto pode ser uma prévia de 2022, quando Zema deverá buscar ser reeleito com Kalil como seu adversário. Ambos emergiram do discurso contra a “velha política” nas últimas duas eleições.

Vereadora mais bem votada da capital em 2016, a deputada federal Áurea Carolina é a candidata do PSOL e terá o apoio da professora Duda Salabert (PDT), primeira candidata trans ao Senado brasileiro em 2018, que desistiu em julho de sua candidatura

Outros partidos também anunciaram seus concorrentes à prefeitura. Bruno Engler concorre pelo PRTB, Cabo Washington Xavier pelo PMB, Fabiano Cazeca pelo Pros, Marcelo Souza e Silva pelo Patriota, Nilmário Miranda pelo PT, Igor Timo pelo Podemos, João Vítor Xavier pelo Cidadania, Lafayette Andrada pelo Republicanos, Luísa Barreto pelo PSDB, Marília Domingues pelo PCO, Wadson Ribeiro pelo PCdoB,Wanderson Rocha pelo PSTU e Wendel Mesquita pelo Solidariedade.

Veja abaixo os nomes que estão concorrendo à Prefeitura de BH:

Alexandre Kalil (PSD)

Conhecido por ter ocupado o cargo de presidente do Clube Atlético Mineiro, o atual prefeito de Belo Horizonte está em seu primeiro mandato à frente da capital mineira. Na disputa de 2016, o empresário representou o PHS e teve como vice Paulo Lamac, da Rede.

Desde junho de 2019, no entanto, Kalil faz parte do PSD. O presidente municipal do partido e ex-secretário da Fazenda na capital, Fuad Noman, agora compõe a chapa como vice.

No final de 2018, Lamac deixou o cargo de secretário de Governo após ter se desentendido com o prefeito sobre qual candidato a deputado estadual apoiar. Enquanto Kalil abraçou Iran Barbosa (MDB), que não se elegeu, Lamac apadrinhou Ana Paula Siqueira, de seu próprio partido.

Áurea Carolina (PSOL)

Socióloga e cientista política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Áurea Carolina tem 34 anos e carrega como principais bandeiras o feminismo e outras pautas identitárias. Foi representando essas causas que, em 2016, Áurea foi eleita como a vereadora mais bem votada de Belo Horizonte.

Em 2018, ela chegou ao cargo de deputada federal com 162.740 votos, tornando-se a mulher com maior número de votos para o cargo em Minas Gerais.

Em julho, sua candidatura recebeu mais um apoio da professora Duda Salabert (PDT), a primeira candidata trans ao Senado brasileiro, que acabou desistindo da candidatura própria à prefeitura para firmar a parceria e apoiar uma frente progressista, por mais que seja cada vez mais difícil por conta da desunião dos partidos de esquerda. Do recém-criado Unidade Popular, Leonardo Péricles abriu mão da própria candidatura e compõe a chapa como vice-prefeito.

Bruno Engler (PRTB)

Em 2018, Bruno Engler foi eleito deputado estadual com o terceiro maior número de votos. Apesar de ter entrado na Assembleia Legislativa de Minas pelo PSL, ele fez como vários outros políticos partidários do presidente Jair Bolsonaro, trocou de sigla para a legenda do vice Hamilton Mourão, o PRTB. Do mesmo partido, Mário Quintão é o vice na chapa.

Engler é o nome mais ligado ao bolsonarismo a concorrer à prefeitura e até recebeu apoio público do presidente durante uma entrevista à rádio Jovem Pan em abril. O deputado é também coordenador do movimento Direita Minas, que trabalha para difundir as pautas conservadoras no Estado.

Cabo Washington Xavier (PMB)

Após o Partido Liberal (PL) decidir que não iria ter chapa própria para a prefeitura belo-horizontina, o cabo Washington Xavier lançou sua candidatura pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB). Presidente nacional da sigla em formação Partido da Defesa Social (PDS), o policial militar se lançou candidato a deputado federal pelo Partido Pátria Livre (PPS) em 2018. Obteve pouco mais de 1,1 mil votos válidos. 

