Werther Santana/ Estadão
Werther Santana/ Estadão

Debate Estadão tem Covas como alvo e Russomanno em confronto com candidatos

Guilherme Boulos e Márcio França miram em líder nas pesquisas; em queda, candidato do Republicanos troca ataques com Arthur do Val e Jilmar Tatto

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2020 | 13h07
Atualizado 10 de novembro de 2020 | 22h55

Líder nas pesquisas de intenção de voto, o candidato à reeleição Bruno Covas (PSDB) foi alvo dos principais adversários no debate com candidatos à Prefeitura de São Paulo realizado nesta terça-feira, 10, pelo Estadão. O tucano abriu 19 pontos porcentuais em relação ao segundo colocado, Guilherme Boulos (PSOL) no mais recente levantamento do Ibope, divulgado na segunda-feira, 9. 

O levantamento do instituto divulgado na segunda acentuou a trajetória de queda do candidato do Republicanos, Celso Russomanno, que mudou sua estratégia e assumiu tom mais crítico e agressivo no debate, organizado em parceria a Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) e com apoio do Twitter.

Além de Covas, Russomanno e Boulos, participaram do debate Márcio França (PSB), Jilmar Tatto (PT) e Arthur Do Val (Patriota) – os seis mais bem colocados na pesquisa Ibope, que apontou a folga do tucano na liderança e o acirramento por um lugar no segundo turno. 

Covas foi alvo de França e Boulos, que criticaram medidas da Prefeitura na área de saúde, meio ambiente e atendimento à população de rua. França sugeriu que há uma “condescendência” da Prefeitura com a quantidade de moradores de rua. 

“Constrange a todos nós andar pelas ruas e ver essa quantidade de pessoas, crianças, enfim, nessa situação de moradores de rua e parece que há uma certa condescendência do poder público”, disse o candidato do PSB, que prometeu nomear apenas 1% dos cargos de confiança a que tem direito e, assim, poupar dinheiro para investir em abrigos.

“Até parece que você entrou na política agora, você foi governador do Estado de São Paulo e não cortou os cargos comissionados”, respondeu Covas. Ele disse que o oponente tinha de explicar obras paradas que teria deixado no governo estadual.

Já Boulos atacou o planejamento urbano e a política para o meio ambiente da gestão tucana. “O seu governo e o do Doria estão totalmente atrasados nos planejamentos que foram feitos”, disse. “São Paulo ainda está no século 19, no tempo dos aterros sanitários.”

Covas foi fiel a sua estratégia de “jogar parado” e evitou nacionalizar o debate mesmo quando associado ao governador João Doria (PSDB), de quem foi vice. “Não tenho nada a esconder, mas o candidato sou eu. Seria estranho o governador abandonar os mais de 600 municípios da cidade para fazer campanha”, afirmou o tucano. 

A taxa de rejeição do governador é alta na capital, de 49% (ruim e péssimo), conforme o Ibope. Na semana passada, o Estadão mostrou que Doria, ignorado na campanha de Covas, gravou vídeos de apoio a candidatos em cidades pequenas e médias do Estado.

A quarta pesquisa Ibope/TV Globo/Estadão mostrou uma briga acirrada por uma vaga num eventual segundo turno: Boulos tem 13% das intenções de voto, ante 12% de Russomanno e 10% de França. Estão todos em situação de empate técnico, já que a margem de erro máxima da pesquisa é de três pontos porcentuais.

Russomanno mudou o tom na reta final. O candidato, que só havia ido ao debate da Band e não participou de embates transmitidos pela internet com seus oponentes. Sua campanha decidiu rever a decisão de não ir ao encontro e assumiu uma postura mais crítica e agressiva, principalmente nos embates com Arthur do Val.

“Com relação a eu ter ou não OAB, eu nem fiz a prova porque sou jornalista. Eu tenho dois cursos. Você deveria enfiar a cabeça debaixo do rabo para entender o que eu sou”, afirmou Russomanno ao candidato do Patriota em um dos momentos mais tensos do debate – depois que o oponente afirmou que ele não tem registro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). 

Russomanno e Boulos tiveram um confronto indireto. Em uma pergunta sobre violência contra mulher, em que iria comentar a resposta com Márcio França, o candidato do Republicanos usou seu tempo para se defender de acusações das quais tem sido alvo ao longo da campanha, em especial vindas do adversário do PSOL, de ter “humilhado uma caixa de supermercado”.

A acusação é um vídeo do programa de TV de Russomanno em que ele tenta comprar palitos e papéis higiênicos avulsos. O assunto já motivou processo judiciais entre as duas campanhas. “Gostaria de falar sobre acusações de que humilhei uma caixa de supermercado. Quem foi humilhado foi uma criança de oito anos de idade. O Boulos sacou um pedacinho para dizer que eu estava humilhando o pequeno. Eu estava lidando com uma grande rede, o Carrefour”, afirmou. Boulos, que não estava na vez de se manifestar, terminou não comentando o caso.

