Alex Silva e Daniel Teixeira/Estadão
Alex Silva e Daniel Teixeira/Estadão

Com debates cancelados em SP, Orlando Silva e Mamãe Falei promovem ‘duelo’

Encontro terá transmissão ao vivo pelas redes do comunista e do liberal; ambos criticam decisão de emissoras de TV de cancelar embates das eleições 2020

Paula Reverbel e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2020 | 19h12

Com o cancelamento de quase todos os debates de emissoras de televisão antes do primeiro turno das eleições 2020, os candidatos à Prefeitura de São Paulo Orlando Silva (PCdoB) – deputado federal de pensamento comunista – e Arthur do Val (Patriotas) – deputado estadual de ideologia liberal conhecido como Mamãe Falei – marcaram um “duelo” para a próxima sexta-feira, dia 23, às 21h, que será transmitido ao vivo pelas redes sociais de ambos. O local e o moderador ainda não estão definidos.

O formato será inspirado em um debate realizado em 2015 na eleição geral da Espanha entre Pablo Iglesias, do Podemos espanhol, e Albert Rivera, do Ciudadanos. Eles sentaram-se cara a cara em uma mesa de bar, com um moderador ao centro, e discorreram sobre suas propostas.

O encontro entre ambos terá cerca de 1 hora e 30 minutos de duração, podendo se estender a depender do nível de engajamento das redes. Fora o bloco das considerações finais, haverá outros cinco blocos – cada um será para abordar um tema diferente. Os assuntos estão sendo negociados pelas campanhas de ambos, mas devem tratar de problemas conhecidos da cidade de São Paulo, como mobilidade.

Cada candidato vai fazer considerações sobre o tema do bloco e depois haverá um “papo reto”, com réplicas e tréplicas entre eles sobre os assuntos. As campanhas dizem esperar um debate de alto nível e “sem esculhambação”, respeitando-se o fato de que Orlando e Arthur são de campos opostos do espectro político.

A ideia surgiu a partir do entendimento das campanhas de ambos de que a troca de críticas entre Orlando e Arthur no debate da Band, em 2 de outubro, foi um dos pontos altos do encontro. Na ocasião, o comunista disse que o oponente não tinha “cara de trabalhador” e foi rebatido por Mamãe Falei, que afirmou ter sido “sucateiro na zona leste”. De acordo com a campanha do Arthur, essa troca de faíscas foi o tema mais pesquisado sobre o debate em plataformas de busca.

Desde então, Globo, SBT, Record, Rede TV! e CNN cancelaram seus debates. Já a TV Cultura confirmou que vai realizar um embate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo no dia 12 de novembro. As campanhas de ambos criticam a postura das emissoras de TV que cancelaram seus encontros, classificando a decisão como “antidemocrática”.

“A gente acredita que há possibilidade de fazer debates com todos os candidatos respeitando as condições das autoridades sanitárias”, afirmou ao Estadão Rodrigo de Carvalho, coordenador campanha Orlando Silva. Ele disse ainda que todos os candidatos com direito a participar dos debates na TV haviam concordado – nas negociações com uma emissora – em não levar assessores. Nas conversas com outra emissora, todos os candidatos haviam concordado em fazer testes de covid-19.

“Por que a Bandeirantes e a TV Cultura conseguem fazer e as outras não?”, indagou. “Não foi uma decisão sanitária, foi política”, afirma.

Renato Battista, presidente do Patriota paulistano, também criticou os cancelamentos. “É um conluio Russomanno-Covas para poupar quem não sabe debater e levar os mesmos de sempre ao segundo turno”, disse. “A questão de não ter debate privilegia principalmente o Russomanno”, acrescentou.

De acordo com a útlima pesquisa Ibope/TV Globo/Estadão, Mamãe Falei tem 2% das intenções de voto e Orlando, 1%. Por pertencerem a partidos com ao menos seis representantes no Congresso Nacional, ambos têm direito legal a serem chamados para os debates. Celso Russomanno (Republicanos) e o prefeito Bruno Covas (PSDB) lideram a disputa estão tecnicamente empatados com 25% e 22% das intenções de voto, respectivamente.

 

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