Fabiano Cazeca (Pros)

A escolha do Pros para concorrer à prefeitura belorizontina é o empresário Fabiano Lopes Ferreira, que usa o nome Fabiano Cazeca na legenda. Nas eleições de 2018, o candidato concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo mesmo partido. Conseguiu pouco mais de 19,6 mil votos e não foi eleito. Do PTC, a médica Paula Aparecida Gomes é a candidata a vice-prefeita.

Dono da Multimarcas Consórcios, empresa de consórcios de automóveis, Cazeca é conselheiro do Atlético Mineiro, clube que já foi presidido pelo atual prefeito e candidato, Alexandre Kalil.

Igor Timo (Podemos)

O deputado federal Igor Timo é o candidato a prefeito de Belo Horizonte pelo Podemos. Formado em Ciência da Informação, Timo tem uma empresa de segurança patrimonial. Foi eleito em 2018 com 60,5 mil votos. O deputado também foi coordenador de Operação e Manutenção de Redes da Polícia Civil de Minas Gerais.

João Vítor Xavier (Cidadania)

Depois de ter deixado o PSDB por discordar de algumas posturas do partido, entre as quais a aproximação com o governador Romeu Zema (Novo), o deputado estadual João Vítor Xavier, presidente estadual do Cidadania, se lançou como candidato à prefeitura, pensando justamente em ser uma oposição de centro a Kalil. Jornalista de formação, o deputado federal também é apresentador de um programa esportivo na Rádio Itatiaia. Sua candidatura recebeu apoio do PTB.

Na última eleição, o Cidadania — ainda como PPS — fez chapa com o candidato do PSDB, João Leite, ao indicar o vice, Ronaldo Gontijo. A dupla acabou derrotada por Kalil no segundo turno. Do Democratas, o empresário Leonardo Bortoletto é o vice na chapa.

Lafayette Andrada (Republicanos)

Outro concorrente da ala conservadora é o deputado federal Lafayette Andrada, candidato pelo Republicanos. Ele foi escolhido pelo partido no lugar de Mauro Tramonte, que foi o deputado estadual mineiro com maior número de votos da história. Segundo a sigla, o próprio Tramonte preferiu continuar seu mandato como deputado.

Andrada é advogado e professor de Direito e de Ciência Política, além de ser técnico licenciado do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ele também foi vereador em Lavras e Juiz de Fora e teve três mandatos como deputado  estadual em Minas Gerais. A gestora de projetos na Escola do Legislativo da ALMG e obreira na Igreja Universal Marlei Rodrigues é a candidata à vice-prefeita.

Luísa Barreto (PSDB)

Em Belo Horizonte, o PSDB esteve no segundo turno nas duas últimas eleições e tenta agora a vitória com a administradora pública e ex-secretária-adjunta da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) do governo Zema, Luísa Barreto. Ela pediu exoneração do cargo para entrar como candidata à prefeita. Também do PSDB, Juvenal Araújo é o vice na chapa. Ele foi secretário especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) no governo de Michel Temer.

Luísa foi uma das coordenadoras de campanha de Antonio Anastasia, candidato tucano derrotado ao governo do Estado em 2018 e atual senador.

Marcelo Souza e Silva (Patriota)

Presidente licenciado da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) da capital, Marcelo Souza e Silva foi confirmado como candidato do Patriota. Graduado em Ciências Contábeis e Administração, o dirigente tem sido um dos principais críticos da gestão de Kalil durante a pandemia do coronavírus, afirmando que o prefeito “fracassou” na tentativa de preservar empregos. Kalil não responde às críticas.

O setor de empresário de Belo Horizonte tem exercido forte pressão para que a reabertura de comércios ocorra. Desde 6 de agosto, a retomada de atividades vem acontecendo aos poucos. Em pronunciamentos, o atual prefeito afirma que não aceita influência do setor e que o retorno do funcionamento é baseado em critérios científicos. Do Patriota, Leandro Moreira é o candidato a vice-prefeito.

Marília Domingues (PCO)

O Partido da Causa Operária (PCO) escolheu a estudante de Letras Marília Domingues como sua candidata. Uma das coordenadoras nacionais da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), Marília teve a candidatura oficializada em convenção virtual. Do mesmo partido, Silvanio Pacheco é o candidato a vice.