Privatização do SUS

Guilherme Boulos perguntou o posicionamento de Arthur do Val sobre “avançar na privatização do SUS”. A questão se referia ao decreto de Bolsonaro, já revogado, que autorizava estudos para abrir as Unidades Básicas de Saúde (UBS) à iniciativa privada.

Val respondeu que a lei tratava de concessão - transferência temporária do sistema à iniciativa privada - e não de privatização. Para a área de saúde, propôs foco na prevenção, através das UBS e médico das família, e definir ordem de exame por urgência. “Gente com gastrite não pode passar na frente de gente com câncer”.

Boulos afirmou que, se for eleito, realizará a redução das filas pela contratação de mais médicos, principalmente na periferia. Sobre os recursos para trazer mais trabalhadores, disse que “dinheiro tem, só falta prioridade."

Violência doméstica

Acerca de medidas específicas para atendimento de mulheres em situação de violência doméstica, Celso Russomanno propôs expandir a patrulha Maria da Penha. O programa estadual oferece acompanhamento preventivo periódico, para garantir proteção. 

Sem entrar em detalhes, o candidato  disse que, se eleito, criará o hospital da mulher, com casas de acolhimento para receber as vítimas. “O grande problema dessa mulher é para onde ir”. Saiba quais são as demais propostas de Celso Russomanno.

Também em apresentação ampla, sem especificações, Márcio França disse que promoverá ajuda financeira, para que essas mulheres possam ir para outro lugar. A melhoria dos centros de acolhimento para receber vítimas foi outra proposta mencionada.

Alagamentos e enchentes

Perguntado sobre como lidaria com o problema de alagamentos e as perdas sofridas pelas famílias num eventual governo, Guilherme Boulos afirmou que vai reforçar os serviços de zeladoria a curto prazo. Entenda o que todos os candidatos propõem para resolver as enchentes na cidade.

A proposta é que a limpeza de bueiros, boca de lobo e córregos seja realizada por frentes de trabalho, o que também geraria empregos. A médio e longo prazo, o candidato aposta na permeabilização de São Paulo, pela troca gradual de calçadas que asfalto que absorvem mais água. Veja mais propostas de Guilherme Boulos aqui.

Arthur do Val aproveitou a questão para criticar Bruno Covas, afirmando que o prefeito “estava na Europa de férias enquanto a cidade estava alagada”. 

Como proposta, além de limpeza de bueiros e obras para escoamento da água, Val falou em fiscalização e multa pesada para quem descarta lixo nas ruas. Conheça outras propostas de Arthur do Val.

Motoristas e entregadores de aplicativos

Sobre segurança para motoristas de aplicativo, Jilmar Tatto falou em criar um aplicativo da Prefeitura para conectar empresas e entregadores. O candidato afirmou que, atualmente, esses trabalhadores são explorados por empresas multinacionais. 

“Perdem em torno de 25% a 30% de recurso em cada viagem”. Sem especificar a fonte dos recursos para o projeto, o petista também disse que criaria um espaço para esses motoristas descansarem e guardarem suas coisas. Saiba quais são as propostas de Jilmar Tatto aqui.

Covas criticou a forma de remuneração praticada pelos aplicativos, feita por entrega. Segundo ele, o método estimula acidentes. O candidato falou em regularizar o funcionamento dessas empresas. “A grande luta é acabar com esse dumping social (prática de empregadores de enxugarem direitos trabalhistas para aumentarem lucro”. Veja mais propostas de Bruno Covas.

Para Entender

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Cracolândia

Tema recorrente em debates dos candidatos a prefeito de São Paulo, soluções para Cracolândia foram apresentadas novamente. Arthur do Val disse que, para acabar com o problema, é preciso revisar o tombamento no centro e descentralizar os equipamentos sociais. 

O candidato propõe levar a prestação de auxílio a essas pessoas para periferia. Além disso, afirmou que a atuação da polícia deve ocorrer por meio da prisão dos traficantes.

Russomanno falou em “tomar as medidas necessárias de inteligência de polícia” e “saber que as pessoas que estão lá são gente”, sem detalhes práticos sobre a atuação no local. Entenda o que outros concorrentes à Prefeitura de SP propõem para Cracolândia.

Passagem de ônibus

Questionado se irá aumentar a tarifa de ônibus caso seja eleito, Márcio França afirmou que não pretende subir o valor e criticou como foi realizada a licitação para as empresas que prestam o serviço atualmente. 

Segundo o candidato, o modelo atual de subsídio faz com que a Prefeitura diminua os ônibus em circulação. França também prometeu passagem gratuita para todos aos domingos. Veja mais propostas de Márcio França aqui.

Jilmar Tatto disse que, numa possível gestão, irá manter o subsídio porque, sem isso, a tarifa precisaria aumentar para o passageiro. 

Porém, o candidato afirmou que os contratos seriam revistos, para implementar passe livre para desempregados, estudantes e passagem a R$2 nos finais de semana. / TULIO KRUSE, BRUNO RIBEIRO, PEDRO VENCESLAU, RICARDO GALHARDO, PAULA REVERBEL  e MILIBI ARRUDA

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