Kelly Fuzaro/Band
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Marqueteiro de Russomanno compara debate em TV a 'fuzilamento' para quem está na frente

Enquanto o candidato do Republicanos e o Planalto comemoram cancelamentos de encontros, adversários avaliam que falta de confrontos dificulta escolha do eleitor na eleição de 2020

Ricardo Galhardo, Paula Reverbel e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2020 | 11h06
Atualizado 09 de outubro de 2020 | 11h15

O Palácio do Planalto e a campanha de Celso Russomanno (Republicanos) comemoraram o cancelamento de debates na TV entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo. A expectativa é que Russomanno, líder nas pesquisas, não participe de mais nenhum debate no primeiro turno e seja blindado dos ataques de adversários.

O marqueteiro de Russomanno, Elsinho Mouco, comparou os debates a comícios para os candidatos que estão atrás nas pesquisas.

"Esse formato é um verdadeiro 'debício', uma mistura de debate com comício. É um paredão de fuzilamento com quem está na frente das pesquisas. Com 11 pessoas, são 30 segundos para perguntas e para responder. Se vem uma provocação não dá tempo de se posicionar. São nove fuzilando os dois (primeiros colocados)", disse ele.

Indagado se o cancelamento dos debates favorece Russomanno, um auxiliar do presidente Jair Bolsonaro respondeu: "Totalmente". Segundo este auxiliar palaciano, a estratégia do candidato é "jogar parado, fazer cera, catimbar" para evitar o desgaste e chegar ao segundo turno.

Globo, SBT, Record, Rede TV! e CNN cancelaram seus debates. Os motivos são divergências entre os candidatos sobre quem vai participar e as restrições impostas pela covid-19.

Com isso, o candidato do Republicanos pode repetir Bolsonaro, que em 2018 só participou do primeiro debate. O presidente não foi aos demais encontros alegando restrições médicas em função da facada que levou no dia 6 de setembro.

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Enquanto Russomanno e o Planalto comemoram, os candidatos que estão atrás nas pesquisas lamentam a ausência dos debates na eleição de 2020.

"Eu, pessoalmente, vejo com muita pena para a democracia. Quem perde mais são os candidatos nanicos, que não têm tempo de TV. É a única chance que tinham para se mostrar e vender suas ideias. Quem ganha mais são os que estão na frente e não vão correr riscos", disse Raul Cruz Lima, marqueteiro de Márcio França (PSB).

"Como estamos empatados em terceiro, perdemos uma chance de alterar os resultados de pesquisas. Num momento em que o cara a cara nas ruas está prejudicado pela pandemia, isso fica mais forte. Só nos resta apostar nos programas e comerciais de TV. A democracia é que sai perdendo mais.

O candidato do PSD, Andrea Matarazzo, diz que a não realização dos debates dificulta a escolha do eleitor. "Não permitir o debate, não dar voz aos candidatos é tirar dos eleitores a chance de conhecer as ideias de cada um. Sem discutir a cidade e seus problemas, perdem os eleitores, perde a eleição e perde a cidade. O melhor caminho pra discutir os nossos problemas e desafios não pode ser calando a democracia", disse ele.

Com apenas 17 segundos no horário eleitoral da TV, Guilherme Boulos (PSOL) teria nos debates a possibilidade de ampliar seu público. "O cancelamento dos debates é muito ruim. Pode trazer um problema democrático para as eleições, ainda mais quando o tempo na TV é dividido de maneira tão desigual", disse o coordenador da campanha, Josué Rocha.

O PT também lamentou a chance de tornar o candidato Jilmar Tatto mais conhecido, um dos principais objetivos do partido nestas eleições. "Qualquer espaço que o Jilmar tenha para expor suas ideias é bom e ajuda muito. Ao cancelar os debates as TVs estão ajudando a blindar Russomanno e Bruno Covas (PSDB)", disse o secretário municipal de Comunicação do PT de São Paulo, Aparecido Silva.

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