A estudante foi candidata à deputada federal em 2018, mas as candidaturas do PCO em Minas Gerais para Câmara dos Deputados e governo do Estado foram indeferidas naquele ano. O partido foi suspenso pelo Tribunal Regional Eleitoral por não ter prestado contas referentes a 2015.

Nilmário Miranda (PT)

Mesmo tentando uma união da esquerda belorizontina em torno de si, o PT não conseguiu convencer os outros partidos dessa ala ideológica. Os petistas decidiram indicar Nilmário Miranda como seu candidato à prefeitura da capital mineira. Formado em Jornalismo, Miranda foi secretário Especial dos Direitos Humanos durante o governo do ex-presidente Lula e assumiu o mesmo cargo no governo estadual na gestão do ex-governador Fernando Pimentel (PT). Ele chegou a concorrer ao governo do Estado em duas ocasiões, em 2002 e 2006, mas acabou vencido nas duas tentativas por Aécio Neves (PSDB). Também petista, a microempresária Luana de Souza compõe a chapa como vice.

Rodrigo Paiva (Novo)

O empresário do setor de software de 56 anos Rodrigo Paiva é a aposta do Novo para conseguir mais um cargo do Executivo em Minas. Com apoio do governador Romeu Zema, Paiva foi vencedor no processo seletivo interno do partido para concorrer à prefeitura, adotando um discurso de defesa da liberdade econômica e do empreendedorismo. A médica Patrícia Albergaria, também filiada à sigla, é a candidata a vice.

Formado em Engenharia Civil pela UFMG, Paiva participou de diversas entidades da classe. Chegou a disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2018 e integrou a Comissão de Transição do governo Zema. Deixou o cargo de presidente da Companhia de Tecnologia da Informação e Processamento de Dados de Minas Gerais (Prodemge), que ocupava na gestão do governador, para disputar a prefeitura.

Embora o cenário não seja nada favorável para Zema atuar como cabo eleitoral - o Estado passa por grave crise fiscal, agravada por gastos na pandemia -, o chefe do Executivo mineiro deve participar da campanha. O secretário-geral do governo, Mateus Simões, prevê a participação em programas eleitorais para rádio e TV e em produções para internet para promover Paiva. Simões também disputou a seleção interna para escolher a candidatura do Novo à prefeitura.

Wadson Ribeiro (PCdoB)

O presidente estadual do PCdoB em Minas, Wadson Ribeiro, foi anunciado como pré-candidato oficial do partido à prefeitura da capital mineira já em fevereiro e vai disputar o cargo pela primeira vez. A candidatura dele reforça a divisão dentro da esquerda, principalmente após o PT anunciar seu próprio candidato para a corrida pelo Executivo municipal. Katia Vergilio é a vice na chapa.

Ribeiro é formado em Administração Pública e já foi secretário executivo do Ministério do Esporte e secretário de Desenvolvimento Integrado de Minas. Ele também foi presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União da Juventude Socialista (UJS).

Wanderson Rocha (PSTU)

Após quatro candidaturas consecutivas da professora da rede municipal Vanessa Portugal à prefeitura de Belo Horizonte, o PSTU decidiu indicar o também professor e líder sindical Wanderson Rocha neste ano. Vanessa tentará uma vaga como vereadora na capital. Em 2018, o candidato e mestre em Sociologia disputou cargo de deputado estadual e obteve cerca de 2,8 mil votos. A candidata a vice-prefeita é Firmínia Rodrigues.

Wendel Mesquita (Solidariedade)

Formado em Comunicação Social e Artes Cênicas pela UFMG, o deputado estadual Wendel Mesquita é a aposta do Solidariedade para as eleições municipais em Belo Horizonte e tem aparecido como uma possível força em pesquisas recentes. A empresária Sandra Bini compõe a chapa como candidata à vice-prefeita.

Antes de ser eleito deputado, atuou em dois mandatos como vereador da capital mineira, o primeiro de 2013 a 2016 e o segundo entre 2017 e 2018, quando se candidatou para a Assembleia Legislativa estadual. Ele também trabalhou como professor universitário e como voluntário em cursos pré-vestibular e profissionalizantes. 

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